quinta-feira, 28 de agosto de 2014
BIOGRAFIA: ADAMI, Hugo; Pilade Francisco Hugo Adami (1899-1999).
BIOGRAFIA: ADAMI, Hugo; Pilade Francisco Hugo Adami (1899-1999).
O pintor, ator, cenógrafo e cantor lírico conhecido como Hugo Adami, nasceu em São Paulo e estudou com Giuseppe Barchitta, na Escola Profissional Masculina do Brás; e, depois, com Georg Elpons (1865-1939), Enrico Vio (1874-1960), William Zadig (1884-1952) e Alfredo Norfini (1867-1944) no Liceu de Artes e Ofícios (São Paulo, 1915). Adami estudou música e tornou-se cantor de ópera, trabalhando durante dois anos na Companhia Leopoldo Fróes, no Rio de Janeiro.
Adami participou pela primeira vez do SNBA - Salão Nacional de Belas Artes (1921) e do Salão da Primavera (1923), ambos no Rio de Janeiro; ele viajou para Florença, onde estudou arte durante o período de cinco anos (1923-1927). Adami participou da mostra do Novecento (Florença, 1926), na companhia dos pintores Achille Virgille Funi (1890-1982), Mario Sironi (1885-1961), Pietro Marrusig (1879-1930) e Mário Tosi (1895-1979). O artista visitou Paris e participou do Salão das Tulherias (1927). Adami conheceu e estabeleceu amizade com Giorgio De Chirico (1888-1878); ele voltou ao Brasil e expôs na sua primeira mostra individual, na Casa das Arcadas (São Paulo, 1928). A mostra foi comentada por Mário de Andrade (1888-1945), no ensaio publicado no Diário de Notícias. No mesmo ano Adami voltou à Itália, quando expôs na Bienal de Veneza (1929-1931).
Adami regressou ao Brasil (1931), para radicar-se em São Paulo, onde foi um dos fundadores da SPAM/ Sociedade Pró Arte Moderna (1932-1935). O artista participou, com Flávio de Carvalho (1899-1973) do CAM/ Clube dos Artistas Modernos, fundado (24 nov., 1932-), por Antonio Gomide (1895-1967), Carlos Prado, Vittorio Gobbis (1894-1968) e Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976).
Adami expôs em outra mostra individual, em São Paulo (1933); o artista expôs no SPBA - Salão Paulista de Belas Artes (1934; 1935; 1936); no penúltimo salão (1935) Adami recebeu a Grande Medalha de Prata e, no último a Medalha de Ouro (1936). Adami participou da mostra da Família Artística Paulista (1937), juntamente com obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Aldo Bonadei (1906-1964), Paulo Rossi Osir (1890-1959) e Clóvis Graciano (1907-1988). Obras de Adami participaram do 2º Salão de Maio (São Paulo, 1938), organizado por Flávio de Carvalho e de outra mostra do SPBA (1940).
O artista voltou a viver na Europa (1937-1949) e afastou-se das atividades artísticas (1945-1970). O artista somente voltou a pintar anos depois (1975) e reapareceu no cenário brasileiro a partir da década de 1980, quando participou da mostra Do Modernismo à Bienal, no MAM (São Paulo, 1982); da Mostra Retrospectiva, no MAM (São Paulo, 1986); da Artistas Contemporâneos da Sociarte (São Paulo, 1992; 1993; 1995); da mostra Unidade e Confronto, na Escola Pan Americana de Arte (São Paulo, 1994); da Hugo Adami, 35 Pinturas, no Escritório de Arte Renato Magalhães Gouveia (São Paulo, 1996); e de mostra individual, com apresentação do crítico de arte Mário Barata, no MAM (São Paulo, 1996). A obra de Adami, Sem Título (desenho, nanquim e grafite/ papel, 20,2 cm x 40,5 cm), pertence ao acervo do MAC – USP.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
CATÁLOGO. BARBOSA, A. M. Catálogo Geral de Obras 1963-1993. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Fundação Bienal, 1993, p. 03.
DICIONÁRIO. AYALA, W.: SEFFRIN, A. Dicionário de pintores brasileiros. Curitiba: UFFR - Universidade Federal do Paraná, 1997. 2ª ed., ver., ampl.< 428p. : il., color., p. 19.
DICIONÁRIO. PONTUAL, R. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Introdução histórica e crítica de Mário Barata (et al.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559p.: il, retrs.
DICIONÁRIO. TEIXEIRA LEITE, J. R. T. Dicionário Crítico de Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Paulo Mendes da Silva - Art Livre, 1988, p. 13.
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
GRUPO (INTERNACIONAL) NOVECENTO ITALIANO (Milão, 1923-; internacionalmente, 1925-1933).
GRUPO (INTERNACIONAL) NOVECENTO ITALIANO (Milão, 1923-; internacionalmente, 1925-1933).
Destaques: Leonardo DUDREVILLE, Achille FUNI, Marino MARINI e Mario SIRONI.
O período do entre guerras (1919-1939) ficou marcado pelo movimento apoiado pelo estado italiano, que, liderado pela jornalista e crítica de arte Marguerita Sarfatti (1883-1961), representou a única arte apoiada pelo ditador Benito Mussolini (1883-1944). Essa historiadora e crítica de arte foi curadora de todas as mostras do grupo durante 10 anos: Sarfatti decretou o retorno da arte à ordem, e, com este, a valorização da pintura Figurativa. Sarfatti organizou as mostras dos Sete Pintores do Novecento [Sette Pittore dei´900´] (Milão, março, 1923), dos Seis Pintores do Novecento [Sei Pittore dei´900´] (Milão, 1925), da Primeira Mostra do Novecento Italiano [Prima Mostra del Novecento Italiano] (Milão, 1926), e duas das Bienais de Veneza (1924; 1926), além de ser a curadora dos artistas da representação italiana
escolhidos para participarem da Exposição Universal (Paris, 1925).
Foi Sarfatti quem organizou o grupo do Novecento italiano, com mais de 100 artistas, cujas obras viajaram com ela, que apresentou palestras nas diversos exposições inauguradas em vários países (1926-1933). Participaram desse grupo muitos egressos do Futurismo italiano (v.); entre os principais associados o brasileiro Hugo Adami (Pilade Francisco Hugo Adami, 1899-1999), Anselmo Bucci ( !887-1933), Baccio Maria Bacci (1888-1974), Massimo Campigli (1895-1971), Carlo Carrà (1881-1966), Giorgio de Chirico (1888-1978), Filippo de Pisis (1896-1956), Francesco Cangiullo (1884-1977), Ricioto Canudo (1877-1923), Felice Casorati (1883-1963), Emilio Centurion (ítalo-argentino, 1894-1970), Remo Chitti (1891-1971), Primo Conti (pintor, escritor e editor da revista Il Centone, 1900-1988), Bruno Corrà (Conde Bruno Ginanni Corradini, 1892-1976), Giorgio de Chirico (1888-1978), Leonardo Dudreville (1885-1975), Achille Virgille Funi (1890-1972), Arnaldo Ginna (Conde Arnaldo Ginanni Corradini, 1890-1982; v. Futurismo no Cinema), Tullio Garbari (pintor e crítico arte, 1901-1931), Arturo Martini (pintor e gravador, 1889-1947), Pietro Marussig (pintor de Trieste, 1879-1931), Giorgio Morandi (pintor e gravador, 1890-1964), Bruno Munari (11907-1998), Enrico Prampolini (artistas multimídia, e cineasta, 1894-1956); Alberto Salietti (pintor de Ravenna, 1892-), Ottone Rosai (pintor de Florença, 1895-1957), Medardo Rosso (escultor e crítico arte, 1858-1928), Luigi Russolo (músico, pintor, inventor de instrumentos musicais, 1885-1947), Gino Severini (pintor e cenógrafo que vivia em Paris, 1883-1966), Mário Sironi (pintor de Sassari, 1885-1961), Ardengo Soffici (pintor e editor de revistas, 1879-1964) e Mário Tozzi (1895-12979), entre inúmeros outros.
Os artistas Gian Emilio Malerba (1880-1926), Ubaldo Oppi (1889-1942) e Aligi Sassú (1912-2000) se associaram, mas logo depois deixaram o grupo, surgindo posteriormente nos grupos anti-fascistas italianos como o Grupo Vermelho [Grupo Rosso] (1934-1935) e o Grupo Corrente (1938-1940).
Na Itália o Grupo do Novecento organizou várias mostras, em Milão, Roma, Veneza, Turim, entre outras cidades (1923-1933). O grupo se separou, mas reagrupou-se em seguida, nomeado de Comitê Diretor do Novecento italiano, sendo oficial a Primeira Mostra do Novecento Italiano [Prima Mostra del Novecento Italiano], realizada com 30 artistas no Palazzo da Permanente (Milão, fev. – mar., 1926). Foi organizada por M. Sarfatti a representação italiana na Bienal de Veneza (XIV-XV/ 1924; 1926; 1931) e a Quadrienal de Roma (1933). Outras mostras associadas foram Seis Pintores do Novecento (Milão, 1925); a Exposição Universal (Turim, 1925); a Arte Moderna (Milão, 1926); a exposição dos Sete Pintores do Novecento, inaugurada com discurso do ditador italiano na Galeria C’A Pesaro (Milão, mar., 1923); da 1ª Mostra do Novecento, na Galeria Gian Ferrari (Milão, 1926); da mostra, Novecento (Florença, 1926).
Obras de c. de 100 artistas participaram das várias outras mostras internacionais, todas com curadoria de Sarfatti, itinerantes a Helsinki (1931) e Pittsburg (Estados Unidos, 1932), entre outras cidades como Amsterdã, Basiléia, Berlim, Berna, Bruxelas, Budapeste, Estocolmo, Genebra, Lausanne, Paris, Viena e Zurique, além da participação destacada nas mostras italianas mais importantes do período.
Na América do Sul a influência recebida do Grupo do Novecento italiano se deve as mostras itinerantes, realizadas com curadoria da protegida do ditador italiano B. Mussolini, Marguerita Sarfatti, como a exposição inaugurada com palestra de Sarfatti na sede da Associação Amigos da Arte [AAA] (Buenos Aires - Montevidéu, 13 set. – out., 1930). Receberam essa influência artistas sul-americanos de origem italiana, como os argentinos Antonio Berni, Emilio Centurión, Victor Cúnsolo, Raquel Forner, Lorenzo Gigli, Fortunato Lacámera, Horácio March, Onofrio Pacenza, Emilio Pettoruti e Lino Enea Spilinbergo; os uruguaios Gilberto Bellini, Elsa Andrada de Torres, Carlos Prevosti e Joaquín Torres-Garcia. A influência da arte italiana deste período alcançou a obra dos brasileiros Hugo Adami, Tarsila do Amaral, Emiliano Di Cavalcanti, Vittorio Gobbis, Fúlvio Pennacchi, Cândido Portinari, Carlos Prado, Francisco Rebolo, Paulo Rossi Osir e Alfredo Volpi, destacados por Tadeu Chiarelli, curador da mostra Novecento Sudamericano, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2003).
Os integrantes do Grupo do Novecento italiano se apresentaram em mostras posteriores, como na Sala Especial do Futurismo, na II Bienal do Museu de Arte Moderna (São Paulo, 1953), com curadoria de Giulio Carlo Argan, Giuseppe Fiocco, Luciano Minguzzi, Rodolfo Pallucchini, Carlo Alberto Petrucci e Gino Severini. Na mostra, Aspectos do Segundo Futurismo, realizada na GCAM/ Galeria Cívica de Arte Moderna (Turim, 1962); na A Experiência Aero-Espacial na Pintura Contemporânea [L' Experienza dell'aero-spazio nell pittura contemporanea], na GCAM (Segnana, 1972); na mostra Turim: entre duas guerras, na GCAM (Turim, 1978); e na exposição paulista Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Argentina, Brasil, Itália e Uruguai, realizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo (2003).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ARCHER, M. Art since 1960. New Ed. London: Thames and Hudson, 1997. 2002. 256p. 221 il., 92 color., pp. 49-50.(world of art).21 x 15 cm.
CATÁLOGO GERAL. II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: EDIAM, 1ª ed., dez., 1953, p. 172.
ENSAIO. CHIARELLI, T. O Tempo em Suspensão: Presença/ Ressonâncias da Pintura Metafísica e do Novecento Italiano na Arte de Argentina, Brasil e Uruguai. Apud CATÁLOGO. Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003, pp.07-12.
ENSAIO. GINANNESCHI, E. O enigma de uma viagem na arte do século XX. Apud CATÁLOGO. Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003, pp. 18-20.
ENSAIO. ORGAMBIDE, P. Tiempo de Pettoruti. Apud CATÁLOGO. Emilio Pettoruti. Un pintor ante el espejo. Málaga (Espanha): Museu Municipal de Málaga. Buenos Aires (Argentina): Fundación Pettoruti.
ENSAIO. WECHSLER, D. De uma Estática do Silêncio a uma Silenciosa Declamação: Encontros e apropriações de uma Tradição nas Metrópolis do Rio da Prata. Apud CATÁLOGO. Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003, pp. 13-16.
GRUPO (ITALIANO DOS) SEIS PINTORES DO NOVECENTO (Milão, 1925).
GRUPO (ITALIANO DOS) SEIS PINTORES DO NOVECENTO (Milão, 1925).
Carlo Carrà foi um dos artistas que aderiu ao controvertido grupo do Novecento italiano, promovido pelo estado fascista (1923-1933). Formou-se o Grupo dos Seis Pintores do Novecento Italiano (1923), liderados por Fillia (Luigi Colombo), com a adesão de Nikolay Diulgheroff (1901-1982) e de Medardo Rosso (1858-1928). O grupo publicou o único número da revista Futurismo (Milão, 1924) e expôs na mostra organizada pela amante de Benito Mussolini, Margherita Sarfatti, dos Seis Pintores do Novecento [Sei Pittori dell' 900´] (v. o Grupo dos Sete Pintores do Novecento Italiano).
REFERÊNCIA SELECIONADA:
ARCHER, M. Art since 1960. New Ed. London: Thames and Hudson, 1997. 2002. 256p. 221 il., 92 color., pp. 49-50.(world of art).21 x 15 cm.
GRUPO (ITALIANO DOS) SETE PINTORES DO NOVECENTO [PITTORI DEL '900] (Milão, 1922).
GRUPO (ITALIANO DOS) SETE PINTORES DO NOVECENTO [PITTORI DEL '900] (Milão, 1922).
Destaques: FUNI, Achille e Leonardo DUDREVILLE.
A historiadora de arte italiana Marguerita Sarfatti (1883-1961), que trabalhava como como jornalista e crítica de arte no jornal do ditador italiano O Povo da Itália [Il Popolo d’Itália], tornou-se curadora da Mostra dos Sete Pintores do ´900 [Dei sette Pittori del '900], inaugurada com a presença do ditador italiano, seu amante, na Galeria C’A Pesaro (Milão, mar., 1923). Desta mostra organizada por Lino Pesaro participaram obras de Baccio Maria Bacci (1888-1974), Anselmo Bucci (1887-1955), Leonardo Dudreville (1887-1976), Achille Virgile Funi (1890-1982), Gian Emilio Malerba (1880-1926), Pietro Marrusig (1879-1937), Ubaldo Oppi (1889-1942), Gino Severini (1883-1966) e Mário Sironi (1885-1961). O mesmo grupo de pintores, entre muitos outros, participou depois da Primeira Mostra do Novecento Italiano [Prima Mostra del Novecento Italiano] (Milão, 1926), e se tornou conhecido por sua participação neste grupo apoiado pela ditadura fascista, o do Novecento Italiano (1922-1933; v.).
REFERÊNCIA SELECIONADA:
ARCHER, M. Art since 1960. New Ed. London: Thames and Hudson, 1997. 2002. 256p. 221 il., 92 color., pp. 40-50.(world of art).21 x 15 cm.
sexta-feira, 6 de junho de 2014
BIOGRAFIA: STIEGLITZ, Alfred (1864-1946).
BIOGRAFIA: STIEGLITZ, Alfred (1864-1946).
O fotógrafo norte-americano nasceu em Hoboken (Nova York); ele estudou as técnicas fotográficas com Hermann Wilhelm Vogel, na Technische Hochshule (Berlim, 1882-1890). Esta fase da fotografia européia e norte-americana foi marcada pelo, dito, Pictorialismo Fotográfico, marcante na obra de Peter H. Emerson. Stieglitz recebeu o 1o Prêmio em um concurso para fotógrafos amadores, promovido pela Heliochrome Co. - Photochrome Engraving Co. (1887), e, em consequência da premiação, ele publicou seu primeiro álbum de fotogravuras com reproduções fotográficas de paisagens das cidades de Viena, Paris e Londres (1890). No ano seguinte as obras fotográficas de Stieglitz participaram da mostra da associação de artistas conhecida como a Secessão Vienense (Wiener Sezession, Viena, Àustria, 1891, v. grupos da Secessão, abaixo).
De volta a Nova York, o jovem fotógrafo Stieglitz, se tornou editor da revista do Camera Club, e depois, ele lançou a publicação Camera Work (1903-1919). Stieglitz organizou com um grupo de fotógrafos a dita, Photo Secession e lançou as The Little Galleries of The Photo Scession, que ficou conhecida como a 291 Art Gallery (Nova York, 1905-1917), por estar situada neste número na 5th Avenue; anos mais tarde ele lançou a revista 291 (1915-1916), expressão das vanguardas artísticas norte-americanas, especialmente as fotográficas.
Quando Marcel Duchamp e Francis Picabia passaram prolongada temporada em Nova York (1915-1918), a revista 291 apoiou os artistas das vanguardas européias, nesta fase que marcou o lançamento do Dadaísmo na cidade de Nova York. Duchamp formou um grupo que incluiu Francis Picabia e Man Ray e publicou, com o auxílio de Stieglitz, várias revistas vanguardistas, como New York Dada (abr., 1915); The Ridgefield Gazook (1915), The Blind Man (abr., 1917), RongWrong (mar., 1919) e TNT (maio, 1919) Picabia já publicava algumas revistas como a 391 e lançou um número nova-iorquino.
Stieglitz publicou a revista 291, por doze números consecutivos (mar., 1915 - fev., 1916). No ano seguinte o fotógrafo conheceu a artista plástica norte-americana Georgia O'Keeffe, cuja obra o impressionou, quando ela participou da que foi a última mostra promovida na 291 Art Gallery (1917); apaixonados, casaram-se poucos anos depois (1924). Quando Stieglitz aposentou sua câmera (1937), ele havia produzido mais de trezentas fotografias de sua amada O'Keeffe, que muito contribuiram para a formação da lenda sobre a vida desta artista, que se tornou um ícone das artes plásticas norte-americanas.
Depois que a galeria de arte encerrou suas atividades, o fotógrafo organizou mostras de arte para a o grupo que publicou a revista Forum: foi de Stieglitz a organização da primeira e única mostra Forum Exibition of Modern American Painters [Mostra Forum de Pintores Americanos Modernos] (1917), que recebeu o suporte do crítico de arte Willard Huntinghton. Stieglitz e o professor das vanguardas americanas Robert Henri, participaram do comitê de seleção das c. de 200 obras que participaram desta mostra nacional, entre estas as Abstrações Líricas, ditas, Sincromistas, de Morgan Russell e de Stanton MacDonald-Wright.
Além de excelente fotógrafo Stieglitz foi figura fundamental no papel de ponte de ligação da arte das vanguardas artísticas européias e norte-americanas; o fotógrafo desempenhou igualmente o papel de formador de opinião, através das inúmeras mostras vanguardistas patrocinadas por sua galeria de arte, bem como pela divulgação da arte das vanguardas internacionais por meio da publicação de reproduções de obras de artistas plásticos nas várias revistas que editou, que divulgaram o que de mais importante as vanguardas internacionais produziram em sua época. A fotogravura de A. Stieglitz The Asphalt Paver [O pavimentador de Asfalto] (1892, CNF 1083 CPF/ MC), que pertence ao acervo da CNF/ Coleção Nacional de Fotografia do CPF/ Centro Português de Fotografia, participou da mostra Do Olhar Inquieto, apresentada entre outras na exposição Fotografia: suporte da Memória, Instrumento da Fantasia, realizada no CCBB - Rio de Janeiro (maio, 2005).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
DICIONÁRIO.
BREUILLE, J-P. Le dictionnaire mondial de la photographie : la photographie des origines a nos jours. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Larousse, 1994. 735p.: il., retrs, p. 595. (Dictionnaires specialisés).
DICIONÁRIO.
DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: il., p. 100.
PIERRE, J. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968, p. 99.
ROBERTS, P. Alfred Stieglitz, 291 Gallery and Camera Work. In STIEGLITZ, Alfred. Camera Work. The Complete Illustrations, 1903-1917. Köln – Lisbon - London – New York – Paris – Tokyo: Tashen, 1997, pp. 07-31, 643, 660-661, 726-733, 752-753.
domingo, 11 de maio de 2014
GRUPO (BRITÂNICO DA) IRMANDADE CÍRCULO DO ANEL [BROTHERWOOD OF THE LINKED RING] (Londres, c. 1892-1908).
GRUPO (BRITÂNICO DA) IRMANDADE CÍRCULO DO ANEL [BROTHERWOOD OF THE LINKED RING] (Londres, c. 1892-1908).
A Irmandade do Círculo do Anel surgiu em oposição à Sociedade Real Fotográfica [Royal Photographic Society]. A nova associação de fotógrafos vanguardistas se dedicou a fotografia vista como forma de expressão artística: ela foi precursora de várias sociedades de Fotografia Pictorialista, como do Clube de Câmera de Viena [Wiener Camera Club] (1892-) e do Foto Clube de Paris [Photoclub de Paris] (1894-), e do Grupo (Americano) da Secessão Fotográfica [Photo-Secession] (Nova York, 1902-).
A Irmandade do Círculo do Anel cooptou associados do Grupo do Novo Clube da Arte Inglesa [New English Art Club] (v.), como George Davidson, A. H. Hinton, Maskell, Lydell Sawyer e H. P. Robinson, aos quais se associaram, notadamente, F. H. Evans e F. M. Sutcliffe. O clube organizou o Salão Anual de Fotografia Pictorialista de seus associados, chamado de Salão de Londres, para o qual foram convidados fotógrafos como Alfred Stieglitz, F. H. Day, Edward Steichen e A. L. Coburn, entre outros.
REFERÊNCIA SELECIONADA:
DICIONÁRIO. BREUILLE, J-P. Le dictionnaire mondial de la photographie : la photographie des origines a nos jours. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Larousse, 1994. 735p.: il., retrs., p. 370. (Dictionnaires specialisés).
FOTOGRAFIA NA FOTOGRAVURA OU GRAVURA HELIOGRÁFICA.
FOTOGRAFIA NA FOTOGRAVURA OU GRAVURA HELIOGRÁFICA.
O processo de reprodução de imagens gráficas chamado de Gravura Heliográfica foi desenvolvido por J. N. Niépce com o pintor, pesquisador e químico francês Louis Jacques Mandé Daguerre (1780-1851). Foi esse especialista na câmera escura que pesquisou, e levou ao desenvolvimento da dita, Fotogravura, que, no século XIX, representou o estágio fotomecânico das Artes Gráficas. O processo da Fotogravura, associado à Impressão Tipográfica, se baseia no princípio geral da utilização de substâncias químicas que endurecem com a luz, e resistem à ação dos ácidos utilizados também em várias outras técnicas de impressão, através das quais foram confeccionados clichês sobre placas metálicas a fim de reproduzirem através da impressão gráfica, imagens de desenhos e fotografias.
A Fotogravura permitiu, pela primeira vez, a impressão de imagens com contrastes nítidos: esse processo somente se tornou disponível para aplicação industrializada em meados do século XIX, devido às pesquisas de Paul Prestsch (Londres), James (Southampton, UK), Angerer (Viena, Áustria), Husnik (Praga, Tchecoslováquia) e Gillot, cuja técnica foi denominada de Gillotipia (Paris, 1859-1862). A industrialização do processo de acréscimo das sombras na Fotogravura, se originou da pesquisa de Benjamim Day, quando a maquinária dispensou o trabalho que anteriormente era executado manualmente (1879).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
BENTON, H. H. (Org..) Enciclopédia Barsa Rio de Janeiro - São Paulo: Encyclopaedia Britannica Ed., 1975, pp. 60, 308-313.
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