quarta-feira, 12 de junho de 2013



 
 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
GRUPO (INTERNACIONAL DA) ASSOCIAÇÃO (DOS) ARTISTAS REVOLUCIONÁRIOS DE COLÔNIA (Colônia, 1919-1921).



A Revolução Alemã renovou as artes: por todo o país brotaram associações de artistas brandindo sua bandeira libertária e patriótica. O fervor revolucionário espalhou-se por Carlsruhe, Darmstadt, Halle, Hamburgo, Hanover e Berlim. Esta fogueira ardeu e logo se apagou: os artistas gritaram seus apelos, mas isto foi tudo que conseguiram. A fervente atividade logo cessou e poucas associações de artistas prosseguiram com suas atividades.


 

 
Os artistas Hans Arp, Johannes Baargeld, Max Ernst e Marcel Janco vinham de Zurique, onde tinham participado do Dadaísmo na cidade, e se associaram a outros artistas para fundarem a Associação dos Artistas Revolucionários de Colônia. Esta foi mais uma entre as inúmeras associações de artistas que surgiram nessa época por toda a Alermanha. Os artistas reunidos lançaram manifesto (11 abr., 1919); assinaram o documento Hans Arp (1886-1966) e Sophie Taueber (depois, Arp, 1889-1943), Fritz Baumann (1896-1942), Viking Eggeling (1880-1925), Max Ernst (1891-1976), Alberto Giacometti (1901-1966), Emmy Hennings (1885-1948), Marcel Janco (1895-1984) e Hans Richter (1888-1976). Participaram do grupo, além dos citados, Augusto Giacometti (1877-1947), Otto Freundlicht (1878-1943), Angelika Hoerle (1899-1923) e Heinrich Hoerle (1895-1936), entre outros.




 
Em Colônia os artistas iniciaram a publicação de revistas: entre seus colaboradores Alberto Giacometti, pintor suíço até então pertencenteà corrente Expressionista, que se popularizou durante o periodo Dadaísta em Zurique. Nesta fase, Giacometti colaborou com as publicações de cunho politico radical, revistas que foram distribuidas nas portas de fabricas e locais de reuniões operárias e populares. As publicações lutaram contra o crescente militarismo germânico; foram animadas por Johannes Theodor Baargeld, amigo de Hans Arp, que provavelmente as patrocinou (v. abaixo, Revistas Alemãs: Dadaístas & Outras; v. Revistas Dadaístas Publicadas Internacionalmente; e v. Editora Malik).





 
Max Ernst publicou o álbum com oito litografias, encomenda da cidade de Colônia, intitulado Fiat Modes (1919). Ernst foi o primeiro artista da Associação dos Artistas Revolucionários de Colônia, também participante da Associação dos Artistas Radicais da Basiléia (Suíça, 1919-1921; v.), que expôs suas obras em Paris, convidado por André Breton, mentor do futuro Grupo (Internacional) do Surrealismo (Paris, 1924-1966). Algumas dessas obras foram feitas em conjunto com Hans Arp, as Colagens intituladas Fatagaga/ Fabricação de Quadros Gazométricos Garantidos [Fatagaga/ Fabrication de Tableaux Garantis Gazometriques]. Antes de participar do Dadaísmo em Zurique (v.), Hans Arp fundou anteriormente, com Walter Helbig (1878-1968). Albert Jacques A. Welti (1894-1965) e Oscar Wilhelm Lüthy (1882-1945) o Grupo (Suíço) da Federação Moderna (Der Moderne Bund, Weggis, Suíça, 1911-1913; v.). Quase todo o grupo da Associação dos Artistas Revolucionários de Colônia se transferiu para o Dadaísmo na Basiléia, onde fundaram a Associação dos Artistas Radicais da Basiléia (Suíça, 1919-1921; v.).





REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



BARR, A. Cubism and Abstract Art. Cambridge: Harvard University Press, The Belknap Press, 1936. 1986, p. 07.


 
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. David Sylvester, Elizabeth Cowling (Essays). London: Arts Council of Great Britain, 1978, pp. p.  207.

 
DICIONÁRIO. SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il., pp. 11, 122.
 

GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., pp. 37-49, 251-253.


NÉRET, G. 30 ans d'art moderne: peintres et sculpteurs. Fribourg: Office du livre, 1988. 248p.: il., pp. 213, 215, 216, 228.


PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968, pp. 147.


RAGON, M..Journal de l´Art Abstrait. Genève: Skira, 1992. 163p: il., p. 49.

 
RICHTER, H. HAUPTMANN, W. (Post-Scriptum). Dada art & anti-art. Cologne: Du Mont Shauberg, 1964. 1965. 246p.: il., pp. 33-49.

 
 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
ASSOCIAÇÃO DOS ARTISTAS RADICAIS DA BASILEIA; OU GRUPO (INTERNACIONAL DO) DADAÍSMO NA BASILÉIA (Basileia, Suíça, 1919-1921).


Destaques: ERNST, Max, Viking EGGELING, Hans RICHTER, Hans ARP, Sophie ARP, Marcel JANCO, Augusto GIACOMETTI, Otto FREUNDLICHT, Johannes Theodor BAARGELD.

A maioria dos artistas citados participou do Dadaísmo em Zurique (1916-1918); quando o movimento acabou nessa cidade suíça, os artistas se radicaram durante certo período em Colônia; e, no ano seguinte na Basiléia, onde fundaram a Associação dos Artistas Radicais. Participaram Hans Arp (1886-1966) e Sophie Taueber (depois, Arp, 1889-1943), Fritz Baumann (1896-1942), Viking Eggeling (1880-1925), Max Ernst (1891-1976), Otto Freundlicht (1878-1943), Augusto Giacometti (1877-1947), Alberto Giacometti (1901-1966), Emmy Hennings (1885-1948), Marcel Janco (1895-1984), Hans Richter (1888-1976), Walter Helbig (1878-1968), Albert Jacques A. Welti (1894-1965), Oscar Wilhelm Lüthy (1882-1945). Desses artistas, Helbig, Luthy e Welti fundaram anteriormente com Hans Arp, o Grupo (Suíço) da Federação Moderna [Der Moderne Bund] (Weggis, Suíça, 1911-1913).




 
O sueco Viking Eggeling, juntamente com o alemão Hans Richter, foram os precursores do cinema de animação europeu: os artistas se associaram quando verificaram que suas pesquisas mantinham pontos em comum. Nesse período Richter e Eggeling, se dedicaram à produção conjunta de filmes de animação, com elementos geométricos e construtivos da Arte Abstrata.



 
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


 
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978,475p.: il., pp. 79-86.




GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., pp. 84-93, 111.

segunda-feira, 10 de junho de 2013




 
 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.



GLOSSÁRIO: REVISTAS VANGUARDISTAS DO LESTE EUROPEU PUBLICADAS NO SÉCULO XX (1910-1946).

 
Países do leste europeu aderiram às publicações das vanguardas artísticas: surgiu Nyougat (Budapeste, Hungria, 1910-1914); a revista Ma (1918-1919), lançada em Budapeste, mas posteriormente transferida para Viena (1919-1925) em razão da perseguição política sofrida por seu editor, Lajos Kassak. A revista foi ilustrada por Pablo Picasso, Marc Chagall, Amedeo Modigliani e Wassily Kandinsky, entre outros. Foi Kassak o primeiro a publicar a pesquisa sobre os principais artistas participantes das vanguardas internacionais, através do seu Livro dos Novos Artistas: Antologia (Budapeste: Lajos Kassak, 1922), o primeiro a abordar a arte inovadora européia. Em Budapeste foi publicada a revista Dokumentum (1926-1927). No inicio do movimento do Dadaísmo europeu foi publicada por Dragan Aleksic Dada Tank (Zagreb, 1922); e Bucareste (Romênia), inscreveu-se no mapa das publicações com as revistas Simbolul (1915), a primeira que Tristan Tzara editou  com o pseudônimo de S. Samyo; seguiu-se Contimporanul (1922-1932), editada por Ion Vinea, I. G. Costin e Marcel Janco, ilustrada por Victor Brauner e Constantin Brancusi, entre outros; a Viata Nuova (1925), foi editada por poetas e escritores; Alge (1930-1933), revista anarquista, foi publicada em duas séries, sendo na primeira editada pelos poetas Amel Baranga, Gherassim Luca, Paulo Testa e Prahim. A revista Urmuz (1928), teve 5 números editados por Sasa Pana, editor de Unu (1928-1932), com 50 números publicados, verdadeiro recorde para revista cultural vanguardista. Na província, Aurel Zaremba publicou 7 números de outra revista, a XX - Literaturá Contemporaná (1928-1929); e, posteriormente, a revista Meridian (1943-1946), publicada por 34 números. Na década de 1930, as publicações das vanguardas romenas estiveram associadas à forte presença do Surrealismo no país, inspirado no movimento francês e por este influenciado (v. Grupo Internacional do Surrealismo; v.).

 
REFERÊNCIA SELECIONADA:

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., p. 100.
 


 


HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
GLOSSÁRIO: EDITORA MALIK [MALIK VERLAG] (Berlim, 1916-1924).

A Malik Verlag foi fundada por Tom e Wieland Herzefelde (1896-1988), irmãos de John Heartfield (1891-1968), que foi o mais conhecido ilustrador alemão dedicado às Fotomontagens. As ilustrações de Heartfield colocaram em ridículo Adolf Hitler e criticavam o nazismo de modo contundente: suas ilustrações foram publicadas em várias das principais revistas lançadas pela Malik Verlag, a editora mais importante no Dadaísmo berlinense. Na época, quase todas as revistas publicadas estavam comprometidas politicamente com o Dadaísmo mais radical e nihilista, como Neue Jugend [Nova Juventude, 1916–1917], Ventilador [Ventilador], Die Pille [A Pilula], Der Gegner [O Adversário], Rosa Brille [Luneta Rosa], Freie Strasse [Rua Livre]; Blutige Ernst [Sangue do Ernst], esta editada por George Grosz e Carl Einstein (1919); Die Pleite [A Bancarrota], editada por George Grosz e Wieland Herzfelde [1919–1924]; e Jederman Sein Eigener Fussball [A cada um seu futebol], editada por George Grosz e Franz Jung, com único número publicado (n. 01, 15 fev., 1919).
 
 
Nas revistas citadas foram lançadas idéias contrárias à lei e a ordem, ao nazismo e ao crescente militarismo da nação alemã: por este motivo as revistas foram censuradas, e frequentemente confiscadas. Por esta mesma razão as diversas publicações se sucederam, com o lançamento constante de novas revistas com outros nomes e, por vezes, repetindo os mesmos textos publicados anteriormente, mas mantendo sempre a mesma linha editorial radical (ADES, 1978).

 
REFERÊNCIA SELECIONADA:


CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 42-43, 103-110, 159.


 

 

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
GLOSSÁRIO:  REVISTAS DADAÍSTAS E OUTRAS, PUBLICADAS INTERNACIONALMENTE (Colônia, 1919-1929;  Hanover, 1913-1932; Munique, 1914-; Breslau,  1919-; Darmstadt, 1919-1921; Dresden, 1916-1929;  Weimar - Dessau, 1919-1932).

Nas cidades alemãs onde o Dadaísmo tornou-se expressivo, como em Colônia, onde foi liderado por Max Ernst, Johannes Theodor Baargeld, foram publicadas as revistas Bulletin D e Stupid (1919); Der Ventilador e Die Shammade (1920) e, bem depois, a revista a-z (1929). Em outras cidades como Hanover, e com várias orientações editoriais foram publicadas Das Weissen Blatter (1913-1921), Der Marstall (1920) e Merz (1922-1932), de Kurt Schwitters. Em Munique foi publicada Zeit Echo (1914-1917), também distribuida em Berna (Suíça); em Breslau, Die Erde (1919-1920); em Darmstadt, Das Tribunal (1919-1921), editada Paul Zech, que publicou anteriormente Das Neue Pathos (Berlim, 1915). Em Dresden, Das Ziel (1916-1920), Das Rohe Ufer (1919 - 1920), Die Neue Schaubühne (1919-1925), Menschen (1920-1921) e também Tranbordeur Dada (1922-1929), editada por Tristan Tzara. Em Weimar, cidade dominada pela Bauhaus (1919-1925), foi publicada a revista homônima e, mais tarde, quando transferiu-se para Dessau, foi editada em várias outras cidades (1926-1932).

 
Para as publicações das vanguardas alemãs trabalharam os mais conhecidos repórteres fotográficos da época como Erich Salomon, Alfred Eisenstaedt, Tim Gidal, Fritz Goro, Germaine Krull, Martin Munkaczi e Félix Mann. O fotógrafo Rolf Reiss foi o colaborador preferido de John Heartfield, o mais conhecido ilustrador de revistas berlinenses, crítico contundente de Hitler e da política do Partido Nacional Socialista. Outros fotógrafos foram Willi Rudge, Umbo e André Kértesz: este último se destacou posteriormente no Grupo Internacional do Surrealismo (Paris, 1924-1966). 

 
As publicações tardias, do final da década de 1920, foram a-z editada por Franz W. Seiwert e Heinrich Hoerle (Colônia, 1929);  Zakpo: Monatischrift für Zeitkunst (Karlsruhe, 1930), lançada pelo artista Karl Hubbuch das vanguardas do Grupo da Nova Objetividade (Neue Sachlichkeit, 1925-1933; v.). Na Alemanha, as vanguardas foram destruídas pelos nazistas, devido à ascensão do Partido Nacional Socialista, com Hitler no poder, que impôs a nova estética às artes (jan. 1933-1945; v. Grupo da Nova Objetividade: República de Weimar; v. Revistas Berlinenses, Dadaístas & Outras, Publicadas no Século XX; v. Revistas Dadaístas & Outras  Publicadas  Internacionalmente; v.  Revistas Detalhadas).


REFERÊNCIA SELECIONADA:
 

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 42-43, 103-110, 159.
 

sexta-feira, 7 de junho de 2013



 
 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
DADAÍSMO AMERICANO: NOVA-IORQUINO (1915-1921).  

 

Destaques: DUCHAMP, Marcel, Francis PICABIA, Man RAY e Arthur CRAVAN.

Francis Picabia (1879-1953), ofereceu festa regada a champanhe no Hotel Elite (Zurique, 1918), onde ele lançou o número especial de sua revista 391. Esta revista foi publicada nos locais que Picabia visitou como Barcelona (1916), Nova York (1916-1917), Zurique (1918) e Paris (1919-1920). Em Nova York Picabia associou-se à Marcel Duchamp (1887-1968) e a Walter Conrad Arnsberg (1878-19XX), dadaísta e financista. Picabia publicou desenhos e poemas na revista 391, além de colaborações de Tristan Tzara e Arensberg. O financista e colecionador americano participou com obras do Salão dos Artistas Independentes (Nova York, 1917): ele foi preso por atentado ao pudor. No mesmo ano e no mesmo salão Marcel Duchamp ofereceu ao júri sua obra Fonte, o famoso mictório invertido, assinado por R. (Richard) Mutt, recusado para apresentação. A história da obra famosa foi tema das revistas vanguardistas publicadas pelo grupo (Nova York, 1915-1919).

Arthur Cravan, gigante de dois metros de altura, mas que passava a maior parte do tempo bebendo, deu sua contribuição ao Dadá nova-iorquino; o artista precisou fugir de Barcelona, onde desafiou para luta de boxe o campeão dos pesos pesados, Jack Johnson. A luta durou menos de um minuto, com Cravan derrotado (23 abr.,1916). O público catalão ficou revoltado e queria, a todo custo, seu dinheiro de volta. No mesmo dia Cravan zarpou de navio para a América, onde o escritor reencontrou Picabia e Duchamp, que conheceu anteriormente em Paris, onde foi o único redator e editor da publicação Maintenant (Hoje,1912-1914). O escritor participou de evento dadaísta com Duchamp, patrocinado por Arensberg, Pouco tempo depois Cravan desapareceu, durante passeio de barco no Golfo do México (1920).
    
Em Nova York Marcel Duchamp e Man Ray (1890-1976) publicaram várias revistas Dadaístas, todas apoiadas pelo grupo de Alfred Stieglitz (1874-1946) e do mecenas Walther Arensberg: The Ridgefield Gazook (31 mar., 1915), The Blind Man (n. 01, 10 abr. - n. 02, 02 maio, 1917), TNT (mar., 1919), Rongwrong (maio, 1919) e New York Dada (abr., 1921).



 
 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
DADAÍSMO EUROPEU: PARISIENSE (1920-1923).
 
Destaques: TZARA, Tristan e André BRETON.



Quando o dadaísmo agonizava em Zurique Tzara recebeu correspondência do grupo de Breton, convidando-o para levar o Dadaísmo para Paris. Tzara aceitou o desafio e chegou sem ser anunciado na casa de Francis Picabia, onde permaneceu hospedado durante um ano. O primeiro evento Dadá foi o sábado literário, promovido pela revista Littérature, publicação de Breton; ocorreu no Café Certa, anexo ao Petit Grillon (23 jan.,1920), Jean Cocteau, leu poemas de Max Jacob; André Breton leu poemas de Pierre Reverdy; Tzara leu artigo provocante de jornal com o ruído ensurdecedor de sinos e sirenes produzido por Paul Éluard e Théodore Fraenkel; Picabia desenhou no quadro negro e logo em seguida apagou a obra.
 
No Salão dos Independentes os Dadaístas anunciaram a presença do ator Charles Chaplin; compareceu a grande massa de publico para ver o ator, que claro, não tinha sido convidado. Vários dadaístas leram seus manifestos (38); alguns (7) leram o manifesto de Georges Ribemont-Dessaignes;  Aragon cantou a Canção do Não (fev., 1920). Os artistas organizaram evento com palestras no Clube du Faubourg, com participação de Henri Marx, Georges Pioch e Raymond Duncan. No mês seguinte na Sala Berlioz da Maison de L’Oeuvre, outro evento reuniu Breton, Soupault, Aragon, Éluard, Georges Ribemont-Dessaignes e Tzara: acabou em pancadaria (27 mar., 1920). Breton apresentou performance na ocasião; a fotografia do programa se encontra publicada (GOLDBERG, 1978).
 
Em maio ocorreu o Festival Dadá na Sala Gaveau, com Éluard, Soupault, Paul Dermée, Breton e Fraenkel. Soupault apresentou O Célebre Ilusionista [Le Célebre Ilusioniste]; Dermée, O Sexo do Dadá [Le Sexe de Dada]; Tzara a peça A Segunda Aventura Celestial do Sr. Aspirina [La Seconde Aventure Céleste de M. Antipyrine]; e a dupla Breton e Soupault apresentou Vocês me esquecerão [Vous m’Oublierez].
 
Em abril do ano seguinte (1921) o grupo organizou a excursão à Igreja de St Julien Le Pauvre. Os artistas não conseguiram adesões: o público não compareceu ao evento, pois o dia chuvoso e frio não ajudou. O grupo tirou fotografia reproduzida em vários livros (ADES, et al., 1978; RICHTER, 1965).
 
Em maio o evento foi o julgamento e sentença de Maurice Barrés, que declinou do convite e não compareceu à encenação teatral do Grupo Dadaísta na Sociedade Savantes na rua Danton. Barrés foi inicialmente ídolo para os escritores, mas o grupo considerou que ele traiu seus ideais quando passou a colaborar com o jornal reacionário L’Echo de Paris. Na realidade o julgamento transformou-se no julgamento do movimento Dadá e da celeuma entre Tzara e Breton. Dois dias antes do evento Francis Picabia publicou seu repúdio ao Dadaísmo, antecipando o resultado do julgamento, quando Tzara saiu derrotado. Na realidade o Dadá parisiense terminou nessa época; posteriormente foram celebrados alguns eventos de pouca repercussão como o Salão Dadá, na Galeria Montaigne, organizado por Soupault, Ribemont-Dessaignes, Aragon, Éluard e Benjamim Péret, fechado no dia seguinte à inauguração.

 
Breton boicotou a performance de T. Tzara, Coração de Gaz [Coeur à Gáz]: Tzara devolveu o boicote no Congresso de Paris, organizado por Breton, o que evidenciou claramente a ruptura completa dos Dadaístas com o grupo de Breton, os futuros Surrealistas (1924). Os ataques de Breton Tzara replicou com o Manifesto Coração à Gás [Coeur à Gas], lançado no evento homônimo (6-7 jul.,1923) quando ele compareceu vestido com costume de Sonia Delaunay, projetou filmes de Charles Sheeler, Hans Richter e Man Ray, acompanhados de música de Igor Stravinsky, entre outras, apresentadas ao vivo por Georges Auric e Darius Milhaud. O evento, realizado no Teatro Michel, encenou a peça Coração a Gás, dele, Tzara. Foram declamados poemas sonoros de Iliazde (Ilia Zdanevich) e de Marcel Herrand. André Breton, irado, subiu ao palco e começou a distribuir bengaladas aos participantes, como ao poeta René Crevel; ele quebrou o braço de Pierre de Massot. O público reagiu (RICHTER, 1965). Os eventos Coração Barbado e Coração à Gás foram a pá de cal que encerrou o Dadaísmo parisiense. Algumas fotos posadas do evento descrito encontram-se publicadas (GOLDBERG,1978).

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

 

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. David Sylvester, Elizabeth Cowling (Essays). London: Arts Council of Great Britain, 1978, pp. 79-86, 88, 103.

 
BIRO, A.; PASSERON, R. Dictionaire Général du Surréalisme et ses environs. Fribourg: Office du livre - Presses Universitaires de France, 1982, p. 363.
 
BREUILLE, J-P. Dictionnaire de la peinture et de sculpture : l'art du XXe siècle. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Lib, Larousse, 1991. 777p.: il., retrs.,pp. 290-291. (Dictionnaires specialisés).
 
BRITT, D.; MACKINTOSH, A.; NASH, J. M.; ADES, D.; EVERITT, A; WILSON, S.; LIVINSGSTONE, M. Modern Art: from Impressionism to Post-Modernism. London: Thames and Hudson, 1989, 416p.: il., p. 222.
 
FABRIS, A. Photomontage as political function. São Paulo: 2003, pp. 11-57.

 
GIBSON, M. Duchamp Dada.Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., . pp. 153-156.


 
PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968,pp. 172-173.

 
TESCH, J.; HOLLMANN, J.Icons of Art: the 20th Century. New York: Ekhardt Hollman, Prestel, 1997. 216p.: il., pp. 87, 88.
 
 
BÉHAR, H. André Breton: le grand indésirable. Paris: Calmann-Levy, C. N. de Lettres, 1990. [16] p. de lam.: retrs.
 
BÉHAR, H. Sobre el Teatro Dada y Surrealista. Traducción de José Escue. Barcelona: Barral, 1971, pp. 85-111.


GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson, 1978, 2001. 206p., il., some color. 15 x 21 cm (world of art), pp. 77-78.

 
LÉVÊQUE, J-J. Le triomphe de l'art moderne: les Anées Folles. Paris: A. C. R. Éd. Internationalles, 1992. 624p.: il., retrs., pp. 240, 264.

PIERRE, J. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968, pp. 191, 192.

PIERRE, J. L'Univers Surréaliste. Paris: Somogy, 1983, p. 325
 
RICHTER, H. HAUPTMANN, W. (Post-Scriptum). Dada art & anti-art. Cologne: Du Mont Shauberg, 1964. 1965. 246p.: il., pp. 164-165.