segunda-feira, 5 de maio de 2014

TÉCNICAS NA ARTE (INTERNACIONAL): FOTOGRAFIA (1826-Hoje).



TÉCNICAS NA ARTE (INTERNACIONAL): FOTOGRAFIA (1826-Hoje).



A Fotografia foi a primeira Arte Performática: pessoas foram fotografadas, com sua aparência usual e roupas da época, bem como transformadas em personagens, na personificação exclusiva para a câmera fotográfica, na modalidade artística que denominei de Fotoperformance, que posteriormente divulgaremos. A Fotografia foi desenvolvida por técnicos, quimicos e pesquisadores em muitas gerações. Encarada como forma de arte a fotografia ocorreu desde meados do século XVIII, quando vários artistas plásticos europeus passaram a fotografar, especialmente os Pós-Impressionistas, sendo vários participantes do Grupo dos Nabis como Félix Valloton (1865-1925), Pierre Bonnard (1867-1947), Édouard Vuillard (1868-1940) e Maurice Denis (1870-1943); e o artista belga naturalizado francês, Henri Evenepoel (1872-1899), aluno de Gustave Moureau (Paris, 1826-1898); e o pintor destacado na dita, Escola de Haia, George Hendrick Breitner (1857-1923), o pioneiro holandês da fotografia tirada nas ruas de sua cidade natal, Roterdam, bem como nas ruas de Amsterdã e Paris, recentemente homenageado com mostra individual que revelou-o como fotógrafo (Rotterdam Kunsthal, 09-06/ 16-09-2012).

A Fotografia utiliza instrumento de mediação, a máquina fotográfica, aparelho reprodutivo de imagens óticas. Não somente o aparelho, mas a reprodução da imagem capturada por este aparelho sempre necessitou passar por vários procedimentos técnicos, banhos e processamentos químicos, para que a imagem fôsse reproduzida e fixada em anteparo e pudesse ser visualizada de forma independente do aparelho. Desde o século XVIII variaram os suportes da fixação da imagem fotográfica: a imagem foi fixada em placas de metal, de vidro, e, quando começou a se popularizar desde meados do século XIX, fixada no papel especial, o dito, papel fotográfico, que recebe a emulsão química que permite fixar a imagem obtida pela câmera. À medida que a máquina fotográfica foi evoluindo, novos instrumentos foram inventados e, as fotografias como forma de arte foram evoluindo do ponto de vista técnico. No entanto, do ponto de vista artístico, apesar de todas as inovações tecnológicas introduzidas nesse meio, a arte da fotografia sempre dependeu, e até hoje, depende da sensibilidade do artista que utiliza a câmera.

Gustav Le Gray (1820-1882) foi renomado fotógrafo francês, que fundou várias associações das quais ele participou, como a Sociedade Heliográfica e a SFP- Sociedade Francesa de Fotografia. O artista se transformou em conselheiro de muitos fotógrafos de sua geração, que o procuravam para receber seus ensinamentos. Le Gray tornou-se conhecido quando escreveu artigos sobre fotografia, publicados nas revistas da época. O artista dedicou-se a resolver os problemas técnicos eletromecânicos, que, na época, a fotografia apresentava. Le Gray publicou seu Tratado prático da fotografia sobre papel e sobre vidro (Traité pratique de la photographie sur papier et sur verre. Paris, 1850); o livro foi re-editado com outros títulos (1851; 1852; 1856). Le Gray foi encarregado da dita, Missão Heliográfica, de pesquisa de documentação da arquitetura de La Tourraine e de L'Aquitaine (França). O artista foi reconhecido pela excelente documentação fotográfica que produziu, que depois levou-o a documentar os monumentos de Paris, ele tornou-se o precursor da Fotografia Artística Documental, pois Le Gray realizou a documentação fotográfica do Salão de Belas Artes, fotografado sob encomenda de seu diretor, Philippe de Chenvières; as fotografias resultaram em dois álbuns, que sobreviveram ao tempo (Paris, 1852).
 
 
Le Gray inventou o Colótipo, o novo método da impressão da fotografia sobre papel encerado seco, que o artista utilizou durante 15 anos. Um de seus temas preferidos foi a paisagem da Floresta de Fontainebleau (1849-1855), na época em que o Grupo da Escola de Barbizon (v.), como J-F. Millet, entre outros, se ocupou em pintar esta mesma paisagem. Outro tema de Le Gray foi o das marinhas, que registraram, entre outros, o porto de Le Havre e de Cherbourg (1856); o porto de Toulon, seguindo pelo litoral, próximo à Sète (1857). O artista encantou o público quando apresentou suas marinhas com céu tormentoso, que expôs em Londres (1856) e (Paris (1857); uma destas fotos, A Onda [La Vague] (1856), se encontra reproduzida (BREUILLE, 1994). Outro tema do fotógrafo foram os retratos: Le Gray fotografou a Imperatriz Eugênia, a condessa espanhola que se tornou esposa de Napoleâo III (1856); e o líder político italiano Garibaldi (1860).

(continua)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

FOTOGRAFIA (1826-hoje).


 
FOTOGRAFIA (1826-hoje).

A fotografia é arte documental, que utiliza aparato mecânico, a máquina fotográfica, para gravar imagens variadas, que, em seguida, são transpostas para diversos meios como chapas de vidro, até conseguirem a sua fixação no papel. A Fotografia não foi invenção de um único homem, foi invenção coletiva, aperfeiçoada durante mais de dois séculos; no entanto, costuma-se citar como seu inventor o artista plástico francês Joseph Nicéphore Niepce, o primeiro a fixar uma imagem na placa metálica (França, 1826).

O físico francês Gabriel Lipmann pesquisou a solução para a fixação das cores na fotografia colorida; Lipmann foi homenageado com a Medalha Janssen (1892) e se tornou presidente da Sociedade Francesa de Fotografia (1897). Devido as suas pesquisas de fotografia pelo método interferencial, o físico francês recebeu o Prêmio Nobel de Física (1918); vários de seus estudos, tais como o método de determinação de diferenças de longitude (1914), levaram ao desenvolvimento dos processos posteriormente utilizados na fotografia colorida.

Desde o final do século XIX a fotografia passou a ser vista como forma de arte, principalmente pelo trabalho pioneiro do fotógrafo norte-americano que estudou na Alemanha, Alfred Stieglitz. Em Nova York foi fundada a associação de fotógrafos norte-americanos dita, Foto-Secessão [Photo Secession] (1904); no ano seguinte A. Stieglitz inaugurou a primeira galeria dedicada à fotografia artística, dita, A Pequena Galeria dos Foto-Secessionistas [The Little Gallery of the Photo Secessionists], que posteriormente ficou conhecida como a Galeria 291 (Nova York, 1905-1917). A galeria expôs obras de fotógrafos, mas logo passou a expor obras de artistas das vanguardas européias; Stieglitz favoreceu aos artistas, pois não cobrava nenhuma comissão para a sua galeria, sustentando esta atividade educativa através da publicação de suas revistas (V. revistas Camera Club e Camera Work, publicarei).
 
Outros fotógrafos se destacaram na nova modalidade artística: no Brasil não podemos deixar de citar as coleções que contém fotografias documentais de paisagens e dos costumes do nosso entre outros povos, pertencentes ao importante acervo reunido pelo Imperador D. Pedro II e a princesa Thereza Cristina, que pertencem ao Museu Imperial (Petrópolis, RJ). Outro fotógrafo muito importante no Brasil foi Marc Ferrez: ele documentou, com muita arte, as paisagens do Rio de Janeiro e de outras regiões brasileiras (São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul). A sua primeira coletânea publicada foi o Album de Vues du Brésil (Exécuté sous la direction de J. M. da Silva Paranhos, Baron de Rio Branco. Paris: A. Lahure, 1899). Seguiu-se o Avenida Central, 08 de março de 1903 – 15 de novembro de 1906 (Rio de Janeiro, 1907). Ferrez documentou muitos episódios históricos na vida brasileira, como a Revolta da Armada (Rio de Janeiro, 1893-1894), a construção de Belo Horizonte (Minas Gerais, 1894-); os festejos da Proclamação da República (1894-); a inauguração da estátua do Visconde do Rio Branco (Glória, Rio de Janeiro, 1902), e as inúmeras fotografias que compõem o álbum presenteado ao marechal Floriano Peixoto (1854-1895). Nossas gentes também foram retratadas por sua lente especial: os tipos populares dos ofícios de amolador de facas, cesteiro, garrafeiro, jornaleiro, vassoureiro, verdureiro, vendedores diversos, há muito desaparecidos de nossa cultura e que têm seu registro histórico nas fotografias de Ferrez, que publicou vários livros.
 
No final do século XIX foram os principais precursores do registro da locomoção humana e animal, o francês E-J. Marey, inventor da Cronofotografia; e o inglês que viveu prolongado período nos Estados Unidos, Edweard Muybridge, cujas pesquisas na fotografia deram origem à Arte Cinematográfica (v.). O desenvolvimento da Aviação deveu muito as pesquisas do cientista francês, Marey, através dos aparelhos inventados por ele que, durante algumas décadas, também influenciaram as Artes Plásticas.
 
No final do século XIX e início do XX, destacaram-se a na Arte Fotográfica a alemã Gertrude Kasebier, entre outros, vários fotógrafos norte-americanos. Nas primeiras décadas do século XX outros fotógrafos que desenvolveram técnicas simples na arte experimental da fotografia, como a dita, Solarização, foram o americano Man Ray (Rayografia) e o alemão Christian Schad (Schadografia). Outros fotógrafos que desenvolveram técnicas experimentais pertenceram ao movimento Futurista (v. abaixo: Futurismo na Fotografia: Fotodinamismo Futurista), como Umberto Boccioni, Anton Giulio Bragaglia e F. T. Marinetti, entre outros (1910-1920). No Vorticismo, o americano James Coburn fotografou o Vórtice, além de personalidades das artes e letras inglesas (Londres, c. 1914-1920); e, pouco tempo depois, os fotógrafos destacados no movimento da Nova Objetividade [Neue Sachlichkeit], como Carl Blossfeld e August Sander, entre outros (1925-1933; v., publicarei).
 


Na primeira metade do século XX na Alemanha, o movimento mais interessante associado à Fotografia artística foi o da Nova Objetividade (1925-1932; v.), que produziu alguns artistas importantes dedicados a esta técnica. Foi Karl Nierendorf, conhecido negociante de importante galeria de arte quem estabeleceu a ligação próxima com o fotógrafo da natureza, Karl Blossfeldt, que publicou vários livros de fotografia. Hans Finsler lecionou Fotografia de Objetos, na Escola de Arte e Arte Aplicada (Burg Giebichenstein, 1926-1932); ele fotografou com maestria objetos como Bulbos de Lâmpadas Elétricas (1928, B&P, na Galeria Staattliche Maritzburg, Halle). Albert Ranger-Patzsch fotografou vários materiais em instalações industriais, como o Depósito Krauss de Banheiras de Zinco (1926, P&B); Rodas Dentadas, Obras de Aço e Ferro Lindener (1928, P&B); e Gerador Kauper (1927, P&B), todas no Arquivo Albert Renger-Patzsch (Ann e Jürgen Zulpich), sendo as citadas reproduzidas (MICHALSKI, 2003).

No final da década de 1920 destacou-se o livro Foto-Auge [Foto - Olho], de autoria de Franz Roh, publicado com tipografia criativa de Hans Tschichold e lançado na mostra FIFO: Film & Foto, organizada por vanguardistas como Hans Richter (Stuttgart, 1928). No México, Paul Stranddestacou-se na fotografia para cinema; outros fotógrafos destacados na primeira metade do século XX foram Mário Giacomelli, François Kollar, Tina Modotti, e Jan Saudek, sem esquecermos do brasileiro Sebastião Salgado, destaque internacional na segunda metade do século XX (v.).

Nos Estados Unidos na década de 1960, destacaram-se as fotografias eróticas de flores e seres humanos de Robert Mapplethorpe; e, os retratos de personalidades do século XX, na Fotografia Performática Autoral de Andy Warhol (Pelé, Mohamed Ali, Auto-Retrato como Drag Queen, etc.). Foi Walter Benjamin quem colocou a Fotografia no centro da grande crise da arte, pivô do colapso da obra de arte como objeto único, devido à nova tecnologia, que passou a permitir a reprodução da obra (POPPER, 1993: 24).


REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


 
 



CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., p. 45.


BENTON, H. H. (Org.). Enciclopédia Barsa Rio de Janeiro - São Paulo: Encyclopaedia Britannica Ed., 1975, pp. 60, 308-313.


CATÁLOGO. FSA: Os Grandes Fotógrafos Americanos. Curadoria de João Kulcsár. Galeria D. Pedro II. São Paulo: CAIXA Cultural, 16 maio – 08 jul., 2007.


DICIONÁRIO.BREUILLE, J-P. Le dictionnaire mondial de la photographie, la photographie des origines a nos jours. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Larousse, 1994, p. 45.

FOLHETO. SIZA, T. Fotografia: Suporte da Memória, Instrumento da Fantasia. Rio de Janeiro: CCBB/ Centro Cultural Banco do Brasil, maio, 2005.

INTERNET. Art Knowledge News - Keeping You in Touch with the World of Art...
New York State Museum Exhibition Focuses on the Great Depression. Disponível: "Art News" <signups@artknowledgenews.com>.Acesso: 02 jan., 2011.

MICHALSKI, S. New Objectivity. Neue Schlichkeit: Painting in Germany in the 1920s.– Painting, Graphic Art and Photography in Weimar Germany 191-1933. Köln - London - Los Angeles - Madrid - Paris - Tokyo: Taschen, 2003, pp. 180-193.

O´'KEEFFE, G. One Hundred Flowers. New York: Nicolas Callaway, Barnes and Noble, 1987, p. 24.




POPPER, F. Art of the Eletronic Age. London: Thames and Hudson, 1993.






quarta-feira, 16 de abril de 2014

GRUPO (ITALIANO DA) PINTURA METAFÍSICA [PITTURA METAFISICA] (Ferrara, Roma, Turim, Roma - Paris: 1916-1922).


 
GRUPO (ITALIANO DA) PINTURA METAFÍSICA [PITTURA METAFISICA] (Ferrara, Roma, Turim, Roma - Paris: 1916-1922).


Destaques: CARRÀ, Carlo, Giorgio DE CHIRICO e Giorgio MORANDI.



O movimento da Pintura Metafísica nasceu quando Giorgio De Chirico(1888-1978) e Carlo Carrà (1881-1966) foram vizinhos de leito hospitalar no decorrer da I Guerra Mundial (Ferrara, 1916). Foi nesse período que os artistas estabeleceram as premissas que nortearam o movimento que ambos lideraram, lançado internacionalmente logo depois do término da guerra (Roma - Paris, 1918-1922). Participaram do grupo da Pintura Metafísica o filósofo Mássimo Bontempelli (1878-1960), os artistas Carlo Carrà, Corrado Cagli (1910-1976), Felice Casorati (1883-1963), Giorgio De Chirico e seu imão, Alberto Savínio (Alberto Andrea de Chirico, 1891-1952), Arturo Martini (1889-1947) e Giorgio Morandi (1890-1964), entre outros.


O Grupo (Italiano) da Pintura Metafísica formou-se em torno de Mário Brolio, que publicava a revista Valori Plastici [Valores Plásticos], (1918-1922; v.). A estética da dita, Metafísica foi promovida por G. De Chirico, que publicou seu artigo Sobre a Arte Metafísica [Sull'arte metafisica] na Valori Plastici (nos. 04/ 05, 1919). Outros artigos foram publicados na mesma revista, de autoria de Carlo Carrà, Alberto Savínio e Giorgio Morandi. A Pintura Metafísica se tornou influente internacionalmente, através da publicação dessa revista, Valori Plastici [Valores Plásticos], traduzida na Alemanha e distribuída através da Galeria Hans Goltz (Munique).


A estética italiana da Pintura Metafísica influenciou vários pintores que aderiram ao Grupo (Alemão da) Nova Objetividade: Berlim, Colônia, Dresden, Düsseldorf, Hanover, Karlsruhe, Munique e República de Weimar (1925-1933). A temática dos artistas radicados em Berlim, Munique e Karlsruhe, incluiu referências à arquitetura fantástica e inabitável, com a influência vinda diretamente da vanguarda italiana, principalmente nas obras de Carlo Carrà e de Giorgio de Chirico. Maior destaque foi para os artistas radicados em Munique, com a influencia italiana marcando especialmente o estilo e a luminosidade das pinturas de Alexander Kanoldt (1881-1939), Walter Shulz-Matan (1889-1965) e George Schrimpf (1889-1938), professores da Academia de Arte de Munique.

 
Posteriormente o ítalo-argentino Emilio Pettorutti (1892-1970), que passou temporada de estudos na Itália (Roma, 1932-), foi o artista que influenciou o dito, Novecento Sul-Americano (Buenos Aires, 1919-1939; v.), Foi Pettorutti quem carregou na obra a influência da Pintura Metafísica italiana para seu país natal, onde, durante décadas, divulgou a estética dessa vanguarda européia para várias gerações de artistas argentinos que foram seus alunos (1924-1954).O Grupo da Pintura Metafisica encerrou suas atividades quando seus artistas abandonaram essa estética. Muitos, inclusive G. de Chirico, adotaram novamente o modelo clássico, Figurativo, pregado pela ditadura fascista desde o começo da década de 1920 (v. Grupo do Novecento italiano).
 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

 

ENSAIO. CHIARELLI, T. O Tempo em Suspensão: Presença/ Ressonâncias da Pintura Metafísica e do Novecento Italiano na Arte de Argentina, Brasil e Uruguai. Apud CATÁLOGO. Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003, pp.07-12.
 
 

INTERNET. Adriana Bisi Fabbri. From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 2 April 2014 at 23:29. Retrieved in: <http://en.wikipedia.org/wiki/Adriana_Bisi_Fabbri>Acessed in April 12, 2014.



 

INTERNET. Arturo Martini. From Wikipedia, the free encyclopedia. This page was last modified on 28 July 2013 at 12:18.Retrieved in: <http://en.wikipedia.org/wiki/Arturo_Martini> Acessed in April 12, 2014.

domingo, 6 de abril de 2014

BIOGRAFIA: PALAZZESCHI, Aldo; Aldo Giurliani (1885-1974).



BIOGRAFIA: PALAZZESCHI, Aldo; Aldo Giurliani (1885-1974).

O escritor italiano nasceu em Florença e morreu em Roma. Palazzeschi iniciou sua carreira de autor escrevendo poesia e publicou seus três primeiros livros às suas próprias expensas: O Cavalo Branco [Il Cavalli Bianchi] (1905), Lanterna [Lampião] (1907) e Poemas [Poemi] (1909). Nestas obras, Palazzeschi invocou atmosfera irreal completamente imobilizada, mostrando um mundo de imagens arcaicas, estáticas, com castelos, jardins, ciprestes e fontes, com princesas, meninas e jovens mulheres, além de povo não especificado. No próximo livro Palazzeschi explorou o realismo cômico, bem diferente do explorado no livro anterior: como escritor de romances, o autor publicou Reflexo [Riflessi] (1908), que depois trocou de título para Alegoria de Novembro [Allegoria di Novembre], que ele indicou como sendo romance no estilo Arte Nova [Art Nouveau]. Palazzeschi publicou O Incendiário (1910, ed. revis., 1913) e seu autor aliou-se, por pouco tempo, ao grupo dos Futuristas italianos (1914-1918).
  

O livro O Código de Perella [Il Códice de Perella] (1911) de Palazzeschi, cuja história terminou com a falência da utopia, foi considerado obra-prima da literatura italiana. Este romance alegórico contou a história, permeada de melancolia e de humor negro, da busca impossível de Perella que desejava salvar o mundo através de suas ações. Algumas obras de Pallazzeschi, consideradas pela crítica literária italiana como excepcionais, expressaram com estilo a tendência pré-dadaísta analisada em artigos de Giovanni Papini (1881-1966), publicados na mais importante revista das vanguardas italianas, Lacerba, que ele editou (1913-1915).


REFERÊNCIA SELECIONADA:

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 532-533.

sábado, 5 de abril de 2014

BIOGRAFIA: PALADINI, Vinício (1902-1971).

 
BIOGRAFIA: PALADINI, Vinício (1902-1971).

 
O artista plástico multimídia, cineasta, jornalista e escritor, nasceu em Moscou (Rússia) e faleceu em Roma (Itália). Paladini estudou Arquitetura; foi como autodidata que ele trabalhou no jornalismo e nas Artes Plásticas. O artista, que foi viver na Itália de seus ancestrais, se associou ao arquiteto, artista plástico, cenógrafo e escritor Ivo Pannagi (v. biografia abaixo). 

A dupla assinou em conjunto textos do Futurismo italiano, como o Manifesto da Arte Futurista Mecânica, publicado na revista Lacerba (Florença, 20 jan., 1922). A revista Lacerba foi a mais destacada das publicações das vanguardas italianas. O texto do documento serviu de base para outro manifesto homônimo, assinado em conjunto com Enrico Prampolini (out., 1922).

          
Vinício Paladini trabalhou para o Teatro dos Independentes Experimentais [Teatro degli Independenti Sperimentali], criado por Anton Giulio Bragaglia (1890-1960), que reuniu os Futuristas em torno do espaço cultural aberto na cave do Palazzo Tittoni (Roma, 1918). Paladini participou de vários eventos teatrais Futuristas, além das mostras de artes plásticas; ele escreveu artigos que foram publicados nas revistas Vanguard [A Vanguarda] (1922) e Pagine Rosse [PáginaVermelha] (1923). A dupla, formada por Ivo Pannagi e Vinício Paladini, idealizou a peça teatral Dança Mecânica Futurista [Ballo meccanico Futurista] (1922), encenada no Círculo delle Cronache d'Atualittá (Roma, 02 jun., 1923), pertencente à revista Cronache d'Atualittá [Crônica da Atualidade], de A. G. Bragaglia. Paladini desenvolveu o cenário e parte dos figurinos para personagem humano, vestido com costumes Futuristas; e Pannagi criou parte do cenário e o figurino do personagem mecânico, com influência do movimento Cubista e Construtivista, inspirado nos figurinos de P. Picasso para Parade (Paris, 1917). A ação teatral apresentou como fundo sonoro o ruído produzido pelo ronco de duas motocicletas; os desenhos dos costumes dos personagens citados se encontram publicados (HULTEN, 1986).
 
 
Paladini desenvolveu nas suas obras pictóricas estilo pessoal, no qual combinou a influência das formas Cubistas com a dinâmica das cores Futuristas, nas obras que apresentaram técnicas de vanguarda como a Colagem [Collage]. Paladini estreou com a produção do filme experimental Luna-Park Traumático (1927): ele foi um dos primeiros jornalistas na Europa e o primeiro na Itália a divulgar o movimento do Construtivismo russo, quando publicou o livro Arte na Rússia dos Soviéticos [Arte nella Russia dei Soviets] (Roma, 1925). Paladini também organizou o Grupo Imaginista Romano [Immaginista Romano] (1929).
           
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:



DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il, p. 115.

 
 
 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., p. 532.


 



sábado, 29 de março de 2014

BIOGRAFIA: PANNAGGI, Ivo (1901-1981).



 
BIOGRAFIA: PANNAGGI, Ivo (1901-1981).
 
 
O arquiteto, pintor e escritor nasceu e morreu em Macerata (Itália). Pannagi estudou Arquitetura (Roma e Florença): ele começou a pintar depois da I Guerra Mundial (1914-1918). Pannagi se associou ao grupo Futurista italiano junto com o também Arquiteto e Artista Plástico Vinicio Paladini (1902-1971); ambos participaram das mostras coletivas do grupo até o final da década de 1920.



Nas obras Futuristas de Pannaggi destacaram-se três períodos distintos: (1919-1922; 1922-1925; 1925-1926). No primeiro, suas obras estiveram mais associadas à estética do dito, Dinamismo Plástico Futurista; no segundo, foram associadas ao Construtivismo russo com influência das obras de El Lissitsky (v. biografia no meu Blog:<http://arterussaesovietica.blogspot.com>), como da fórmula Futurista da dita, Abstração Mecânica; e, no terceiro período, foram dedicadas completamente às máquinas, quando Pannaggi se associou ao grupo romano mais ativo dos Futuristas, que se reunia na cave do Palazzo Tittoni, onde os artistas fundaram o Teatro dos Independentes Experimentais [Teatro degli Independenti Sperimentali]. No mesmo ano Pannaggi e Paladini criaram sua obra teatral Dança Mecânica Futurista [Ballo meccanico Futurista], que estreou no teatro da revista Cronache d'Atualittá [Crônica da Atualidade], pertencente a A.G. Bragaglia (02 jun., 1922). A obra apresentou a oposição entre as figuras do boneco mecânico, criado por Pannaggi, com figurino de influência Construtivista e Cubista, lembrando os figurinos de P. Picasso para Parade (1917); e o personagem humano, vestido com costumes Futuristas, criado por Paladini. Essa peça teatral apresentou como fundo sonoro o ruído produzido pelo ronco de duas motocicletas. Os desenhos dos costumes dos personagens citados, se encontram publicados (HULTEN, 1986).




Pannaggi trabalhou como arquiteto de interiores e projetou a decoração bem como o mobiliário Futurista da Casa Zampini (Esanotoglia, Matelica). Pannagi criou quatro ambientes diversos, com a finalidade de refletir uma psicologia diferente, destinada a cada função (1925-1926). Pannagi idealizou, desenhou e realizou a cenografia e figurinos para a pantomima A Torre Vermelha [La Torre Rossa] (1923-1924), de Guido S. Picenardi; ele foi o cenógrafo para Pierrot Fumiste (1925), peça de Jules Laforge, encenada com o cenário aproveitado do primeiro ato da peça O Prisioneiro da Baia [I prigioneri di Baia], de F. T. Marinetti (1925). Pannaggi desenvolveu costumes de inspiração mecânica para Raun (1926-1927) e para A Angústia da Máquina [L'Angoscia delle macchine], ambas peças de autoria de Ruggero Vasari (1927). Inspirado nas sombras projetadas pela Lanterna Mágica, Pannaggi aproveitou a idéia e criou cenografia original com outra lanterna similar, que adaptou, e projetou sombras gigantescas no interior do teatro.

 
Durante curto período o arquiteto foi viver na Alemanha, onde escreveu artigos sobre Arte e Arquitetura para inúmeras publicações italianas, como La Casa Bella, Domus, Quadrante, L'Architettura Italiana, Ottobre, L'Impero, L'Ambrosiano, entre vários outros jornais e revistas. Na década de 1930 Pannaggi se associou a Sociedade Anônima de Katherine Dreier, Marcel Duchamp e Man Ray (Nova York;v. no meu Blog:
<http://arteamericanandevanguarda.blogspot.com>).
Pannaggi criou obras nas Artes Gráficas usando técnicas de Fotomontagem, Colagem e Arte Postal (1920-1926), quando empregou princípios Construtivistas. HULTEN (1986) publicou a foto de Pannaggi, tendo ao fundo elementos de estudo para a realização do filme Arquitetura Mecânica, que Pannaggi não conseguiu realizar.



REFERÊNCIAS SELECIONADAS:





CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 533-534.
 

DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il, p. 115.
 

sexta-feira, 21 de março de 2014

BIOGRAFIA: PIATTI, Ugo (1880-1953).

 
 
BIOGRAFIA: PIATTI, Ugo (1880-1953).

Piatti nasceu e morreu em Milão: ele foi restaurador, pintor e inventor. Piatti estudou na famosa Academia de Brera: ele frequentou o grupo dos Futuristas, em Milão. Piatti participou da primeira mostra Futurista, organizada por F. T. Marinetti (1876-1944), no Salão Ricordi, a dita, Exposição de Arte Livre (Milão, 1911). Na ocasião, Piatti encontrou Luigi Russolo (1885-1947), outro Futurista que recebeu formação musical. Piatti passou a colaborador da pesquisa de Russolo, na invenção e construção do instrumento musical denominado Entoarumor [Intonarumori]. No entanto, quando o invento foi patenteado (Milão,11 de janeiro, 1914), o foi únicamente em nome de Russolo.

Na programação do primeiro concerto com o novo intrumento, no Teatro dal Verme (Milão, 1914), o nome de Piatti foi publicado no programa. Piatti participou da tournê de Russolo e seu instrumento musical por várias cidades européias. Russolo apresentou-se no Théâtre des Champs Elysées (Paris, 1921), em Londres, em Turim e em muitas outras cidades. No concerto londrino encontrava-se na platéia o compositor das vanguardas russas, Igor Stravinsky (1882-1971).

Quando a peça O Tambor de Fogo [Il Tamburo di Fuoco], de autoria de Marinetti foi apresentada em Praga (1923), no intervalo ocorreu o dito, intermezzo musical de Francesco Balilla Pratella, com ruídos do Entoarumor ao fundo. Piatti e Russolo desenvolveram vários tipos de instrumentos e chegaram a ter 27 variedades do Entoarumor (c. 1921): eles construíram vários instrumentos sob encomenda, inclusive para o Teatro Scala de Milão, a fim de permitir a execução de músicas de Pratella. Algumas fotografias do Entoarumor com seus inventores, inclusive do concerto no qual o instrumento participou, encontram-se publicadas (HULTEN, 1986). Após a II Guerra Mundial, obras de Piatti foram incluídas em mostras dedicadas a arte vanguardista italiana no século XX.
 
REFERÊNCIA SELECIONADA:
 
 
 
 
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L; CAUMONT, J; CELANT, G; COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE MARIA, L.; DI MILLIA, G.; FABRIS, A.; FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.; GREGOTTI, V.; LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.; MENNA, F.; ÁCINI, P.; RONDOLINO, G; RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.; SILK, G.; SMEJKAI, F.; STRADA, V.; VERDONE, M.; ZADORA, S. Futurism and Futurisms. New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 492, 493, 539, 559, 560.