terça-feira, 4 de junho de 2013

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.1918-1923-GRUPOS DO DADAÍSMO EUROPEU E AMERICANO (1918-1923)

 

DADAÍSMO EUROPEU: BERLINENSE (1918-1920).



O artista John Heartfield (Helmut Franz Joseph Herzfeld, 1891-1968), tornou-se amigo próximo de George Grosz (1893-1959), que também mudou o nome (anteriormente, Georg Gross); eles formaram o cerne do movimento Dadaísta berlinense. Os artistas associados ao Dadaísmo Berlinense, como grande parte dos intelectuais alemães da época, filiaram-se ao recém-fundado PC/ Partido Comunista (1918-). Dez anos depois filiaram-se ao Grupo da Associação Alemã dos Artistas Proletários e Revolucionários [ASSO] (v.), ramificação da frente cultural do PC (Dresden,1928-1933). Nessa cidade, Rudolf Schliter, fundador Grupo Alemão RIH, conheceu George Grosz e se associou ao Dadaísmo Berlinense, do qual participou Raoul Haussmann (1886-1971), Hannah Höch (1889-1978), Johannes Baader (1875-1956), Johannes Theodor Baargeld (1895-1927), Erwin Blumenfeld (18xx-19xx), Richard Huselsenbeck (1892-1974), Rudolf Schliter (1890-1955), Otto Schmalhauser (Dadá Diplomático), Paul Citröen, Viking Eggeling, Wieland Herzfeld (1896-1988), e Tom Herzfeld, irmãos de John Heartfield (1891-1968), proprietários da Editôra Malik [Malik-Verlag] (v.), bem como os escritores e editores Walter Mehring (1896-), Walter Serner (1889-1943), Franz Jung (1888-1963); e Artur Segal, entre outros. Todos se associaram informalmente.

Desde o lançamento do primeiro Manifesto Dadaísta, de autoria de Richard Huelsenbeck (jan., 1918), que veio diretamente do movimento do Cabaré Voltaire (Zurique, 1916-), esse grupo encontrava-se em formação c. de dois anos antes da eclosão do Dadaísmo berlinense. Os artistas citados, que voltaram-se para a publicação de revistas panfletárias, tornaram-se ativos participantes do Dadaísmo alemão (1918-1920).
 
Logo após a deposição dos Hohenzolern e a ascensão do Partido Social Democrata ao poder, Heartfield, bem como outros artistas do grupo, aderiram ao recém-fundado PC/ Partido Comunista (1918). Nesses tempos conturbados, a fase da política alemã ficou marcada pela derrota do país na I Guerra Mundial. Foram lançados inúmeros Manifestos Dadaístas, em Berlim.

Obras do grupo participaram da 1a Feira Internacional DADÁ [I Internationale DADA Messe], organizada por Raoul Hausmann com G. Grosz e J. Heartfield, realizada na Galeria Otto Burchard, mais conhecida como a Galeria Dadá (Berlim, 1920). Schliter, juntamente com Heartfield, foram autores da obra O Arcanjo Prussiano: os artistas vestiram manequim inflável com o uniforme das forças especiais alemãs (SS) e colocaram no mesmo máscara de cabeça de porco. A escultura inflada pairava no teto da galeria, conforme mostra a fotografia da inauguração da exposição, que se encontra reproduzida (GIBSON, 1991). O evento gerou processo judicial para os artistas, condenados a pagar multa (maio, 1921); mas o dono da galeria ficou alguns meses preso. O incidente encerrou o Dadaísmo berlinense, mas não representou o final das inúmeras publicações, na maioria associadas ao movimento.

Sergey Eisenstein, que lançou seu manifesto A Montagem das Atrações (Moscou, 1918), voltado para o teatro, ficou com suas montagens cinematográficas associadas ao Dadaísmo de George Grosz, que ele citou nominalmente (1923) e às Fotomontagens de Heartfield. Desde que realizou-se a Exposição Internacional de Arte Russa, na Galeria Van Diemenn (Berlim, 1922), a cultura das vanguardas soviéticas tornou-se intrínsecamente associada ao movimento cultural Dadaísta berlinense.

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:
 
 
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 79-86, 88, 103.

BIRO, A.; PASSERON, R.Dictionaire Général du Surréalisme et ses environs. Fribourg: Office du livre - Presses Universitaires de France, 1982, p. 16.
 
 

BREUILLE, J-P. Dictionnaire de la peinture et de sculpture : l'art du XXe siècle. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Lib, Larousse, 1991. 777p.: il., retrs.,, pp. 290-291.      (Dictionnaires specialisés).

 
BRITT, D.; MACKINTOSH, A.; NASH, J. M.; ADES, D.; EVERITT, A; WILSON, S.; LIVINSGSTONE, M. Modern Art: from Impressionism to Post-Modernism. London: Thames and Hudson, 1989, 416p.: il., p. 222.

FABRIS, A. Photomontage as political function. São Paulo: 2003, pp. 11-57.

 
GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., pp. 84-93, 111.

 
PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968,pp. 172-173.

 
TESCH, J.; HOLLMANN, J. Icons of Art: the 20th Century. New York: Ekhardt Hollman, Prestel, 1997. 216p.: il., pp. 87, 88.
 
  

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.

DADAÍSMO EUROPEU: BASILÉIA (Suíça, 1919-1921).

Destaques: ERNST, Max, Viking EGGELING, Hans RICHTER, Hans ARP, Sophie ARP, Marcel JANCO, Augusto GIACOMETTI, Otto FREUNDLICHT, Johannes Theodor BAARGELD; v. a Associação dos Artistas Radicais da Basileía (Basiléia, Suíça, 1919-1921).
 
 

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.

DADAÍSMO EUROPEU: COLÔNIA (Alemanha, 1918-1919).

 
O Dadaìsmo em Colônia foi de curta duração, mas apresentou execelentes atuações, pois nele atuaram em conjunto duas das maiores e mais originais presenças no movimento: a do suiço, posteriormente naturalizado francês, Hans Arp e a do alemão, posteriormente naturalizado americano, Max Ernst. Colaborou o filho de banqueiro Johannes Baargeld (Alfred Gruenwald), ativista político e único membro fundador do Partido Livre Germânico, que patrocinou a primeira revista publicada em Colônia, Der Ventilator [O Ventilador], de pronunciada orientação marxista (ADES, et. al., 1987: 103). V. o Grupo da Associação dos Artistas Revolucionários de Colônia (Alemanha, 1918-1919).
 


REFERÊNCIA SELECIONADA:


CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978,475p.: il., pp. 103-110.

 

 

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
GRUPO PERFORMÁTICO (ARMÊNIO) QUARENTA E UM [41] (Tiflis, atual Tibilisi, capital da Geórgia russa, c. 1918-1920).


Durante a I Guerra Mundial, vários artistas das vanguardas russas resolveram colocar-se à salvo do conflito e passaram prolongada temporada em Tiflis. Nessa época, a região não pertencia ao território russo, ficando à salvo do conflito mundial. Na cidade os artistas russos encontraram no cosmopolitismo armênio o destaque na vanguarda literária, cultuada na literatura francesa. Anteriormente, o escritor Hrand Nazarian publicou em armênio livro sobre o Futurismo italiano: Marinetti e Futurismo (1910); e, na época os poetas mais importantes, Tizian Tabidze e Paolo Jashvili, editavam a revista Os Chifres Azuis (Tiflis, c. 1917).

Os escritores das vanguardas de São Petersburgo, Vasily Kamensky (1884-1961), e Alexey Kruchenykh (1886-1968), passaram temporada em Tiflis. O grupo organizou leituras de poesias em vários idiomas no palco do Cabaré Fantástico (c. 1917-1919), da artista Elena Konstantinovna Malenkov, mais conhecida como Elena Melnikova (1902-1980). O grupo de artistas russos se associou ao Grupo 41, reunido em volta dos poetas armênios, contando com a adesão dos irmãos Ilya Zdanevich (Iliazde, 1894-1975) e Kyril Zdanevich (1892-1969), que, desde a fase anterior, estavam completamente integrados às vanguardas moscovitas (v. biografia de Mikhail Larionov, c. 1912). O grupo publicou a revista Diário 41.

 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS;

KOVTUN, Y Mikhail Larionov 1881–1963. Cronicle of the artist's life and work. Translated by Paul Williams. Bournemouth: Parkstone Press, 1998. 175p.: il., retrs. (Great Painters).

KOVTUN, Y. (Introd., documentary material and annotation); BOWLT, J. (Foreword.). The Russian Avant-Garde in the 1920-1930s: Painting. Graphics, Sculpture, Decorative arts from the Russian Museum in St. Petersburg. Bournemouth: Parkstone Publishers. St. Petersburg: Aurora Art Publishers, 1996, 175p.: il., algumas color.
 

sábado, 25 de maio de 2013





 

 

 

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
PERFORMANCES: PERFORMÁTICO E MÚSICO FUTURISTA. RUSSOLO, Luigi (1885-1947).


 
O músico e artista plástico da vanguarda italiana, nasceu em Portogruaro e faleceu em Cerro di Laveno (Itália). Sua família foi dedicada à música; seu pai foi organista da catedral de Portogruaro e diretor da Scuola Cantorum (Latisana); seus irmãos mais velhos foram instrumentistas e todos diplomados pelo Conservatório Giuseppe Verdi (Milão).

Russolo inicialmente se interessou em aprender as técnicas de Gravura e Pintura; ele participou com uma série de gravuras de influência Simbolista, na dita, Exposição Branco e Preto, organizada pela Família Artística Milanesa (1909). Logo Russolo se associou ao grupo dos Futuristas, organizado por F. T. Marinetti; na época ele conheceu Umberto Boccioni, de quem sua obra pictórica recebeu marcante influência, embora preservasse a sua forte personalidade. O artista participou, junto com U. Boccioni, Carlo Carrà, Giacomo Balla e Gino Severini entre outros, da mostra inaugural do Futurismo italiano, organizada por Marinetti; o artista assinou, com o grupo dos pintores citados, o Manifesto dos Pintores Futuristas (Milão, 1910).
       
 
Russolo redigiu seu próprio manifesto, A Arte do Ruído, dito Ruidista, que ele lançou (Milão, 11 mar., 1913), que dedicou ao músico Futurista Francesco Balilla Pratella (1881-1955), apresentando nele a teoria da utilização do ruído inserido no contexto musical, que antecipou de muito as teorias do músico das vanguardas norte-americanas John Cage, na segunda metade do século XX. Russolo passou a se apresentar nas Performances, com o instrumento Entonarumor [Intonarummori], que ele inventou e construiu, em conjunto com o nunca citado Ugo Piatti (1880-1953). Este invento destinou-se à produção de sons ou ruidos modificados através da emissão de sua entonação dinâmica, como o da Música Concreta e Eletrônica, da qual Russolo foi um dos principais precurssores.

         
O artista somente então abandonou a pintura, não sem ter antes produzido algumas obras notáveis nas Artes Plásticas das vanguardas artísticas italianas como Revolta (1911, óleo/ tela, 150 cm x 230 cm, no Haags Gemeentemuseum, Haia), que participou da mostra coletiva Futurista, dita, Arte Livre (Arte Libera, Milão, abr., 1911); e a pintura Música (1911, óleo/ tela, 225 cm x 140 cm, na coleção Salomé e Eric Stowick). Russolo dedicou-se depois somente às suas pesquisas musicais: o artista publicou artigo importante sobre a nova grafia das composições modernas (1914), a qual foi adotada e tornou-se a notação utilizada por compositores de música de vanguarda. Na década de 1950 John Cage publicou novas notações para a moderna música eletrônica.
 
Russolo participou com seu novo instrumento, o Entonarumor, de concertos Futuristas patrocinados por F. T. Marinetti. O músico foi vaiado na sua primeira audição, quando recebeu a chuva de tomates entre outros vegetais que voaram para o palco, entre outras manifestações mais violentas. Russolo, no entanto, não se deixou intimidar e repetiu suas performances em 12 apresentações nos diversos palcos europeus, inclusive uma no Coliseum (Londres, jun., 1914). Na ocasião Russolo conheceu o músico russo Igor Stravinsky, que convidado, compareceu ao concerto. A chegada da I Guerra Mundial afastou Russolo da música: ele se alistou no Batalhão Lombardo de Ciclistas, na companhia de outros artistas como Umberto Boccioni (1882-1916). O mais talentoso entre os artistas Futuristas, o amigo de Russolo, perdeu a vida durante o conflito (1916), bem como o destacado arquiteto Futurista, Antônio Sant`Elia(1888-1916), dono de igual trágico destino.

 Russolo publicou L'arte dei rumori (A arte do rumor. Milão: Editora Futurista de Poesia, 1916); a editora pertencia a F. T. Marinetti. Russolo participou com seu instrumento Intonarummori de concertos parisienses, apresentando-se com vários instrumentos que produziam ruídos (dias 17, 20 e 24 jun., 1921). Estes ruídos foram classificados em seis categorias, conforme publicado (DUFOURCQ, 1976):

01- Rugidos, estalidos, ruídos de água, mugidos;

02- Sibilos, roncos;

03- Murmúrios, grunidos, gorgoteos;

04- Estridências, zumbidos;

05- Ruídos de percussão sobre metal, madeira, pele, pedra, barro cozido, e outros;

06- Vozes de homens e de animais, gritos, gemidos, aulidos, risadas, soluços e estertores.

 
No caso dos concertos de Russolo, seus ruídos foram apresentados por 29 instrumentos, sendo 3 ditos, auladores, 3 rugidores, 3 crepitadores, 3 para estridências, 3 zumbadores, 3 gorgeteadores, 2 tronadores, 1 sibilador, 4 grasnadores e 4 chilrreadores. De todos os instrumentos inventados por Russolo somente sobreviveram os auladores e os crepitadores, que foram utilizados na construção do Entonarumor. Russolo participou com seu novo instrumento do concerto conjunto realizado com Uggo Piatti, na apresentação da peça O Tambor de Fogo [Il Tamburo de Fuoco], de autoria de F. T. Marinetti. A peça apresentou um interlúdio musical de Balilla Pratella, um dos mais destacados compositores italianos das vanguardas Futuristas (Praga, República Tcheca, 1922).

Russolo passou a construir vários de seus intrumentos, que patenteou em alguns países (1925-); no entanto, quando o músico e pintor recusou a filiação ao partido Fascista, que, com Benito Mussolini passou a dominar a Itália (1922-) e ao qual vários outros Futuristas aderiram, ele foi afastado da segunda fase do movimento italiano comandado e patrocinado por F. T. Marinetti, colega de liceu do ditador Mussolini. Russolo se apresentou no seu último concerto com o Entonarumori (Milão, 1925), no qual ele reproduziu composições de seu irmão Antonio Russolo e de Franco Casavola (1891-1955).
 
Russolo foi convidado por Marinetti e compôs a música para os três únicos filmes Futuristas (1916-1917), cujas cópias não existem mais: Futuristas em Paris [Futuristi a Parigi], no qual ele também atuou; A Marcha das Máquinas [La marche des machines]; e Montparnasse, filme no qual atuaram Marinetti e Enrico Prampolini (1894-1956).

No final da década de 1920, com o advento do cinema sonoro, o instrumento de Russolo ficou sem utilidade, fazendo com que o artista desiludido, abandonasse seu projeto. Hoje, ao que se sabe, não restou nenhum exemplar no mundo do Entonarumor, que, ao que foi relatado, produzia som surdo, de timbre baixo, e mesmo difícil de ser ouvido.

Russolo dedicou o resto de sua vida a filosofia e as ciências do Ocultismo: sua última apresentação em concerto público foi como convidado de Michel Seuphor, pois ele se apresentou como músico na inauguração da primeira exposição dos pintores internacionais do Grupo Círculo e Quadrado [Cercle et Carré], realizada na Galeria 23 (Paris. 28 dez., 1929).

As pinturas de Russolo A Música (1911) e A Revolta (1911), se encontram reproduzidas (HULTEN, 1986; e PIERRE, 1991). A obra de Russolo Dinamismo de um automóvel (óleo/ tela, 104 cmx 140 cm, no MNAM, Paris), se encontra reproduzida (DUROZOI, 1992). Duas pinturas do artista, A Solidez da Névoa (1912, óleo/ tela, 10 cm x 65 cm, na coleção Gianni Mattioli, Milão) e O perfume (sd, óleo/ tela, 64,5 cm x 65,5 cm, na coleção Benedetta Marinetti, Roma), participaram da Sala Especial do Futurismo, com curadoria de G. C. Argan, Giuseppe Fiocco, Luciano Minguzzi, Rodolfo Pallucchini, Carlo Alberto Pretrucci e Gino Severini na II Bienal de São Paulo (1953). (v. abaixo o texto Arte Sonora ou Arte do Ambiente Sonoro ou Arte Ruidista).

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:





CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L;. CAUMONT, J;.CELANT, G;. COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE; MARIA, L. DE; DI MILLIA, G.;FABRIS, A.;FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.;GREGOTTI, V.;LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.;MENNA, F.; ÁCINI, P.;RONDOLINO, G;. RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.;SILK, G.; SMEJKAI, F.;STRADA, V.;VERDONE, M.;ZADORA, S. Futurism and Futurisms.New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 558-562.
 
CATÁLOGO GERAL. MILLIET, S.; PFEIFER, W.. II Bienal do Museu de Arte Moderna.. São Paulo: EDIAM, 1ª ed., dez., 1953. 1953, p. 218.

DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: il., p. 545.


DUFOURCQ, N. (Org.); ALAIN, O.; ANDRAL, M.: BAINES, A.; BIRKNER, G.; BRIDGMAN, N.; Mme. de CHAMBURE; CHARNASSÉ, H.; CORBIN, S.; AZEVEDO, L. H. C. de; DESAUTELS, A.; DEVOTO, D.; DUFOURQ, N.; FERCHAULT, G.: GAGNEPAIN, B.; GAUTHIER, A.; GÉRARD, Y. HALBREICH, H.; HELFFER, M.; HODEIR, A.; ROSTILAV, M.; HOFMANN, Z.; MACHABEY, A.; MARCEL-DUBOIS, C.; MILLIOT, S.; MONICHON, P.; RAUGEL, F.; RICCI, J.; ROUBERT, F.; ROSTAND, C.; ROUGET, G.; SANVOISIN, M.; SARTORI, C. SHILOAH, A.; STRICKER, R.: TOURTE, R.; TRAN VAN KHÊ, A. V., VERLET, C. VERNILLAT, F.; WIRSTA, A.; ZENATTI, A.
La Música: Los Hombres, Los Instrumentos, Las Obras. Barcelona: Planeta, 1976, pp. 364, 369.

 
PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968, p. 371.


 




 


PERFORMANCES:  PERFORMÁTICO FUTURISTA.  
CANGIULLO, Francesco (1884-1977).

 
O artista gráfico, pintor, poeta, escritor das palavras em liberdade, nasceu em Nápoles (Itália) e morreu em Leghorn (Suíça). Francesco Cangiullo colaborou com seus textos para os mais conhecidos periódicos de vanguarda de sua época, como as revistas La Difesa dell´Arte (1910-), Lacerba (1913-1915), L'Italia Futurista (1916-1920), Procellaria (1922-) e La Cultura Italiana (1929-), todas publicadas em Florença. O artista e escritor se associou as vanguardas Futuristas; o artista escreveu e assinou o Manifesto do Mobiliário Futurista (1920). No ano seguinte, ele assinou juntamente com F. Marinetti o Manifesto do Teatro da Surpresa (1921). Cangiullo tornou-se diretor, juntamente com Roberto de Angelis, da Companhia do Teatro da Surpresa. Cangiullo afastou-se do Futurismo (1924).



Francesco Cangiullo trabalhou conjuntamente com o ator e autor teatral Futurista Ettore Petrolini, que produziu várias das ditas, Sínteses Teatrais Futuristas (1916-): eles escreveram juntos a peça Radioscopia, misto de drama com espetáculo no estilo do vaudeville francês e do music-hall americano.



A estética de Cangiullo, próxima da Dadaísta, foi notável pela originalidade, pois seus textos ilustrados com tipografia criativa, apresentaram soluções gráficas inéditas. O trabalho de Cangiullo foi influenciado por seu amigo Giacomo Balla, pintor e professor do grupo dos artistas plásticos Futuristas (v. Futurismo nas Sínteses Teatrais e no Teatro). Cangiullo tornou-se performático e declamou suas poesias nas Noites Futuristas, organizadas por Giuseppe Sprovieri na Galeria Sprovieri, conhecida como a Galeria Futurista (Roma e Nápoles, 1914).

 
Cangiullo inventou novas formas para as palavras e, como Guillaume Apollinaire nos seus Caligramas [Caligrammes], o artista italiano reinventou a tipografia, com a página composta tal qual fogos de artifícios, entre outras. Cangiullo empreendeu, de modo criativo, a deformação da palavra escrita, ocasião em que criou o novo visual, muito gráfico, que apresentou no seu livro Café Concerto (Milão: Edição Futurista de Poesia, 1916). No final dos anos 1920, Cangiullo também produziu obras conjuntas com seu irmão mais novo, Pascalino.

 
REFERÊNCIA SELECIONADA:

 

CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L;. CAUMONT, J;.CELANT, G;. COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE; MARIA, L. DE; DI MILLIA, G.;FABRIS, A.;FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.;GREGOTTI, V.;LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.;MENNA, F.; ÁCINI, P.;RONDOLINO, G;. RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.;SILK, G.; SMEJKAI, F.;STRADA, V.;VERDONE, M.;ZADORA, S. Futurism and Futurisms.New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 440, 536.

 

terça-feira, 7 de maio de 2013










 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCESNO SÉCULO XX.

 
EVENTO AUTOR(ES) (MÚSICO) DATA - LOCAL – CIDADE


 


Rei Bombance, Felipo T. Marinetti 1909, Théâtre de l’Oeuvre, Paris

Bonecas Elétricas, Felipo T. Marinetti 1909, Teatro Alfieri, Turim

Noite Futurista, Marinetti e Cangiullo 1910, Teatro Rosetti,Trieste

Noite Futurista Marinetti e poetas 1910, Teatro Chiarella, Milão

Noite Futurista Marinetti, Armando Mazza 1911, no teatro, em Turim

Grande Noite Futurista, Paolo Buzzi, Palazzeschi, Folgore, Pratella,

Soffici, Marinetti, 1913, Teatro Costanzi, Roma

A Arte do Ruído, Francesco Balila Pratella 1913, Teatro Costanzi Roma

A Arte do Ruído, Francesco Balila Pratella 1913, Villa Rosa, Roma

Palavras em Liberdade, Marinetti, G. Balla 1914, Galeria Sprovieri, em Roma

Palavras em Liberdade, Marinetti, Cangiullo 1914, Galeria Sprovieri, em Roma

Piedigrotta, Marinetti, Cangiullo 1914, Doré Galleries, em Londres

Concerto Futurista, Luigi Russolo 1914, Teatro dal Verme, Milão

Concerto Futurista, Luigi Russolo 1914, no teatro, em Londres

Máquina de Escrever, Balla, Virgilio Marcchi 1914, no teatro, em Roma

O Beijo, Síntese Teatral; F. T. Marinetti 1915, teatro, em Roma

Fogos de Artificio, Giacomo Balla (Igor Stravinsky) 1917, no T. Costanzi, em Roma

Dança Plástica, Gilbert Clavel, F. Depero 1918, Palazzo Odescalchi, Florença

O Nascimento, Mario Scaparro

Teatro da Surpresa, Marinetti, Cangiullo e Trupe Rodolfo de Angelis 1921, Teatro Mercadante, em Nápoles

Teatro da Surpresa, Marinetti, Cangiullo e Trupe Rodolfo de Angelis 1921, Teatro Mercadante, em Nápoles

Novo Teatro Futurista, Trupe Rodolfo De Angelis 1924, excursão na Itália

Máquina do 3000, F. Depero e F. Casavola 1924, excursão na Itália

O Mercador de Corações, E. Prampolini e Casavola 1927
 

FUTURISMO (INTERNACIONAL) (Milão, Paris, Roma, Turim, Veneza, entre outras cidades, 1909-1944).

 


No começo do século XX eclodiram movimentos Anarquistas e Marxistas. Os Futuristas, cujos participantes pertenciam à burguesia da época, apresentaram projeto político combativo e nacionalista, patriótico e expansionista, que saiu em defesa da I Guerra Mundial com o objetivo de fortificar a empobrecida Itália. Alguns historiadores classificam o Futurismo em Primeiro e Segundo Futurismo, tentando disfarçar o fato de que o movimento se beneficiou de sua associação ao ditador Benito Mussolini, e consequentemente ao Fascismo italiano (1922-1944).O mentor do Futurismo italiano, Felipo Tommaso Marinetti (1876-1944), que foi colega de Mussolini no colégio, lançou seu movimento na Itália (Milão) e no Brasil (Salvador, 1909); na França (Paris, 1910), e em outros países. O Futurismo Marinettiano foi sustentado a partir do fato que seu mentor se tornou milionário por herança, e pôde se dar ao luxo de patrocinar o movimento, encomendar obras aos artistas, alugar teatros para a realização de eventos de Declamação de Poesias, entre outras manifestações que foram se tornando mais e mais radicais, apresentando sempre ações performáticas. 


 
 
Marinetti reuniu em torno de sua pessoa grupo multidisciplinar de convidados, escritores e poetas; e, posteriormente, vários artistas plásticos, fotógrafos e músicos. Participaram do Futurismo Giacomo Balla (1871-1958), Anton Giulio Bragaglia (1890-1960) e seus irmãos, Arturo Bragaglia (1892-1962) e Carlo Ludovico Bragaglia (1894-1998); Umberto Boccioni (1882-1916), Anselmo Bucci (1887-1955), Carlo Carrà (1881-1966), Massimo Campigli (1895-1971), Fortunato Depero (1880-1954), Filippo De Pisis (1896-1956), Leonardo Dudreville (1885-1976), Arnaldo Gina (Conde Arnaldo Ginanni Corradini, 1890-11982), Giorgio Morandi (1890-1964), Enrico Prampolini (1894-1956), Ottone Rosai (1895-1957), Luigi Russolo (1885-1947), Medardo Rosso (1858-1928), Gino Severini (1883-1966), Carlo Socrate (1889-1967) e Ardengo Soffici (1879-1964), entre outros.

 
Foram arquitetos Futuristas Nikolay Diulgheroff (1901-1982), Mário Chiatonne (1891-1957), Virgilio Marchi (1895-1960), Antonio Sant’ Elia (1888-1916) e Alberto Sartoris (1901-1998).Foram autores Futuristas, escritores, poetas e teatrólogos, alguns igualmente jornalistas e artistas plásticos, Paolo Buzzi (1874-1956), Ricciotto Canudo (1877-1923), Mário Carli (1888-1935), Primo Conti (1900-1988), Remo Chiti (1891-1971), Enrico Cavacchioli (1885-1954), Bruno Corra (Conde Bruno Ginanni Corradini, 1892-1976), Fillia (Luigi Colombo, 1904-1936), Arnaldo Gina (Conde Arnaldo Ginanni Corradini, 1890-1982), Luciano Folgore (Omero Vecchi, 1888-1966), Francesco Cangiullo (1884-1977), Pino Masnata (1901-1968), Aldo Palazzeschi (Aldo Giurliani, 1885-1974); o pintor, poeta crítico de arte Gerardo Dottori (1884-1977): o crítico de arte Francesco Arcangelli (1884-1977): e do grupo da dita, Scapigliatura Lombarda, Gian Pietro Lucini (1867-1914), entre outros.
 

Foram cineastas Futuristas Marinetti (1876-1944), Remo Chiti (1891-1971), Bruno Corra (Conde Bruno Ginanni Corradini, 1892-1976), Arnaldo Gina (Conde Arnaldo Ginanni Corradini, 1890-1982) e Emilio Settimeli (1891-1954).

 

Foram músicos Futuristas Franco Casavola (1891-1955), Alfredo Casella (1883-1947), Francesco Balila Pratella (1880-1955), Silvio Mix (1900-1927), Ugo Piatti (1880-1953) e Luigi Russolo (1885-1947).
 

Participaram das performances do Futurismo Giacomo Balla (1871-1958), Paolo Buzzi (1874-1956), Anton Giulio Bragaglia (1890-1960), Arturo Bragaglia (1892-1962), Carlo Ludovico Bragaglia (1894-1998), Mássimo Campigli (1895-1971), Francesco Cangiullo (1884-1977), Carlo Carrà (1881-1966), Enrico Cavacchiolli (1885-1954), Remo Chitti (1891-1971), Filippo De Pisis (1896-1956), Fortunato Depero (1892-1960), Gerardo Dottori (1894-1977), Luciano Folgore (Omero Vecchi, 1888-1966), Benedetta Cappa Marinetti (1897-1977), Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), Virgilio Marchi (1895-1960), Armando Mazza, Ubaldo Oppi (1889-1942), Giovanni Papini (1881-1966), Vinício Paladini (1902-1971), Ivo Panaggi (1901-1981), Aldo Palazzeschi (Aldo Giurliani, 1895-1974), Enrico Prampolini (1894-1956), Gaetano Previatti (1852-1920), Giuseppe Prezzolini (1882-1982), Mario Scaparo, Ardengo Soffici (1879-1964), Carlo Socrate (ou Socrates, 1889-1967), Ottone Rosai (1895-1957), Gregorio Sciltian (1900-1985); e os músicos Franco Casavola (1891-1955), Alfredo Casela (1883-1947), Silvio Mix (1990-1927), Francesco Balilla Pratella (1880-1955) e Luigi Russolo (1885-1947); entre outros.
  
 
 

As pesquisas do cientista francês Étienne-Jules Marey (1830-1904) se tornaram a base das primeiras obras pictóricas do movimento do Cubismo francês (v.) e do Futurismo italiano (v. Fotografia: Cronofotografia do Movimento Humano). Foi notável a influência de Marey nas pinturas iniciais de Giacomo Balla, expressa nas obras Cão andando na coleira, Mão de Violinista e Menina correndo em um Balcão (1912, óleo/ tela, 125 cm x 125 cm, no acervo da Galeria Cívica de Arte Moderna, Milão).



 
A mostra comemorativa do centenário de lançamento do Manifesto de F. T. Marinetti no Le Figaro (Paris, 20 fev., 1909), foi Obras-primas do Futurismo na Coleção Paggy Guggenheim [Masterpieces of Futurism at the Peggy Guggenheim Collection], curada por Philip Rylands (Veneza, 19 fev.- 31 dez., 2009).


REFERÊNCIAS SELECIONADAS PARA O FUTURISMO:


CATÁLOGO GERAL. MILLIET, S.; PFEIFER, W.. II Bienal do Museu de Arte Moderna.. São Paulo: EDIAM, 1ª ed., dez., 1953. 1953, pp. 445, 446, 455, 481, 493, 501-502, 543, 544, 558. 568, 574.

 
CATÁLOGO. HULTEN, P. (ORG.); JUANPERE, J.A.; ASANO, T.; CACCIARI, M.; CALVESI, M.; CARAMEL, L;. CAUMONT, J;.CELANT, G;. COHEN, E.; CORK, R.;CRISPOLTI, E.; FELICE, R; DE; MARIA, L. DE; DI MILLIA, G.;FABRIS, A.;FAUCGEREAU, S.; GOUGH-COOPER, J.;GREGOTTI, V.;LEVIN, G.; LEWISON, J.; MAFFINA, F.;MENNA, F.; ÁCINI, P.;RONDOLINO, G;. RUDENSTINE, A.; SALARIS, C.;SILK, G.; SMEJKAI, F.;STRADA, V.;VERDONE, M.;ZADORA, S. Futurism and Futurisms.New York: Solomon R. Guggenheim Museum, Abeville Publishers, 1986. 638p.: il, retrs., pp. 15-609.


CORK, R.; BRETTE, A. Formulation d' un groupe rebelle à l' Exposition d' Octobre 1913. Traduction de Thérèse Fossatti. Apud: CATÁLOGO..CORK, R.; ELIOT, T. S.; KENNER, H.; LEMAIRE, G-G.; LEWIS, W.; McLUHAN, M.; POUND, E.; RODITI, É.; WEST, R. Windham Lewis et le Vorticisme. Paris: Cahiers Pour un Temps, Centre Georges Pompidou, Pandora Ed., 1982, pp. 122-147.

 

DICIONÁRIO. BREUILLE, J-P. Le Dictionaire mondial de la photographie, la photographie des origines a nos jours. Paris: Larousse, 1994.

 

DICIONÁRIO. CHAMBERS. Biographical Dictionary. London: Melanie Parry Ed., Chambers - Hanap, 1997, p. 333.

 

DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: il., pp. 468, 510-511.

 

ENSAIO. BRETTE, A. Formulation d' un groupe rebelle à l' Exposition d' Octobre 1913. Traduction de Thérèze Fossatti.
Apud CATÁLOGO. CORK, R.; ELIOT, T. S.; KENNER, H.; LEMAIRE, G-G.; LEWIS, W.; McLUHAN, M.; POUND, E.; RODITI, É.; WEST, R. Windham Lewis et le Vorticisme. Paris: Centre Georges Pompidou, Pandora Ed., 1982, pp. 122-147. (Cahiers Pour un Temps).



ENSAIO. GINANNESCHI, E. O enigma de uma viagem na arte do século XX.
Apud CATÁLOGO. Novecento Sudamericano. Relações Artísticas entre Itália, Argentina, Brasil e Uruguai. São Paulo: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2003, pp. 18-20.



ENSAIO. LEMAIRE, G-G. Prolégomènes au Vorticisme: Flux et Reflux en Angleterre. Traduction de Gérard Georges Lemaire. Apud CATÁLOGO. CORK, R.: KENNER, H.: LEMAIRE, G-G.: LEWIS, W.: McLUHAN, M. :POUND, E.; RODITI, E.: WEST, R.; BRETTE. A. Windham Lewis et le vorticisme. Paris: Centre Georges Pompidou, Ed. Pandora, 1982. (Cahiers pour un temps).


ENSAIO.
LEWIS, W. Wyndham Lewis et le vorticisme. Traduction de Thérèse Fossatti. Apud CATÁLOGO. CORK, R.: KENNER, H.: LEMAIRE, G-G.: LEWIS, W.: McLUHAN, M. :POUND, E.; RODITI, E.: WEST, R.; BRETTE. A. Windham Lewis et le vorticisme. Paris: Centre Georges Pompidou, Ed. Pandora, 1982. (Cahiers pour un temps).

 
PALESTRA. D’AGOSTINI, V. O Teatro Futurista. São Paulo: CEF, Encontros Estéticos, 27 abr., 2002.

PIERRE, J. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968.

domingo, 5 de maio de 2013


 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCESNO SÉCULO XX.
ARTE CORPORAL, ACONTECIMENTOS [HAPPENINGS] E PERFORMANCES NA PRESENÇA RESIDUAL DO CORPO - HUMANO OU ANIMAL, VIVO OU MORTO -(Estados Unidos e Europa, desde o começo da década de 1960).

 
Obras performáticas discretas passaram a utilizar partes dos corpos dos artistas, como braços, mãos, ohos e face, como a Escultura Performática de Bruce Nauman, e o Desenho Performático de Marcel Duchamp. Na Arte Corporal foram incluídas obras que utilizaram secreções e excreções do corpo humano: Esperma (Serrano), Fezes (Manzoni, Mike Kelly), Sangue (Marc Quinn), Sopro (Manzoni), Vírus (Chadwick), Vômito (Sherman) e Urina (Serrano, Warhol), entre outras. As substâncias citadas foram utilizadas na produção de Arte Corporal Performática. Essas obras não existiriam sem a presença do artista e sem a performance do corpo do artista, que produziu as substâncias citadas. Muitas das obras não se mostam chocantes, pois o público nem desconfia como e com que material foram executadas. As obras que se mostraram explícitas, quase sempre chocaram o público: este foi o caso do Cristo imerso em Urina [Piss Chist] de Andres Serrano (Nova York, 1972). Na categoria de Arte Corporal Performática não é chocante a Pintura Oxidada [Ocxidation Painting] de A. Warhol, realizada com sua urina, que efetuou reação química com a tela especialmente tratada com reagentes químicos.

Na década de 1970, em alguns estados americanos, alguns artistas performáticos se destacaram: a jovem cubana Ana Mendieta, que frequentava a Universidade de Iowa, utilizou seu corpo para marcar forma feminina a areia da praia. Nessa Instalação de Arte Corporal Performática, a artista inseriu e queimou vários materiais vegetais colocados dentro da depressão produzida da forma escavada de seu corpo, como galhos secos, folhas e flores, entre outros. A sequência de atos estudados de Mendieta desejava evocar a fertilidade e a maternidade na mulher: a maioria de suas primeiras performances foi de natureza poética e lírica. No entanto a artista também crucificou o corpo feminino em armações de bambu, nas quais ela inseriu materiais naturais, que depois foram queimados. As Instalações de Mendieta foram realizadas ao ar livre, na praia, mas não causaram qualquer dano à natureza ou a seu próprio corpo.


REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

ARCHER, M. Art since 1960. New Ed. London: Thames and Hudson, 1997. 2002. 256p. 221 il., 92 color. 15 x 21 cm. (world of art).
 

GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson 1989,2001. 206 p.: il., algumas color 15 x 21 cm. (world of art).

GOLDBERG, R.; ANDERSON, l. (Foreword). Performance:live art since 1960. New York: Harry N. Abrams, 1998. 240p.: il. 26 x29 cm.
WARR, T.: JONES, A. (Survey). The Artist´s Body. London: Tracey Warr, Phaidon Press, 2000, 2002. 304p.: il., algumas color. 26 x 30 cm.  
 


domingo, 28 de abril de 2013

 

 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX. BIOGRAFIA: KOKOSCHKA, Oskar (1886-1980).


PERFORMANCES:
Assassinato: Esperança das Mulheres, Oskar Kokoschka 1909, no teatro, em Viena
Ópera: Assassinato: Esperança das Mulheres, Oskar Kokoschka (Paul Hindermith), 1921, no Landestheater, Stuttgart
 
O artista plástico, desenhista, pintor, cenógrafo, figurinista teatral e performático, nasceu em Pochlarn (Áustria), mas faleceu em Montreux (Suíça). Kokoschka estudou em Viena: ele participou dos famosos Ateliês Vienenses (v.), fundados pelo arquiteto Josef Hoffmann. Kokoschka foi admitido nos ativos círculos culturais, musicais e intelectuais da capital austríaca que frequentou juntamente com seu amigo Karl Krauss (1908-). Kokoschka retratou Krauss e também desenhou o retrato de seu dileto amigo de toda vida, o arquiteto precurssor da moderna arquitetura européia, Adolf Loos (1870-1933).
A arte pictórica de Kokoschka foi influenciada pelo Estilo Jovem [Jugendstil], da ala mais jovem das artes vienenses, assumida pelos 17 artistas do Grupo (Austríaco) dos Jovens [Die Jüngen] (v. no meu Blog: http://arteeuropeiadevanguarda.blogspot.com), que inssurgiu-se contra a rígida tradição acadêmica austríaca nas artes visuais. Gustav Klimt fundou a associação de artistas, conhecida como Secessão Vienense (Wiener Sezession, 1897-1932). O Grupo da Secessão Vienense (v.) publicou a revista de grande repercussão, Ver Sacrum (Primavera Sagrada, Viena, jan. 1898-1899; Leipzig, 1899-1903), o principal meio de divulgação dos associados.

Kokoschka viajou para temporada em Berlim, onde ele trabalhou com a equipe da revista Der Sturm, de Herwarth Walden, que não só publicou seus desenhos, mas também seus textos. No mesmo ano Kokoschka expôs suas pinturas na sua primeira mostra individual realizada na Galeria Der Sturm (Berlim, 1910). Durante curto período Kokoschka participou das vanguardas berlinenses; ele voltou a viver em Viena, onde aderiu ao Grupo da Sociedade Musical (1911), organizada por Alma Mahler, promotora cultural e esposa do famoso maestro e compositor, Gustav Mahler. Dois anos depois Kokoschka viajou para a Itália, quando pintou paisagens pelo caminho.


Durante o período da I Guerra Mundial (1914-1918) o artista foi convocado para servir ao exército; ele foi gravemente ferido e logo depois desmobilizado (1916). Quando Kokoschka recuperou-se ele escreveu Quatro Dramas (Vier Dramen, Berlim, 1919). O artista ocupou o cargo de professor na Academia de Arte (Dresden, 1919-1923), mas resignou (1924).

Kokoschka escreveu algumas peças teatrais, como Drama e Construção [Dramen und Bilder], encenada em Leipzig (Áustria, 1913). Kokoschka encenou a peça teatral de sua autoria, Assassinato, Esperança das Mulheres [Mörder, Hoffnung der frauen], para a qual ele criou os cenários e figurinos; um de seus desenhos cenográficos se encontra reproduzido (GOLDBERG, 2001: 54). Essa peça, que estreou no Teatro dos Jardins da Kunsthaus, foi apresentada com elenco de estudantes que tiveram o único ensaio geral antes da primeira apresentação. Na estréia improvisada, pois o autor mostrou aos atores apenas as linhas gerais da apresentação, predominou o estilo bastante exagerado de atuação, com caretas e máscaras faciais características das performances Expressionistas (Berlim, 1909). Posteriormente esta peça transformou-se na ópera em um ato, homônima, com libreto da autoria de Kokoschka e música de Paul Hindermith (Op. 12, 1919), que estreou com a orquestra sob a regência do maestro Fritz Busch, no Landesteather (Stuttgart, 04 jun., 1921). Pouco depois das apresentações da ópera em Viena e Munique, os textos e os desenhos cenográficos de Kokoschka foram publicados na revista Der Sturm (Berlim, 1910-1932). Os figurinos pareceram estranhos, pois o artista pintou nervos humanos sobre malha colante; desagradaram, irritaram os espectadores da ópera que recebeu a grande carga de oposição. Essa foi uma das primeiras peças das vanguardas austríacas encenada na Alemanha, enquanto que o primeiro performático alemão, Benjamin Franklyn Wedekind, alguns anos antes, quando suas peças foram censuradas no seu país, apresentou-as para a sociedade vienense (1905-).


Depois de sua temporada na Alemanha, Kokoschka viajou para a França e de lá, uma longa jornada levou-o ao norte da África e ao Oriente. Quando passou rapidamente por Paris, Kokoscha vendeu todas as pinturas que ele produziu na viagem para os negociantes berlinenses de arte, Paul Cassirer e Jakob Goldschmith. Kokoschka viajou para Londres através da Holanda e continuou pintando paisagens pelo caminho, além de vistas das cidades por onde passou. O artista passou anos viajando, sempre pintando nos locais de sua estadia, até que, finalmente, Kokoschka voltou para Viena: ele assustou-se ao reconhecer a escalada do nacionalismo mais radical. O artista se auto-exilou-se em Praga (1934), seguindo quatro anos depois para Londres na companhia de Olga Palkovska, que ele futuramente desposou.

No final dos anos 1930, quando ocorreu o grande expurgo nazista, Kokoschka foi tachado de Artista Degenerado (sic); ele pintou o Auto-Retrato Degenerado no ano em que foram confiscadas e destruídas 417 de suas obras (1938; v. Arte Degenerada). Kokoscha publicou o livro O ovo vermelho (Munique, 1940); o artista naturalizou-se inglês (1947), mas voltou a possuir a nacionalidade austríaca (1975).

Kokoschka viajou para a Itália (1948), e, no ano seguinte seguiu para os Estados Unidos (1949). O artista voltou a Europa, quando instalou-se em Villeneuve, cidade próxima ao Lago Genebra, onde viveu seus últimos anos de vida e faleceu. Kokoschka fundou a Academia de Verão, sucesso que permanece até hoje (Salzburgo, Áustria, 1953).


Kokoschka publicou seus Escritos, 1907-1955 (Schriften, 1907-1955; Munique, 1956); ele publicou Acompanhar na Areia Movediça (Spur im Treibsand, Zurique, 1956); a sua autobiografia Minha vida (Mein Leben, Munique, 1971); e A Obra Escrita (Das Schriftliche Werk, 04 vols. Hamburgo: Heinz Spielmann, 1963-1967). Foram publicados póstumamente a Autobiografia I, 1905-1919 (Briefe I, 1905-1919, Düsseldorf: Olga Kokoschka e Heinz Spielmann, 1984).

Obras de Kokoschka participaram da Sala Especial da Áustria, na II Bienal do Museu de Arte Moderna (São Paulo, 1953), na qual ele expôs 8 de suas pinturas, entre as quais destacamos a Paisagem do Porto de Praga (1937, óleo/ tela, 90 cm x 116 cm, no acervo da Galeria Osteirreichische, Viena); o Nu Feminino Deitado (1922, aquarela/ papel, 52 cm x 70 cm); e 5 gravuras, os retratos de Paul Scheerbart (1909), de Adolf Loos (1910), de Max Berg (sd), de Karl Kraus (1910) e de Herwarth Walden (1912), na técnica de zincografia, além de duas litografias: Encontro (1914) e Jovem Lendo (sd); mais 3 gravuras na técnica de água forte: Duas Pessoas, Galo e Galinha e Cigana, todas do mesmo ano (1925); e a gravura colorida, Retrato da Srta. Gitta (1953).

Gravuras de Kokoschka participaram da mostra Gravura Expressionista Alemã, realizada no Museu Lasar Segall (São Paulo, 18 ago.- 18 set., 1987): O Princípio (1919, litografia a cores, 41 cm x 31 cm), Retrato de Mulher (sd, litografia, 51 cm x 33 cm) e Retrato (1923, litografia, 31 cm x 41 cm), que se encontram reproduzidas no catálogo da mostra. Outra exposição da qual obras de Kokoschka participaram, foi Expressionismo Alemão: Destaques da Coleção Van Der Heydt Museum, realizada no Paço Imperial (Rio de Janeiro, 8 agosto - 24 setembro, 2000), itinerante ao Museu Lasar Segall (São Paulo, 2000), que trouxe 69 obras Expressionistas do acervo do Museu de Arte de Wuppertal e 121 obras do Instituto Goethe (Stuttgart) e expôs as ditas, Matrizes do Expressionismo no Brasil, apresentando 90 obras dos gravadores brasileiros Lasar Segall, Oswaldo Goeldi e Lívio Abramo, na mostra internacional que ofereceu visitas monitoradas para o setor educativo, além de publicar elucidativo catálogo.

 

REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson 1989,2001. 206 p.: il., algumas color., pp. 52-54. 15 x 21 cm (World of art).
 
CATÁLOGO. II Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo. São Paulo: EDIAM/ Edições Americanas de Arte e Arquitetura, 1a Ed., dezembro 1953, pp. 74-75.
 
 
CATÁLOGO. FEHLEMANN, S. Expressionismo Alemão: Destaques da Coleção do Museu von Der Heydt. Biografias de Antje Birthälmer e Brigitte Muller. Wuppertal: Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, 2000. Rio de Janeiro: Paço Imperial. São Paulo: Museu Lasar Segall, 2000.

CATÁLOGO. Gravura Expressionista Alemã. São Paulo: Museu Lasar Segall, 1987, pp. 30-38, 188, 209.

DICIONÁRIO. SCHAMALENBACH, W.; GRASSKAMP, W. (Biogr.). German Art of the 20th Century: painting and sculpture 1905-1985. Translated by John Ormond. Munich - Düsseldorf: Prestel, 1987, p. 489.

DICIONÁRIO. THOMPSON, K. A Dictionary of Twentieth-Century Composers1911-1971. London: Farber & Farber, 1973. 666p. 16,5 x24,5 cm, p. 183.

PIERRE, J. L'Univers Symboliste: décadence, symbolisme et art nouveau. Paris: Éditions d'Art Aimery Somogy, 1991, p. 360.


SHORSKE, C. Viena Fin-de-Siècle, Política e Cultura. Tradução de Denise Bottman. Campinas: Unicamp - Cia. das Letras, 1990, pp. 207-209.
 







TESCH, J.; HOLLMANN, J. Icons of Art: the 20th Century. New York: Ekhardt Hollman, Prestel, 1997. 216p.: il., pp. 72, 73.