sexta-feira, 21 de março de 2014

LACERBA.



 

LACERBA.


O mesmo grupo que publicou a revista La Voce (Florença, 1908-1916), cujo principal mentor foi Ardengo Soffici, se organizou para lançar a outra revista italiana de vanguarda, publicada por 22 numeros: Lacerba (Florença, 10 jan., 1913-1915). O grupo editorial entrou em acordo com os escritores e artistas plásticos italianos mais conhecidos, que se reuniram em torno da filosofia de Benedetto Croce (1866-1952), de rejeição ao passado, o dito, Passadismo, que desejava quebrar o vínculo histórico sucessório dos movimentos na arte. A publicação foi fundada pelos escritores e intelectuais italianos Giovani Papini (1881-1966), Ardengo Soffici (1879-1964) e Aldo Palazzeschi (Aldo Giurliani, 1885-1974).

 
Desde que lançou seu primeiro número, a revista apoiou os artistas e escritores Futuristas italianos, até a sua ruptura com o grupo provocada pela publicação do artigo de Papini, Futurismo e Marinettismo (14 fev., 1915). Papini foi um dos grandes colaboradores da revista, animador incansável da publicação, escritor inventivo que abordou os mais diversos temas com desenfreado vigor e admirável sinceridade; mais tarde, esse escritor, que se converteu ao catolicismo, deixou extensa obra literária de inquestionável qualidade, que Mário de Andrade admirava. Pallazzeschi foi pacifista, contrário à I Guerra Mundial: ele não se associou ao Fascismo do Grupo do Futurismo, que abandonou.


Foram vários os colaboradores de Lacerba, como o pintor Ottone Rosai (1895-1947) e o poeta Auro D’Alba (Umberto Bottone, 1888-1965), que assinou com Marinetti o Manifesto dos Autores Italianos (1911). D’Alba publicou vários de seus poemas na revista (maio, 1913), sendo que suas poesias foram republicadas na Coleção Bayonette (Milão: ed. Poesia, 1915). D’Alba também publicou dois artigos na revista: O Puro Lirismo na Sensibilidade Futurista [Il puro lirismo na sensibilitá Futurista] (mar., 1914) e A Temática na Poesia [Il sogetto in poesia] (jun., 1914).



Carlo Dalmazzo Carrà (1881-1966) publicou vários de seus artigos na revista, sendo o mais importante Planos Plásticos como Expansão Esférica no Epaço; outro foi Pintura Passada = Ilustração, Pintura Futurista = Pintura [Pittura passada = ilustrazionismo, Pittura Futurista=Pittura], ambos publicados na mesma edição de Lacerba (15 out., 1913), além do artigo Deformação Dinâmica (15 fev., 1914).



O intelectual Guillaume Apollinaire (1880-1918), foi um dos colaboradores da revista; nela ele publicou o ensaio L'Antitradition Futuriste [A Antitradição Futurista]. O grupo dos Futuristas imprimiu o artigo em volante bilíngue, francês e italiano, que circulou entre as vanguardas dos dois países, França e Itália (1913). Independentemente das polêmicas que provocou, Lacerba se inclui entre as mais destacadas revistas das vanguardas européias. A publicação foi grande divulgadora da arte contemporânea, apresentando como seus colaboradores vários pintores Futuristas, como Umberto Boccioni, Luigi Russolo, Gino Severini e Carlo Carrà (v., Futurismo).


A revista Lacerba foi imortalizada quando citada textualmente na pintura Cubista de Pablo Picasso, Natureza-Morta com Lacerba. (Catalogue Raisonée de Picasso, obra n. 655, crayon - colagem, 72 cm x 58,5 cm, Zervos II 2. 461). O quadro, hoje no acervo da Fundação Guggenheim (Veneza, Itália), foi pintado por Picasso no inverno parisiense (1913-1914).



 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



 

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il.,
p. 28.

 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp.
459, 510.
 

 

PIERRE, José. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968, p. 177.
 

quinta-feira, 20 de março de 2014

BIOGRAFIA: DIULGHEROFF, Nikolay (1901-1982).


 
BIOGRAFIA: DIULGHEROFF, Nikolay (1901-1982).
Diulgheroff nasceu em Kyustendil, cidade situada no oeste do Principado da Bulgaria: ele estudou na Universidade de Artes Aplicadas (Viena, Áustria, 1920-1921), na Alemanha, em Dresden (1922), e, em seguida, tornou-se aluno da Bauhaus (Weimar, 1923-1925): ele foi próximo ao Mestre, espiritualizado e expressionista, Johannes Itten (1888-1963). Ainda aluno, Diulgheroff participou de duas exposições coletivas (Berlim, Dresden) e expôs suas obras individualmente na capital da Bulgária (Sofia, 1924).

 
Diulgheroff estabeleceu-se em Turim a fim de estudar Arquitetura na Academia Albertina (1926-1932). O artista foi apresentado a muitos eminentes Futuristas, como Fillia (Luigi Colombo, 1904-1936), pintor, decorador, fundador do Movimento Futurista de Turim, escritor e editor de várias revistas Futuristas. Diulgheroff associou-se ao Futurismo, trazendo com ele a cultura característica do Construtivismo originário da Europa Central; ele assinou, com o grupo de arquitetos Futuristas italianos Virgílio Marchi (1895-1960), Alberto Sartoris (1901-1998) e Guido Fiorini (1891-1965), o Manifesto da Arquitetura Futurista Dinâmica, estado de alma, dramático (Manifesto dell’architettura dinamica, stato d’animo, drammatica), nova perspectiva racionalista na arquitetura, publicado na primeira página da revista Roma Futurista (Roma, 29 fev., 1920). A versão do documento se encontra reproduzida (HULTEN et al., 1986: 511).

Diulgheroff produziu as monografias La Nuova Archittetura [A Nova Arquitetura] (1931); Il Futurismo [O Futurismo] (1932); Gli Ambienti della Nuova Archittetura [O Ambiente da Nova Arquitetura] (1935). O artista participou do Grupo dos Seis de Turim (Gruppo dei Sei di Torino, 1929-1931), liderados pelo crítico de arte, escritor e arquiteto Edoardo Persico (1900-1936), fundado com Gigi Chèssa (1898-1935) com a adesão de Jessie Boswell (1881-1956), Nicola Galante (1883-1969), Carlo Lèvi (1902-1975) e Francesco Menzio (1899-1979), ao qual se associaram depois dele, Diulgheroff, Felice Casorati (1883-1963), o escultor, pintor e arquiteto Luigi Spazzapan (1890-1958), o escultor Umberto Mastroiani (1910-1998) e arquiteto e designer Carlo Mollino (1905-1972). O Grupo dos Seis de Turim publicou, apoiado por Fillia (Luigi Colombo, 1904-1936), o único número da revista Futurismo (1924). O coletivo contactou o Grupo da Escola Romana [Scuola Romana] e expôs suas obras na mostra coletiva conjunta, realizada na Galeria La Cometa (Roma, 1930); e, no ano seguinte, em Paris (1931). Na década 1920-1930 Diulgheroff participou das mais destacadas mostras Futuristas, realizadas em Turim, Leipzig, Paris, Florença, Barcelona, Mântua e Veneza.



Diulgheroff colaborou com a receita do Frango Fiat [Pollofiat] e desenhou o interior da Taverna Santopalato, o primeiro estabelecimento dedicado à culinária Futurista: na época, Fillia e Marinetti lançaram o Manifesto da Culinária Futurista (Milão, 28 dez., 1930). Diulgheroff criou cartazes e anúncios para renomadas marcas internacionais como Amaro Cora, Cinzano e Campari. O artista foi homenageado com o título de Cidadão Honorário de Turim, cidade que amou, onde viveu mais de cinco décadas. Algumas obras do artista pertencem ao acervo da Galeria Nacional de Arte Moderna (Roma).
 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


 
DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il, p. 271.



INTERNET. From Wikipedia, the free encyclopedia. Nikolay Diulgheroff.This page was last modified on 11 March 2013 at 04:52. Retrieved from: "http://en.wikipedia.org/w/index.php?title=Nikolay_Diulgheroff&oldid=543346048" Acessed 23 April, 2013.

terça-feira, 18 de março de 2014

BIOGRAFIA: FILLIA, Luigi Colombo (1904-1936).





BIOGRAFIA: FILLIA, Luigi Colombo (1904-1936).




Nasceu em Revello e morreu em Turim; o artista foi escritor, editor, pintor e ativista político futurista italiano. Ainda muito jovem Fillia fundou o movimento futurista de Turim, juntamente com T. A. Brasci e Leonardo Dudreville (1887-1976). Fillia foi muito amigo de Giacomo Balla (1871-1958) e Enrico Prampolini (1894-1956), artistas destacados no Futurismo.


Fillia tornou-se editor e lançou várias publicações de qualidade, revistas como Futurismo (1924); Vetrina Futurista [Vitrine Futurista] (1927); La Città Futurista [A Cidade Futurista] (1929-), que publicou alguns manifestos, assinados por Ugo Pozzo (1900-1981) e Prampolini; La Cittá Nuova [A Cidade Nova] (1932-1934). Pozzo, amigo e colaborador de Fillia, trabalhou na composição gráfica de outra das revistas vanguardistas que Fillia editou, a Stile Futurista [Estilo Futurista] (1935).

 
Fillia assinou vários manifestos:




1. Manifesto da Culinária futurista,
foi assinado por F. T. Marinetti e Fillia (Milão, 28 dez., 1930).




 
2. Manifesto da Arte Sagrada Futurista,
foi assinado por F. T. Marinetti e Fillia (1932).




3. Manifesto da Cenografia Futurista,
foi lançado por Fillia (Luigi Colombo) e Enrico Prampolini, quando definiu os princípios da teoria cenográfica teatral Futurista.





4. Aeropintura: Perspectivas do Voo,
assinado por Benedetta Marinetti, Fortunato Depero, Gerardo Dottori, Fillia (Luigi Colombo), F. T. Marinetti, Enrico Prampolini, Mino Somenzi e Tato (Guglielmo Sansoni).




5. Manifesto da Construção Absoluta de Motores Ruidosos,

lançado por Fillia (Luigi Colombo) e Enrico Prampolini, voltado para carros e veículos com motor em movimento.



Na pintura, as obras de Fillia seguiram várias vertentes comuns a alguns futuristas, com representações mecânicas com influência de Prampolini; algumas obras, que expressaram valores espirituais e estados psíquicos, receberam as influencias de Giacomo Balla (1871-1938) e Umberto Boccioni (1882-1916), como Feminilidade (1928). Algumas obras apresentaram registros espirituais associados ao cosmos, como a Espiritualidade Aérea ou Espiritualidade do Aviador. Obras de Fillia participaram de várias mostras coletivas futuristas, organizadas nacionalmente; a partir da década de 1960, suas obras participaram das mesmas mostras póstumas que as obras de Dudreville. Fillia faleceu muito jovem, sem poder desenvolver a sua obra da maturidade (1936); Fillia morreu ainda muito jovem, sem poder desenvolver a sua obra da maturidade; no entanto, pinturas de Fillia pertencem aos acervos de museus em Roma, Veneza e Turim, entre outros.




REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 476.

 




PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968, p. 168.

segunda-feira, 17 de março de 2014

BIOGRAFIA: PREZZOLINI, Giuseppe (1882-1982).



BIOGRAFIA: PREZZOLINI, Giuseppe (1882-1982).

 


O escritor italiano que viveu cem anos, nasceu em Perugia e morreu em Lugano (Suíça). O ativo vanguardista viveu em Florença, onde fundou, juntamente com Giovanni Papini (1881-1966),a revista Il Leonardo (1903); ele se tornou colaborador da publicação Regno [Reino]. Durante alguns anos (1908-1913) Prezzolini foi diretor da Voce (Voz, Florença, 1908-1916), um dos mais respeitados periódicos da imprensa italiana. Prezzolini foi um dos mais ferrenhos adversários do Futurismo Marinettiano, de F. T. Marinetti (1876-1944), pois nunca compreeendeu nem tampouco aceitou a estreita relação do movimento com o fascismo de Benito Mussolini.


REFERÊNCIA SELECIONADA:



 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.; CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 545.

BIOGRAFIA: POZZO, Ugo (1900-1981).




BIOGRAFIA: POZZO, Ugo (1900-1981).



O pintor, desenhista, ceramista e artista gráfico Ugo Pozzo nasceu e morreu em Turim (Itália). O artista foi amigo e colaborador de Fillia (Luigi Colombo, 1904-1936) e trabalhou na composição gráfica de uma das revistas vanguardistas que Fillia editou, La Cittá Nuova (A Cidade Nova, 1932-1934). A revista que Fillia editou anteriormente foi La Cittá Futurista (A Cidade Futurista, 1929-), que publicou alguns manifestos assinados em conjunto com Enrico Prampolini (1894-1956). A dupla Pozzo e Fillia editou outra revista destacada nas vanguardas italianas, a Stile Futurista [Estilo Futurista](1935).



Pozzo, associado ao Futurismo em Turim, participou do grupo desde primeira mostra, realizada no Clube de Inverno (1922). O artista continuou participando com pinturas das mostras coletivas futuristas; nas suas obras Pozzo evidenciou o dinamismo plástico, revelando a presença da síntese da arte mecânica. O artista tornou-se muito ativo nas Artes Gráficas, pois ilustrou vários livros de Fillia, desenhou cartazes e projetou decorações de interiores no estilo decorativo do Futurismo. Em meados da década de 1930 Pozzo trabalhou em Arte Mural, e, em conjunto com o escultor Tullio d'Albisola (Tullio Spartaco Mazzotti,1899-1971), ele criou obras cerâmicas.

 
 
 
REFERÊNCIA SELECIONADA:


 
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 542.
 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

BIOGRAFIA: SOFFICI, Ardengo (1879-1964).

 
BIOGRAFIA: SOFFICI, Ardengo (1879-1964).


O artista nasceu em Rignano sull' Arno (Toscana), na região ao sul do rio Arno e morreu em Poggio (Itália). Soffici estudou Desenho de Nu Artístico na Academia de Belas Artes (Florença); ele viajou à Paris para visitar a Exposição Universal (1900). O artista permaneceu vivendo na cidade luz durante sete anos; ele sobreviveu como ilustrador e desenhista, trabalhando para publicações semanais como Le Rire, La Plume, L'Assiette au Beurre e La Révue Blanche [O Riso, A Pluma, O Guardanapo Amanteigado e A Revista Branca]. Soffici foi amigo de escritores e artistas plásticos como Léon Bloy, Pablo Picasso e Guillaume Apollinaire, entre outros. O artista plástico e escritor enquanto viveu em Paris passou temporadas anuais na Itália; depois que voltou a viver no seu país natal, ele inverteu a rota e passou frequentes temporadas em Paris.


Soffici passou a desenhar para as revistas Il Leonardo [O Leonardo] (1903-) e La Voce [A Voz] (1908-1916): para este último periódico ele escreveu seu primeiro artigo sobre Paul Cézanne, seguido de outros textos sobre arte e literatura francesa. A revista pregou a renovação da arte e da cultura italiana e combateu o misticismo; nela Soffici disputava a primazia intelectual, concorrendo com textos do futuro editor da Lacerba, Giovanni Papini (1881-1966) e de Giuseppe Prezzolini (1882-1982), grandes animadores da revista florentina.



O artista organizou a mostra dos Impressionistas franceses em Florença e tornou-se personalidade bastante polêmica, mas muito influente na cultura italiana. O artista visitou a dita, Exposição Internacional de Arte Livre (Milão, 1911), organizada por F. T. Marinetti, pai do Futurismo italiano. Soffici atacou a mostra no seu artigo Arte Livre e Pintura Futurista [Arte libera e pittura futurista], publicado em outra revista das vanguardas florentinas (15 jun., 1911). A polêmica foi estabelecida com os Futuristas e gerou réplica, exposta na reunião dos escritores do grupo italiano realizada no Giubbe Rosso, onde, após acalorada discussão sobre arte, as desavenças acabaram em generalizada pancadaria. Soffici, que manteve inicialmente atitude contrária aos Futuristas, mudou de lado e aderiu ao grupo italiano, quando suas obras participaram da primeira Mostra Futurista Livre (Milão, 1912), organizada por Marinetti, quando ele apresentou 09 pinturas; e suas obras participaram da exposição Os Pintores e Escultores Futuristas Italianos, realizada em Roterdã (Holanda, 1912); e suas obras também participaram do dito, Salão de Outono Alemão [Erster Deutscher Herbstsalon], organizado por Herwart Walden na Galeria da Tempestade (Berlim, 1913). As pinturas de Soffici participaram da mostra dos Futuristas realizada na Galeria Sprovieri (Roma, 1914); em outra exposição coletiva do grupo, realizada nas Galerias Doré (Londres, 1914), entre outra mostra na filial da dita, Galeria Futurista, de Giuseppe Sprovieri (Nápoles, 1914). Na época, Soffici produziu obras associadas à estética do Cubismo, consideradas como suas melhores obras: entre estas as naturezas-mortas ditas, Decomposições e as Sínteses das Paisagens, nas quais Soffici aplicou as teorias de Paul Cézanne.



Soffici participou da Grande Serata Futurista [Grande Noitada Futurista], juntamente com F. T. Marinetti (1876-1944), Paolo Buzzi (1874-1956), Aldo Palazzeschi (1885-1974), Luciano Folgore (1888-1966) e Giuseppe Balila Pratella (1880-1955), entre outros, realizada no Teatro Costanzi (Roma, 1913). Soffici continuou publicando seus artigos sobre os artistas de seu tempo e viajava frequentemente para a capital francesa onde se encontrava com seu dileto amigo que lá vivia, Gino Severini (1883-1966). Foi iniciada a publicação da revista Lacerba (Florença, 1913-1915), com a qual Soffici colaborou, bem como seu amigo Ottone Rosai (1895-1957), entre outros. A publicação foi reconhecida pela crítica européia como a mais importante revista das vanguardas, na qual vários artistas franceses publicaram textos importantes. A Lacerba patrocinou a noite artística Futurista, no Teatro Verdi (Florença); e, a mostra dos pintores do grupo da qual participaram obras de G. Balla, U. Boccioni, C. Carrà, L. Russolo e A. Soffici, organizada no salão da biblioteca da publicação (Florença, 1913). Giovanni Papini (1881-1966) publicou artigo em Lacerba (15 fev., 1914) que provocou réplicas de U. Boccioni e também de Soffici. O Almanaque Purgativo de Lacerba foi publicado com contribuições de Soffici, que lançou livros como Cubismo e Futurismo (Florença, 1915); ele lançou a nova edição revisada de seu primeiro livro, Cubismo e Outros (1913) e ainda Palavras em Liberdade, título similar ao do livro de F. T. Marinetti, quando ele publicou seus desenhos tipográficos Ink Well (1914); Arlecchino (Arlequim); BIF & 2F + 18 Simultaneitá e Chimismi lirici (1915). No entanto, as ligações de Soffici com os escritores e artistas plásticos Futuristas, ficaram estremecidas antes do início da fase fascista do dito, Marinettismo italiano (abr., 1914).



O artista e escritor viajou para Paris onde publicou seu poema Masque [Máscara] na revista editada por Guillaume Apollinaire (1888-1918), Les Soirées de Paris [As Noites de Paris] (Paris, 1912-1914). No número de Lacerba (14 fev., 1915), o escritor rompeu definitivamente seus laços com o grupo dos Futuristas. No entanto, segundo declarou FABRIS (2003), a revista Rete mediterrânea (mar. – dez., 1920), publicou em vários números opiniões ambivalentes quando não contraditórias de Soffici sobre o Futurismo. No artigo Dichiarazione preliminare, abertura do primeiro número da revista citada, o escritor se reconheceu como integrante do Futurismo e escreveu seu mea culpa de natureza pessoal. Durante a I Guerra Mundial Soffici serviu ao exército italiano; mas, diferentemente dos Futuristas U. Boccioni e do arquiteto Antonio Sant'Elia, que perderam a vida durante o conflito, ele sobreviveu.

Soffici marcou presença na Sala Especial Futurismo, com curadoria de Umbro Appolonio na II Bienal Internacional (São Paulo, 1953). O artista expôs três pinturas: Uma Pobre (1913, óleo/ tela, 65 x 48 cm, coleção Gianni Mattioli, Milão); Tipografia (1914, pintura, colagem, 54 x 65 cm, coleção Frua de Angeli, Milão) e Frutas e licores (1915, óleo/ tela, 65 x 54 cm, na coleção Gianni Mattioli, Milão).



 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



CATÁLOGO GERAL. II Bienal do Museu de Arte Moderna. São Paulo: EDIAM, 1ª edição, dez., 1953, p. 219.

 
 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 577.


 

 

DICIONÁRIO.SCHMIED, W.; WITFORD, F.; ZOLLNER, F. The Prestel Dictionary of Art and Artists in the 20th century. München – London - New York: Prestel, 2000. 383p.: il., pp. 332-333.
 

 


FABRIS, A. Photomontage as political function. São Paulo: 2003, pp. 107-108. 

BIOGRAFIA: PAPINI, Giovanni (1881-1966).



BIOGRAFIA: PAPINI, Giovanni (1881-1966).



 
Papini nasceu e morreu em Florença; o escritor tornou-se um dos mais influentes intelectuais italianos. O autodidata Papini conseguiu influir no clima cultural de seu país devido às suas publicações, à partir do início do século, pois ele publicou juntamente com Giuseppe Prezzolini a revista Il Leonardo [O Leonardo] (Florença, 1903-1907).


 
A primeira obra publicada de Papini foi seu livro de anti-filosofia, Crepúsculo dos Filósofos [Crepuscolo Dei Filosofi] (1905), um dos textos inspiradores do movimento Futurista. No mesmo ano Papini escreveu uma série de ensaios, pesquisando seu sistema pessoal voltado para a estética Futurista, que ele mais tarde detalhou no livro Crítica [Stroncature] (1916). Papini manteve debate polêmico com o artista plástico e teórico da arte Umberto Boccioni, em textos publicados na revista Lacerba (Florença, 1913-1915). Boccioni publicou inicialmente o ensaio Palavras em Liberdade (1º fev., 1914); no número seguinte da revista, Papini publicou O Cerco se Fecha [Il cerco si chiude], quando defendeu a arte como criação.

Papini tornou-se um dos críticos mais importantes do movimento Futurista, pois ele publicou vários artigos, juntamente com Ardengo Soffici: Lacerba; e O Futurismo e Lacerba (dez., 1914), que anunciaram o seu futuro abandono da filiação ao grupo dos Futuristas, que ocorreu alguns meses mais tarde (fev. – mar., 1915). Outro artigo de Papini, este juntamente com Aldo Palazzeschi, foi Futurismo e Marinettismo (14 de fev., 1915), da série depois reunida no livro A Experiência Futurista [L' experienza futurista] (1919). A monografia sobre Papini foi apresentada por Cândido da Motta Filho no livro Giovanni Papini, um Homem Acabado (São Paulo, 1945).
 
 
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



 
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 439, 534.
 
 
 
FABRIS, A. Photomontage as political function. São Paulo: 2003, pp. 100-106.