sábado, 17 de outubro de 2015
CESCHIATTI, Alfredo (1918-1989).
CESCHIATTI, Alfredo (1918-1989).
O escultor brasileiro de origem italiana nasceu em Belo Horizonte (MG) e faleceu no Rio de Janeiro (RJ). Ceschiatti viajou para a Europa e, na volta, tornou-se aluno de Correia Lima na Escola Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro, 1938). O artista foi convidado pelo arquiteto Oscar Niemeyer para esculpir o baixo-relevo da Igreja da Pampulha (Belo Horizonte), com o qual Ceschiatti conquistou o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro (1945). O artista realizou cursos na Europa e, na volta, exposição individual no Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB, 1948).
Ceschiatti ficou conhecido pelas grandes esculturas que ele realizou para os projetos de Oscar Niemeyer (1907-2012) como As Banhistas, instalada no lago em frente ao Palácio da Alvorada; e A Justiça, obra na frente do Palácio da Justiça na Praça dos Três Poderes (Brasília). Outra obra conhecida muito visível em São Paulo é sua grande escultura na Estação Sé do metrô paulista. As esculturas Eva (1965, bronze, 147 cm x 47 cm x 34 cm) e Duas Amigas (1967, bronze, 255 cm x 127 cm x 58 cm), pertencem ao acervo do Palácio Itamaraty (Brasília - Rio de Janeiro).
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
PALÁCIO ITAMARATY BRASÍLIA: Brasília. Rio de Janeiro. São Paulo: Banco Safra, 2002, pp. 148-151.
CARNICELLI, Mick; Miguel Carnicelli Sobrinho (1893-1967).
CARNICELLI, Mick; Miguel Carnicelli Sobrinho (1893-1967).
O artista italiano nasceu em Agrópoli e morreu em São Paulo; sua família emigrou para o Brasil (1898-). Mick Carnicelli e seu irmão mais velho Gaetano, foram mandados à Itália para estudar (1918). O artista precisou prestar o serviço militar no país, mas como mostrou-se rebelde à disciplina no exército italiano foi enviado para lutar na Eritréia (África). O artista e seu irmão Gaetano regressaram a São Paulo sem completarem seus estudos e duvida-se mesmo que Mick Carnicelli tenha frequentado as aulas da Academia de Arte (Veneza). O futuro artista aproveitou a vida como um dândi, frequentando os melhores lugares de Turim, Milão e Veneza.
Carnicelli trabalhou no comércio paulista como vendedor da Casa Falchi.
mais tarde, Na época em que Mick Carnicelli trabalhava na Alfaiataria Carnicelli o pintor Vittorio Gobbis levou Quirino da Silva para conhece-lo (São Paulo, 1926). Quando Carnicelli visitou a Exposição Francesa, despertou para sua vocação adormecida de pintor. O jovem voltou a pintar e a participar de mostras coletivas paulistas como a de Pintura Moderna Brasileira-Norte Americana (1944); o artista participou do VIII e X Salão do Sindicato dos Artistas Plásticos (1944; 1946); suas obras participaram da Exposição de Pintura Moderna, realizada na Galeria Itá, em homenagem a Mário de Andrade falecido no ano anterior (São Paulo, 1946). Carnicelli expôs em mostra conjunta com Bruno Giorgi, Ernesto de Fiori e Alfredo Volpi na Galeria Domus (São Paulo, 1947). Carnicelli realizou sua primeira mostra individual na Galeria Itá, na rua Barão de Itapetininga, centro de São Paulo (1945); a apresentação no catálogo foi de Menotti del Picchia, para quem Carnicelli tinha desenhado anteriormente a capa, as ilustrações e os contornos dos verbetes para o poema Angústia de São João, (São Paulo, 1922).
Na época em que Carnicelli viveu com a francesa Jeanne Pauline Dollé, ele retratou-a. O artista trabalhou no seu estúdio, na sua casa no bairro de Santana; ele manteve outro estúdio no porão da casa de seu pai, na Av. Brigadeiro Luís Antônio, tema de algumas de suas obras. O artista publicou desenhos na revista Investigações (1949-1952); algumas de suas ilustrações foram publicadas em livros (1950-1956). As obras Figurativas de Mick Carnicelli como O Homem que Lê, Pátio de Manobras da Sorocabana e Subúrbio, estiveram em exposição na I Bienal do Museu de Arte Moderna (São Paulo, 1951).
Obras de Mick Carnicelli participaram da mostra Pintores Paulistas (São José dos Campos, SP, 1958); e da mostra Pintura Paulista Contemporânea, no MAM (São Paulo, 1958). No final da década de 1950 Carnicelli adoeceu (1959): ele foi viver com suas irmãs na Cidade Vargas (SP), onde faleceu alguns anos depois (maio, 1967). Obras do artista participaram de várias mostras póstumas como Os Grupos: a Década de Quarenta, no Museu Lasar Segall (1977); e de outra mostra no mesmo museu paulista, com curadoria de Helio Cabral, São Paulo, Periferia e Centro nos anos Quarenta: Joaquim Figueira e Mick Carnicelli (1980). Outra mostra importante, da qual obras de Carnicelli participaram, foi Pintores Italianos no Brasil (1982), organizada na Pinacoteca do Estado de São Paulo, coletiva com obras dele e de Ernesto de Fiori. Pinturas de Carnicelli participaram da mostra O Olhar Italiano sobre São Paulo (1993), na Pinacoteca do Estado de São Paulo, que destacou as paisagens dele, de Alfredo Volpi e de Ernesto de Fiori.
A obra de Carnicelli tem em comum traços de influência do Expressionismo alemão, marcante no melhor da obra de Anita Malfatti; os retratos de Carnicelli são ousados na cor e na luminosidade, acentuada por generosas doses de branco nos locais banhados pela luz, como nos retratos Décio (1949, óleo/ tela, 58 cm x 48 cm) e José (1947, aquarela/ papel, 77 cm x 56 cm), ambas na coleção Orandi Momesso. Os interiores intimistas do artista se destacaram nas obras Porão com Cavalete (1945, óleo/ tela) e Porão (1947, aquarela/ papel), que refletem a influência das vanguardas francesas sobre a obra de Mick Carnicelli.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ARTIGO. LAUDANNA, M. Os ítalos e os brasileiros na arte do entre guerras: Mick Carnicelli. São Paulo: Jornal das Exposições Paralelas, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 1999, pp. 05-07.
CATÁLOGO GERAL. II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: EDIAM, 1ª ed., dez., 1953, p. 100.
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
BIOGRAFIA: PANCETTI, Giuseppe Giannini (1904-1958).
BIOGRAFIA: PANCETTI, Giuseppe Giannini (1904-1958).
O artista foi filho de um imigrante italiano que veio morar no Brasil; seu pai foi mestre de obras da construção do Theatro Municipal (São Paulo, 1911-). Aos dez anos de idade o artista foi enviado para estudar na Itália; Pancetti foi viver na casa de seus tios, em Massa Carrara, onde estudou no Colégio dos Salesianos.
O artista exerceu diversas profissões depois que abandonou os estudos, mais simples como carpinteiro e operário, até que conseguiu ingressar na marinha mercante italiana. Pancetti voltou ao Brasil e engajou-se na marinha de guerra brasileira (1922): como marinheiro participou das forças legais no combate à revolta do Forte de Copacabana e das várias revoluções brasileiras (1924; 1930; 1932).
Pancetti começou a pintar marinhas (1925-), ele evoluiu como artista somente depois que passou a frequentar o dito Núcleo Bernardelli, criado à partir da ENBA (Rio de Janeiro, 1931-1941). Pancetti pintou na companhia de artistas como Edson Motta, Milton Dacosta e Bruno Lechowsky (1887-1941), que o ajudaram a desenvolver-se na composição. O artista pintou a melhor fase de sua obra na década de 1940; na de 1950, ele pintou marinhas no litoral baiano. Nos vinte anos finais de sua vida, Pancetti pintou de forma obsessiva o próprio retrato: mais de 40 obras do tema são conhecidas, e sobressai o fato de Pancetti mostrar-se em trajes de trabalhador rural ou de operário, nunca negando suas origens proletárias. O Catalogue Raisonné do artista brasileiro foi compilado e publicado (Teixeira Leite, 1988); destacamos na obra do artista as influências de Paul Gauguin, e mesmo do Expressionismo de Vincent van Gogh. Pancetti utilizou paleta com cores diferentes e luz característica nas suas obras, destacadas especialmente nas suas hoje celebradas marinhas. Na obra de Pancetti destacamos seu Auto-Retrato (1952-1955, óleo/ tela, 45,7 x 33,2 cm), em exposição na Coleção Fadel, mostra realizada no CCBB (Rio de Janeiro, março – abril, 2002). A obra encontra-se reproduzida no catálogo da mostra.
REFERÊNCIA SELECIONADA:
Teixeira Leite, J. R. T. (1988). Dicionário Crítico de Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Paulo Mendes da Silva - Art Livre, p. 207.
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
1938-1940-GRUPO (ITALIANO) CORRENTE [CORRENTE] OU BOTTEGA DE CORRENTE (Milão).
GRUPO (ITALIANO) CORRENTE [CORRENTE] OU BOTTEGA DE CORRENTE (Milão, 1938-1940).
Destaques BIROLLI, Renato e Emilio VEDOVA, Giuseppe SANTOMASO e Alígi SASSU.
O Grupo Corrente surgiu do Grupo (Italiano) dos Seis de Turim [Sei di Torino] (v.) e da revitalização das artes italianas, por este outro grupo que também adotou a posição Anti-Fascista. O movimento constituiu a verdadeira frente da arte das vanguardas italianas, que lutou com engajamento ideológico contra a arte oficial do regime ditatorial fascista. Os artistas do Corrente buscavam a abstração de alcance internacional e foram reunidos em torno do crítico de arte Giulio Carlo Argan. Desse grupo participou um grande contingente de artistas vindos de várias regiões da Itália, como Afro (Udine – Zurique, 1912-1976), Arnaldo Badodi (Milão, 1913-1942), Renato Birolli (Verona-Milão, 1906-1959), Corrado Cagli (Ancona-Roma, 1910-1976), Bruno Casinari (Piacenza-Milão, 1912-1992), Felice Casorati (Turim-Milão, 1883-1963), Michelangelo Conte (1913-1987), Antonio Corpora (Turim-Roma, 1909-2004), Nino Franchina (1912-1987), Renato Guttuso (Bagheria-Roma, 1912-1987), Mario Mafai (Roma-Milão, 1902-1965), Giacomo Manzú (Turim-Milão, 1908-1991), Giovanni Menzio, Giuseppe Migneco (Messina-Milão, 1908-1997), Mattia Moreni (Pavia-Turim-Milão, 1920-1999), Ennio Morlotti (Lecca-Milão, 1910-1992), Gabriele Mucchi (1899-2002), Enrico Paolucci (Turim-Milão, 1901-1999; v. Grupo (Italiano) dos Seis de Turim), Cesare Peverelli (1922-2000), Giuseppe Santomaso (Veneza-Milão, 1907-1980), Aligi Sassu (Milão, 1912-), Fiorenzo Tomea (Roma, 1910-1960), Giulio Turcato (Mântua-Milão, 1912-1995), Ítalo Valenti (Milão, 1912-1995) e Alberto Viani (1906-1989), entre outros.
Os vanguardistas publicaram a revista Corrente (março – dezembro, 1939), depois que fundaram a Editora Corrente (1938 – junho, 1940), que publicou vários livros dos artistas, que fundaram a Galeria de Arte Bottega de Corrente. O grupo organizou duas mostras coletivas (Milão, março – dezembro, 1939). Todos os empreendimentos do grupo foram fechados pela ditadura fascista, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial.
Participaram do grupo Corrente os filósofos Anceschi, De Grada, Gantonio, Fromaggio, Pacci, Preti, todos discípulos de Antonio Bafi. Participaram também do grupo Emilio Vedova (Veneza-Milão, 1919-1995), professor do artista italiano que emigrou para o Brasil e se tornou professor das vanguardas brasileiras em São Paulo, Domenico Lazzarini (1920-1987). Esse grupo. que lutou contra a corrente fascista que dominava a arte italiana do período entre guerras mundiais (1919-1939), expôs suas obras nas mostras das quais participaram Bruno Casinari, Arnaldo Badadi, Renato Birolli, Ennio Morlotti, Fiorenzo Tomea, Domenico Cantatore, Mário Maffai, Gabrielle Mucchi, Giuseppe Santomaso e Emilio Vedova (v. revistas Corrente e Corrente di Vita).
A arte de grande parte dos artistas do Grupo Corrente foi apresentada no Brasil, com texto no catálogo de Giovanni Ponti, na época presidente da Bienal de Veneza, na Sala Geral Italiana da II Bienal Internacional, realizada no MAM (São Paulo, 1953). Foram expostas pinturas de Afro (Basaldella), Renato Birolli, Felice Casorati, Bruno Cassinari, Mino Maccari (1898-), Mário Mafai, Mattia Moreni, Ennio Morlotti, Enrico Paulucci, Ottone Rosai (1895-), Bruno Saetti (1902-), Giuseppe Santomaso, Mário Sironi (1885-1961), Attanasio Soldatti (1887-1953) e Emilio Vedova (1919-1995). Na mesma sala apresentaram esculturas Agenori Fabbri (1911-2000), Pericle Fazzini (1913-1987), Marino Marini (1901-1980), Marcello Mascherini (1906-1983) e Alberto Viani (1906-1989), além dos desenhos de Francesco Carnevali (1892-), Fabrizio Clerici (1913-1993), Alberto Gerardi (1889-1965), Marino Marini (1901-1980), Luigi Spazzapan (1890-1958), Ernesto Treccani (1920-2009) e Leonor Fini (1908-1996). E, enviaram obras nas técnicas de Gravura Nunzio Gulino (1920-), Paolo Manaresi (1908-), Giorgio Morandi (1890-1964), Nunzio Schiavarello (1918-), Luigi Spacal (1907-2000) e Pompeo Vecchiati (1911-).
REFERÊNCIA SELECIONADA:
CATÁLOGO GERAL. II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: EDIAM, 1ª ed., dezembro 1953, p. 172.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
BIOGRAFIA: ADAMI, Hugo; Pilade Francisco Hugo Adami (1899-1999).
BIOGRAFIA: ADAMI, Hugo; Pilade Francisco Hugo Adami (1899-1999).
O pintor, ator, cenógrafo e cantor lírico conhecido como Hugo Adami, nasceu em São Paulo e estudou com Giuseppe Barchitta, na Escola Profissional Masculina do Brás; e, depois, com Georg Elpons (1865-1939), Enrico Vio (1874-1960), William Zadig (1884-1952) e Alfredo Norfini (1867-1944), no Liceu de Artes e Ofícios (São Paulo, 1915). Adami estudou música e tornou-se cantor de ópera, trabalhando durante dois anos na Companhia Leopoldo Fróes, no Rio de Janeiro.
Adami participou pela primeira vez do SNBA - Salão Nacional de Belas Artes (1921) e do Salão da Primavera (1923), ambos no Rio de Janeiro; ele viajou para Florença onde estudou arte durante o período de cinco anos (1923-1927). Adami participou da mostra do Novecento (Florença, 1926), na companhia dos pintores Achille Virgille Funi (1890-1982), Mario Sironi (1885-1961), Pietro Marrusig (1879-1930) e Mário Tosi (1895-1979). O artista visitou Paris e participou do Salão das Tulherias (1927). Adami conheceu e estabeleceu amizade com Giorgio De Chirico (1888-1878); ele voltou ao Brasil e expôs na sua primeira mostra individual, na Casa das Arcadas (São Paulo, 1928). A mostra foi comentada por Mário de Andrade (1888-1945), no ensaio publicado no Diário de Notícias. No mesmo ano Adami voltou à Itália, quando expôs na Bienal de Veneza (1929-1931).
Adami regressou ao Brasil (1931), para radicar-se em São Paulo, onde foi um dos fundadores da SPAM/ Sociedade Pró Arte Moderna (1932-1935). O artista participou com Flávio de Carvalho (1899-1973) do CAM/ Clube dos Artistas Modernos, fundado (24 novembro, 1932-) por Antonio Gomide (1895-1967), Carlos Prado, Vittorio Gobbis (1894-1968) e Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976).
Adami expôs em outra mostra individual, em São Paulo (1933); o artista expôs no SPBA - Salão Paulista de Belas Artes (1934; 1935; 1936); no penúltimo salão (1935) Adami recebeu a Grande Medalha de Prata e, no último, a Medalha de Ouro (1936). Adami participou da mostra da Família Artística Paulista (1937), juntamente com obras de Alfredo Volpi (1896-1988), Aldo Bonadei (1906-1964), Paulo Rossi Osir (1890-1959) e Clóvis Graciano (1907-1988). Obras de Adami participaram do 2º Salão de Maio (São Paulo, 1938), organizado por Flávio de Carvalho e de outra mostra do SPBA (1940).
O artista voltou a viver na Europa (1937-1949) e afastou-se das atividades artísticas (1945-1970). O artista somente voltou a pintar anos depois (1975) e reapareceu no cenário brasileiro a partir da década de 1980 quando participou da mostra Do Modernismo à Bienal, no MAM (São Paulo, 1982); da Mostra Retrospectiva, no MAM (São Paulo, 1986); da Artistas Contemporâneos da Sociarte (São Paulo, 1992; 1993; 1995); da mostra Unidade e Confronto, na Escola Pan Americana de Arte (São Paulo, 1994); da Hugo Adami, 35 Pinturas, no Escritório de Arte Renato Magalhães Gouveia (São Paulo, 1996); e de mostra individual, com apresentação do crítico de arte Mário Barata, no MAM (São Paulo, 1996). A obra de Adami, Sem Título (desenho, nanquim e grafite/ papel, 20,2 cm x 40,5 cm), pertence ao acervo do MAC – USP.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
AYALA, W.: SEFFRIN, A. Dicionário de pintores brasileiros. Curitiba: UFFR - Universidade Federal do Paraná, 1997. 2ª ed., ver., ampl.< 428p. : il., color., p. 19.
BARBOSA, A. M. Catálogo Geral de Obras 1963-1993. São Paulo: Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Fundação Bienal, 1993, p. 03.
PONTUAL, R. Dicionário das Artes Plásticas no Brasil. Introdução histórica e crítica de Mário Barata (et al.). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1969. 559p.: il, retrs.
TEIXEIRA LEITE, J. R. T. Dicionário Crítico de Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Paulo Mendes da Silva - Art Livre, 1988, p. 13.
sábado, 11 de julho de 2015
BIOGRAFIA: AITA, Zina (1900-1967).
BIOGRAFIA: AITA, Zina (1900-1967).
A artista brasileira de origem italiana nasceu em Belo Horizonte e morreu em Nápoles. Aita foi artista plástica modernista, participante da dita, Semana de 22 (São Paulo, 1922). Aita viveu quase sempre na Itália, para onde sua família viajou no período da Primeira Guerra Mundial: a artista estudou com o renomado ceramista Galileo Chini (1873-1956), com ênfase nas técnicas das artes decorativas em cerâmica (Florença). Aita voltou ao Brasil, ocasião em que conheceu Ronald de Carvalho (1893-1935), Manuel Bandeira (Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, 1886-1968), Oswald de Andrade (1890-1954), Tarsila do Amaral (1886-1973), o poeta e futuro diplomata Vinícius de Moraes (1913-1980), participantes do grupo de intelectuais cariocas e paulistas, alguns como Ronald de Carvalho e Oswald de Andrade organizadores da Semana de Arte Moderna.
Aita associou-se por grande amizade a Anita Malfatti (1896-1964); logo após a famosa Semana de 1922, a artista apresentou 46 obras, na mostra individual realizada na galeria O Livro, pertencente à Jacinto Silva (São Paulo). A mostra foi sucesso de crítica e levou várias das obras da artista a serem adquiridas por participantes e organizadores da semana como Paulo Prado (1869-1943), Graça Aranha(1868-1931), Nestor Rangel Pestana
(18xx-1933), Yan de Almeida Prado (Joâo Fernandes de Almeida Prado, 1898-1989), e o escultor alemão Wilhelm Haarberg (1891-1956). A fotograafia de Zina Aitacom Mário de Andrade, Anita Malfatti e amigos, na inauguração de sua mostra em São Paulo, encontra-se publicada na revista Época (n. 194, especial), mostrando a artista aos 22 anos de idade, jovem e bonita.
Aita voltou contra sua vontade para Nápoles, viajando com sua família, radicou-se nesta cidade italiana e dedicou-se a pintura, aquarela (1924-). Aita tornou-se conhecida no país, pois adquiriu e dirigiu manufatura de cerâmica decorativa, na técnica de faiança. A artista expôs suas cerâmicas em Monza e Faenza, onde recebeu o prêmio Assunto Sacro (1930). O Museu Internacional da Cerâmica adquiriu duas obras de Aita para seu acervo (Faenza, 1949). Aita participou de várias mostras coletivas, como a organizada na Câmara de Comércio de Nápoles (1950); da Mostra do Ultramar (1951) e da Exposição de Cerâmica (Pompéia, Itália). A artista participou de mostras religiosas como a do Angelicum, em Milão, que adquiriu a Madonna dela para seu acervo: esta mostra foi itinerante a São Paulo (1952). Aita expôs na Mostra do Meio-Dia (Roma, 1955); na Exposição de Arte Sacra, no Palazzo Real (Nápoles, 1956); na Mostra do Presépio, no Palazzo Baschi (Roma); na Manifestação de Arte Nacional, no Palazzo Real (Nápoles); na individual Cerâmica de Zina Aita, realizada na Galeria de Arte Vanvitelli (Nápoles, 1957), e participou da IV Exposição Nacional de Arte (Roma, 1967).
Aita voltou ao Brasil para passar temporada, quando produziu inúmeros desenhos e aquarelas com motivos da flora e fauna tropicais, principalmente pintando figuras de pássaros brasileiros (1953). No entanto, a fase que despertou maior interesse em sua obra foi a pintura que a artista produziu na década de 1920: alguns exemplares de obras desta fase encontram-se nos acervos brasileiros, como o do MAC (USP) e na Coleção Mário de Andrade (IEB - USP), bem como em várias coleções particulares brasileiras.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS;
AMARAL, A. Artes Plásticas na Semana de 22. São Paulo: Perspectiva, 1970, p. 230.
ALTMAN, F.; GRANATO, F.; MENGOZZI, F.; GIRON, L. A.; GONÇALVES FILHO, A. 80 anos de Revolução: Semana de Arte Moderna de 1922. Rio de Janeiro: Época, n.194, Editora Globo, 2002, p. 07.
AYALA, W.: SEFFRIN, A. Dicionário de pintores brasileiros. Curitiba: UFFR - Universidade Federal do Paraná, 1997. 2ª ed., ver., ampl., 428p. : il., color., p. 16.
Graça Aranha. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi modificada pela última vez à(s) 19h10min de 7 de junho de 2015. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Gra%C3%A7a_Aranha Acesso em: 14 junho, 2015.
Manuel Bandeira. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Esta página foi modificada pela última vez à(s) 19h45min de 31 de maio de 2015. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_Bandeira Acesso em: 14 junho, 2015.
Ukrainian Futurism, 1914-1930: A Historical and Critical Study (review). Malynne Sternstein. Modernism/modernity. Volume 6, Number 3, September 1999, pp. 157-159 | 10.1353/mod.1999.0036 Retrieved from:
https://www.google.com.br/search?hl=pt&source=hp&q=Ukrainian+Futurism%2C+1914-1930%3A+A+Historical+and+Critical+Study+%28review%29.&gbv=2&oq=Ukrainian+Futurism%2C+1914-1930%3A+A+Historical+and+Critical+Study+%28review%29.&gs_l=heirloom-hp.12...1594.1594.0.5344.1.1.0.0.0.0.266.266.2-1.1.0....0...1ac.1.34.heirloom-hp..1.0.0.Vhtq0HLyFiQ
Acessed in: June 06, 2015.
quarta-feira, 8 de julho de 2015
BIOGRAFIA: GOBBIS, Vittorio (1894-1968).
BIOGRAFIA: GOBBIS, Vittorio (1894-1968).
Nasceu em Motta di Livenza, na Itália; foi morar em São Paulo (c. 1924), depois de ter feito cursos de pintura e restauração em Veneza, conhecendo a fundo as técnicas dos velhos mestres. O pintor foi um dos fundadores do CAM [Clube dos Artistas Modernos] e da SPAM [Sociedade Pró - Arte Moderna], juntamente com Flávio de Carvalho (1899-1973), Carlos Prado (1908-1992), Antonio Gomide (1895-1967) e Emiliano Di Cavalcanti (1897-1976). Foi Gobbis quem trouxe a cultura européia para as discussões no eclético ambiente cultural paulista, fato que revestiu-se de grande importância para a dinâmica do desenvolvimento da cultura pictórica em uma cidade ainda provinciana. Gobbis dedicou-se ainda à compra, venda, restauração e conservação da pintura de quadros.
Gobbis produziu, de acordo com TEIXEIRA LEITE (1988):
[...] obra não muito extensa e desigual [...].
No entanto o artista conseguiu esplêndidos momentos: suas obras participaram do Salão Paulista de Belas Artes, onde foi agraciado com Medalha de Prata (1933), Medalha de Ouro (1936) e Prêmio de Aquisição (1956). Gobbis participou do Salão Nacional de Belas Artes (1935), onde recebeu Medalha de Ouro e participou da I e II Bienal de São Paulo (1951; 1953). Na II Bienal Gobbis apresentou as obras Cajus (c. 1953, óloe/ tela, 92 cm x 73 cm), e Caminho da Penha, Vitória, Espírito Santo (c. 1953). O artista produziu obras nas técnicas de aquarela, desenho e óleo; mas seu mérito maior foi citado por Mário de Andrade no seu célebre artigo Esta Família Paulista (1939), no qual o autor enfatizou a importância da presença de Vittorio Gobbis na vida cultural da cidade. Mesmo com todas as medalhas Gobbis não conseguiu livrar-se da pobreza material, que seu espírito e vida boêmia contribuíram para acentuar; o artista morreu esquecido, aos 74 anos de idade,
[...] morando por favor num fundo de quintal, num mísero aposento feito de tábuas de caixotes, tão exíguo que mal dava para lhe abrigar o corpanzil [...] TEIXEIRA LEITE, 1988).
Duas obras de V. Gobbis, Nu Recostado (1931, óleo/ tela, no MASP) e Negra (1931, óleo/ tela, no acervo da Escola Paulista de Medicina), participaram da importante mostra do Novecento Sudamericano. Relações artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai, com o patrocínio do Instituto Italiano de Cultura, na Pinacoteca do Estado de São Paulo (31 de agosto - 05 de outubro, 2003). A mostra, que não seguiu critério geopolítico nem cronológico, buscou integrar visualmente as obras produzidas no mesmo período no Brasil, Uruguai e Argentina, comparando-as com obras de artistas influentes do Novecento italiano (v.).
Outras duas obras de Gobbis integram o acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo: a instituição cultural com magníficas instalações abriga em seu segundo piso obras de sua coleção permanente. Na última sala encontram-se dois quadros de Gobbis, doações de Emmanuel Araújo: a obra Sem título, dita Lagosta (sd, e a citada Cajus com a qual Gobbis participou da II Bienal de São Paulo), a segunda pintura bem mais solta e moderna do que a primeira. Vale a visita para a apreciação dos quadros de um dos primeiros artistas italianos no Brasil, que pertenceu às primeiras vanguardas das terras paulistanas e que deve ser relembrado, Vittorio Gobbis.
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
ENSAIO. CHIARELLI, Tadeu. Novecento Sudamericano. Relações artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Instituto Italiano de Cultura - Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003.
TEIXEIRA LEITE, J. R. T. Dicionário Crítico de Pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Paulo Mendes da Silva - Art Livre, 1988, p. 220.
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