sábado, 10 de agosto de 2013


 

CITROEN, Paul (1896-1983).




 
O artista de origem holandesa, nasceu em Berlim e participou do Dadaísmo alemão. Citroen colaborou com várias publicações, na Alemanha e na Holanda, participando com ilustrações, fotomontagens e gravuras tendo como tema a arquitetura das cidades que, nessa época, se modernizavam. Citroen participou da mostra organizada pela Galeria da Tempestade [Der Sturm](Berlim, 1914). Posteriormente o artista inaugurou a sua dita, Central Dadá [Dadazentrale], em Amsterdã (Holanda, 1917), cidade onde se radicou com Erwin Blumenfeld. De volta à Holanda, Citroen tornou-se livreiro; no entanto o artista voltou à Alemanha e participou da Feira Dadá [Dada Messe], realizada na Galeria Otto Burchard (Berlim, 1920).
 



 
Citroen colaborou com o Almanaque Dadá, editado por Richard Huelsenbeck, em Berlim (1920). O artista tornou-se aluno da Bauhaus (Weimar, 1922; v.), quando seu professor foi o revolucionário Johannes Itten. Citroen expôs sua mais famosa fotomontagem Metrópolis (1923, Colagem/ papel, 76,2 x 58,4 cm, na Coleção da Universidade de Leyden, Holanda), na mostra da Bauhaus (1923). O artista viu a cidade moderna como forma de acumulação caótica de prédios, mostrando uma arquitetura desordenada: essa obra se encontra reproduzida (ADES, 1978).





As obras de Citroen foram influenciadas pelo Dadaísmo, principalmente através das Fotomontagens (v. Fotografia: Fotomontagem) de Hannah Höch e de Raoul Hausmann. O artista começou a fotografar para suas obras nessa técnica, logo no início do movimento e depois tornou-se fotógrafo profissional (1925). Quando Citroen voltou a viver na Holanda ele se associou ao fotógrafo Umbo, e fundou sua a sua Nova Escola de Arte Amsterdã [Niewe Kunstschool Amsterdam] (1927), que adotou a filosofia da Bauhaus alemã, onde o artista estudou.





Como fotógrafo profissional, Paul Citroen dedicou-se principalmente ao retrato como o tema mais importante de suas obras; ele retratou personalidades importantes de seu tempo como Thomas Mann, Marc Chagall, Max Ernst e Dora Maar. A primeira mostra individual de Citroen foi em Amsterdã (1932); o artista escreveu alguns textos teóricos sobre arte e o livro Palet (1931). Citroen tornou-se professor da arte na Academia de Haia (1935-1960) e faleceu em Wassenreaar (Holanda, 1983). Obras de Paul Citroen participaram da mostra Dadá Amsterdã [Dada Amsterdam] (Amsterdã, 1974).
 



REFERÊNCIAS SELECIONADAS.

 
ADES, 1978, p. 91.

BREUILLE, 1991, p. 168.

BREUILLE, 1994, pp. 138-139.

 
CATÁLOGO. Paul Citroen. Eindhoven: 1958.

PIERRE, 1983, p. 159.

 


DADAÍSMO:

REFERÊNCIAS SELECIONADAS.
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il.
CATÁLOGO. BARR. A. Cubism and Abstract Art, Painting, Sculpture, Constructions, Photography, Architecture, Industrial Art, Theatre, Films, Posters, Tipography. Cambridge: Harvard University Press, The Belknap Press, 1936. New York: Museum of Modern Art, 1986. 249p.: il.
CATÁLOGO. BEAUMELLE, A. de la; MONOD-FONTAINE, I.; SCHWEISGUTH, C. André Breton: La Beauté Convulsive. Paris: Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, 1991, 249p.: il.
CATÁLOGO. Le Sexe dans l'art Féminimasculin. Paris: MNAM –CGP, 1996.
BÉHAR, H. Sobre el Teatro Dada y Surrealista. Traducción de José Escue. Barcelona: Barral, 1971.
BRITT, D.; MACKINTOSH, A.; NASH, J. M.; ADES, D.; EVERITT, A; WILSON, S.; LIVINSGSTONE, M. Modern Art: from Impressionism to Post-Modernism. London: Thames and Hudson, 1989, 416p.: il.
CLAY, J. Modern Art, 1890-1918. London: Octopus, 1978. 320p., il.

DICIONÁRIO. BIRO, A.; PASSERON, R. Dictionaire général du surréalisme et ses environs..Sous la diréction de Adam Biro et René Passeron. Genève – Paris: Office du Livre et Presses Universitaires de France, 1982. 464p.: il., retrs.

DICIONÁRIO. BREUILLE, J-P. Dictionnaire de la peinture et de sculpture : l'art du XXe siècle. Sous la direction de Jean-Philippe Breuille. Paris: Lib, Larousse, 1991, 777p.: il., retrs., pp. 290-291. (Dictionnaires specialisés).
DICIONÁRIO. CHILVERS, I. The Concise Oxford Dictionary of Art and Artists. Edited by Ian Chilvers. Oxford: Oxford University Press, 1990. 517p., p. 122. (Oxford reference).
DICIONÁRIO. CHILVERS, I. Dictionary of 20th century art. Edited by Ian Chilvers. Oxford: Oxford University Press, 1998. 670p., p.21. (Oxford reference)
DICIONÁRIO. DUROZOI, G. Dictionaire de l'art moderne et contemporain. Sous la direction de Gérard Durozoi. Paris: Fernand Hazam, 1992. 676p.: Il.
DICIONÁRIO. SCHMIED, W.; WITFORD, F.; ZOLLNER, F. The Prestel Dictionary of Art and Artists in the 20th century. München – London - New York: Prestel, 2000. 383p.: il.
DICIONÁRIO. SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il.
FABRIS, A. Photomontage as political function. São Paulo: 2003.

GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N.E.F. - Casterman, 1991, 1991. 263p.: il.
GOLDBERG, R. Performance Art: from Futurism to the Present. London: Thames and Hudson 2001. 206 p., il., algumas color. (world of art).
GOLDBERG, R.; ANDERSON, L. (Foreword). Performance: live art since 1960. New York: Harry N. Abrams, 1998. 240p.: il.
MARCUS, G. Lipstick Traces: A Secret History of the Twentieth Century. Twentieth Aniversary Edition. Cambridge (MS): The Belknap Press of Harvard University Press, 1989, 1990, 2009. 16 x 23 cm. 483p; il.
L'ECOTAIS, E.; WARE, K. Man Ray, 1890-1976. Cologne: Taschen, 2000.
LÉVÊQUE, J-J. Le triomphe de l'art moderne: les Anées Folles. Paris: A. C. R. Éd. Internationalles, 1992. 624p.: il., retrs.
LUCIE-SMITH, E. Art Today. Oxford: Phaidon Press, 1977, 417p.: il., retrs.
NÉRET, G. 30 ans d'art moderne: peintres et sculpteurs. Fribourg: Office du livre, 1988. 248p.: il.
PIERRE, J. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968.
PIERRE, J. L'Univers Surréaliste. Paris: Somogy, 1983
RAGON, M..Journal de l´Art Abstrait. Genève: Skira, 1992. 163p: il.

READ, H. Histoire de la Peinture moderne. Traduction de Yves Rivière. Paris: Aimery-Somogy, 1960.
RICHTER, H. HAUPTMANN, W. (Post-Scriptum). Dada art & anti-art. Cologne: Du Mont Shauberg, 1964. 1965. 246p.: il.
RICHTER, H. Dadá Arte e Anti-Arte. Tradução de Marion Fleischer. São Paulo: Martins Fontes, 1993.
SCHAMALENBACH, W.; GRASSKAMP, W. (Biogr.). German Art of the 20th Century: painting and sculpture 1905-1985. Translated by John Ormond. Munich - Düsseldorf: Prestel, 1987
SCHAMALENBACH, W.; GRASSKAMP W. (Biogr.). Masterpieces of 20th Century Art: from Kunstasammlung Nordheim-Westfalen Düsseldorf. Translated by John Ormond. Munich – Düsseldorf: Walter Grasskamp, Prestel, 1990. 354p: il.
SEUPHOR, M.: RAGON, M.: PLEYNET, M. L'Art Abstrait. Paris: Maeght, 1949. 1971-1988, 05 v.: il.
TESCH, J.; HOLLMANN, J.Icons of Art: the 20th Century. New York: Ekhardt Hollman, Prestel, 1997. 216p.: il.



DANTO, A. After the end of art - contemporary art and the pole of history. Princeton: Princeton University Press, 1997.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

 

BAADER, Johannes Theodor (1875-1955).


O arquiteto e artista plástico, nasceu em Stuttgart e faleceu na Baviera; ele participou do Dadaísmo, no eixo Zurique – Berlim. Aparentemente suas obras foram de excelente qualidade, mas só podem ser avaliadas através das poucas que restaram de sua produção mais gráfica, em fotomontagens e técnicas mistas. O artista planejou e executou como projeto de arquitetura o Jardim Zoológico (Stellinger, Alemanha), o primeiro sem grades no mundo, que projetou-o internacionalmente.

 
Baader foi um dos fundadores do Clube Dadá e liderou as inúmeras ações de protesto do grupo de artistas contra a evolução do poder nazista na Alemanha, na época sofrida do imediato pós-guerra (1919-1920). Quando Baader promulgou os seus Oito Princípios do Universo e proclamou o novo calendário Dadá aprovou o início do movimento como Ano 1, ele se auto-proclamou Presidente do Globo (6 fev., 1919); depois de vários incidentes, a policia fichou-o como louco, mas era só a face mais radical do Dadaísmo que Baader queria mostrar.
O artista foi o fundador e único associado ao Partido Livre Germânico; ele colaborou com Raoul Hausmann, outro artista radical pertencente a seu grupo, nas Noites Dadaístas (1918). Baader publicou artigos na revista Der Dada (nos. 1 e 2) e editou o Hado - Manual do Superdadaísmo [Hado Handbuch des Oberdadaismus], além de organizar a revista Dadaco, que, no entanto, nunca foi publicada.

 
 
Foi divulgada a notícia da morte de Baader (1o abril, 1919), para logo depois os Dadaístas anunciarem a sua ressurreição. Na grande convulsão social européia, especialmente a alemã da época, os artistas do grupo Dadá lutaram contra o nazismo através da negação dos valores mais tradicionais, como pátria, lei e ordem. As publicações impressas do grupo radical tinham o intuito de atrair a atenção do público para suas manifestações, amplamente noticiadas na imprensa, a fim de enfrentarem o crescente militarismo germânico.

 
 
Baader colaborou na organização da Feira Dadá [Dada Messe], realizada na Galeria Otto Burchard (Berlim, 25 jul. - 25 ago., 1920), quando ele e Raoul Hausmmann radicalizaram, pois vestiram um manequim inflável com o uniforme das forças especiais alemãs, que completaram com máscara de cabeça de porco, intitulando a obra Arcanjo Prussiano. Nessa mostra Baader apresentou a maquete de sua construção Grandeza e decadência da Alemanha (Plasto Die – Dada – Drame), que deveria ser monumento gigantesco com jardins suspensos de arquitetura Dadaísta. As obras citadas foram fotografadas na Dada Messe, e se encontram reproduzidas (GIBSON, 1991).
 
Criativo, inventivo e radical, Baader lançou o Prêmio Nobel Dadá; Dietas de Weimar; e o Cadáver Verde sobre o Cavalo Branco. Uma das fotomontagens de Baader foi realizada com a fotografia frontal de seu rosto, em primeiro plano, associada à fotografia do perfil de Johannes Baargeld. No Café Áustria Baader fundou o Club Blauen Milchstrasse (Berlim, 12 mar., 1919); na obra gráfica Dada Milchstrasse (1919, colagem, 50 cm x 32.5 cm, coleção particular, Milão) o artista criou cartaz publicitário na técnica de Fotomontagem (v.), utilizando como base de sua colagem um cartaz original criado anteriormente por Raoul Hausmann, no qual superpôs sua própria imagem invertida ao lado da fotografia de Hausmann impressa no papel. A reprodução desta obra também se encontra publicada (GIBSON, 1991). Em muitos dos trabalhos de Baader as letras e formas tipográficas livres prevaleceram sobre as imagens e ilustrações das fotomontagens.

 
 
Baader editou as revistas Der Dada (1919-1920) e o Dada Almanach (1920; v.); ele trabalhou até o ano seguinte, quando ocorreu o declínio do movimento Dadaísta, precipitado pelo processo judicial movido pelo estado alemão contra o Dr. Otto Buchard, dono da galeria que organizou a Feira Dadá. O fato encerrou o movimento em Berlim: pouco tempo depois Baader renunciou a toda atividade artística, trocando-a por atividades políticas. A maioria de suas obras desapareceu: no entanto, alguns de seus desenhos, colagens e fotomontagens que sobreviveram se encontram no acervo do MoMA (Nova York). Algumas obras de Baader como Der Oberdada Gedankeubuch (1922, colagem, 22 cm x 14,7 cm) e, da parceria Hausmann - Baader, o Dadaphoto (Fotografia, colagem, 21,7 cm x 12,6 cm, no acervo do MNAM, Paris), se encontram reproduzidas (GIBSON, 1991).

Baader publicou:
 

BAADER, Johannes. Sonderausgabe Grune. Leiche – Berlin, 1919.
______. Il. Praesident Baader Reklame fur mich. [Presidente Baader, anúncio para mim]. Berlin: Der Dada, n. 02, Dez., 1919.
______. Dio-Dada-Drame. Berlin: Dada Almanach, Erich Reiss Verlag, 1920.


REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978,475p.: il., pp. 89, 90.
 
PIERRE, J. El futurismo y el dadaísmo. Madrid: Aguilar, 1968, p. 146.
PIERRE, J. L'Univers Surréaliste. Paris: Somogy, 1983, p. 149.
 
GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., pp. 106, 108, 109, 130-131.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

 
REVISTAS  DADAÍSTAS  INTERNACIONAIS PUBLICADAS NO SÉCULO XX (1916-1949).

As principais revistas Dadaístas (1916-1924) foram: Cabaret Voltaire [Cabaré Voltaire], Dada [Dadá] e Der Zeltweg [Tenda no Caminho] (Zurique, Suíça, 1916-1919). Revistas Dadaístas foram publicadas em outros países como na França e na Áustria (1920-1924): La Pomme des Pins (A Maçã de Alfinetes, Saint-Raphael, França, fev., 1922), editada por Francis Picabia; e, Le Coeur à Barbe (Coração Barbado, abr., 1922), editada por Tristan Tzara; a 391 (Barcelona, Nova York, Zurique e Paris; 1917-1924), lançada internacionalmente por Francis Picabia, editor que patrocinou várias revistas de Tristan Tzara, e que publicou os dois números de Cannibale (Canibal, Paris, 1920); e a revista que foi catálogo de sua última mostra individual, a 491 (Paris, 1949).

Inúmeras publicações vanguardistas foram lançadas na Alemanha, destacando as editadas pela Editora Malik [Malik Verlag] (v.), de um Dadaísmo radical e nihilista, como Neue Jugend (Nova Juventude, 1916–1917), Die Pille [A Pilula], Der Gegner [O Adversário], Die Rosa Brille [A Luneta Rosa], Die Freie Strasse [A Rua Livre]; a Der Blutige Ernst [O Sangue do Ernesto, 1919), editada por George Grosz e Carl Einstein; a Die Pleite (A Bancarrota,1919–1924), editada por George Grosz e Wieland Herzfelde; e a Jederman Sein Eigener Fussball (A cada um seu futebol, 15 fev., 1919), editada com único número por G. Grosz e Franz Jung.

Na cidade de Colônia o grupo de vanguarda liderado por Max Ernst publicou três revistas Dadaístas: a Bulettin D (Buletim D, sendo D = Dadá,1919); Die Shammade [O Camarada] e Der Ventilador (O Ventilador, 1920). Na mesma cidade, o grupo de Franz W. Seiwert herdou o mercado de Ernst depois que ele foi viver no exterior: os artistas publicaram Stupid (Estúpido, 1919), porta-voz do Grupo (Alemão) Estúpido (v.), e, mais tarde, a – z (1929-1933), do Grupo dos Artistas Progressivos [Progressiven Kunstler]. Seiwert também publicou textos e ilustrações na Die Action (A Ação, 1904-1932). Em Hanover, Kurt Schwitters lançou Merz (Mércio = radical da palavra Co-Mércio, em alemão, 1922-1932); a revista Mecano (Leiden, 1922-1923) foi publicada na Holanda por Théo van Doesburg.

O ramo do Dadaísmo norte-americano se formou em torno do fotógrafo vanguardista Alfred Stieglitz, com Man Ray, Marcel Duchamp, Beatrice Wood, Walter Conrad Arensberg e Marius de Zayas. O grupo publicou as revistas The Ridgefield Gazook [A Gazeta de Ridgefield] (Man Ray), New York Dada [Dadá Nova York], Rongwrong [Erroerrado] e TNT (1915-1921).


REFERÊNCIA SELECIONADA:

 
CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 42-43, 103-110, 159.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX. HUELSENBECK, Richard; Charles T. Hulbeck (1892-1974).

 

O artista multimídia, poeta e escritor, promotor de eventos e performático, nasceu em Frankenau, mas faleceu em Nova York. Huelsenbeck adquiriu nova identidade na América onde trabalhou como médico psiquiatra, o Dr. Charles T. Hulbeck. A sua primeira identidade encontra-se associada à fundação do movimento mais radical europeu na primeira metade do século XX, o Dadaísmo berlinense.

         
Huelsenbeck chegou a Zurique em fevereiro e participou ativamente de todas as manifestações dadaístas realizadas no Cabaré Voltaire (1916), fundado por Hugo Ball (1886-1927). Huelsenbeck introduziu nas performances musicais Dadaístas o bumbo, que produziu som inspirado na cultura africana, que parecia adequado às danças com máscaras e vestes inspiradas nas culturas negras primitivas. Para a realização das apresentações de dança foram criados costumes rígidos de papelão por Marcel Janco (1895-1984) e Sophie Taeuber (depois Arp, 1889-1943). As indumentárias foram usadas por Suzanne Perrotet,  Sophie Taeuber e Maja Kruschek, esta última namorada do poeta Tristan Tzara (1896-1963), entre outras alunas da Escola de Dança do músico, dançarino e coreógrafo  Rudolf von Laban. Foi o talentoso Laban quem coreografou de modo revolucionário os números de dança das performances dirigidas por Hugo Ball que foi aluno de direção cênica de Max Reinhardt, no Teatro de Câmera de Munique.
 
Durante cinco meses as performances aconteceram diariamente, no minúsculo palco do Cabaré Voltaire, que lançou o único número da revista homônima e inaugurou exposição de arte moderna nas paredes, com a participação de artistas como      Pablo Picasso e Alberto Giacometti. Em poucos meses o cabaré foi obrigado a encerrar as atividades, devido a problemas contratuais; logo a seguir o movimento Dadaísta inaugurou a Galeria Dadá, que promoveu palestras de Tzara e Arp, .além de exposições das obras de vanguardistas como Théo e Adya van Rees, entre outros. A Galeria de Arte permaneceu aberta durante apenas dois meses. Logo estabeleceu-se acirrada rivalidade intelectual entre Huelsenbeck, de forte temperamento, com o poeta romeno Tristan Tzara: certamente não havia lugar para ambos em Zurique.
 
Huelsenbeck voltou para Berlim, onde estudava medicina: ele  iniciou outro núcleo dadaísta, que surgiu bem mais radical. Huelsenbeck lançou o seu Manifesto Dadá no Gabinete Gráfico Newmann (Berlim, 1918). O poeta associou-se aos irmãos John Heartfield, Tom e Wieland Herzfeld, fundadores da Editora Malik [Malik Verlag], e, conjuntamente, lançaram o Almanaque Dadá (1920). Huelsenbeck escreveu alguns textos polêmicos, que publicou, como A Alemanha Deve Desaparecer, Dadá vencerá! O poeta reeditou seu poema Oração Fantástica  [Fantastische Gebete], lançadona Coleção Dadá (Mouvement Dada Verlag, Zurique, 1916. 1960, exemplar na coleção Arthur Cohen, Nova York); seu poema sonoro Schalaben Schalamei  Schalamezomai, ilustrado com 4 xilogravuras de Hans Arp (Zurich: Mouvement Dada Collection, 1916;  exemplar na Ex-Libris, Nova York); o texto conjunto com Tristan Tzara, Diálogo Dadá entre Agulha de Crochê e Palito de Fósforo (Dada dialogue entre un crochet et une alloutte. Zurich: Cabaret Voltaire, juin, 1916); publicou seu Manifesto Dadaísta (Dadaistisches Manifest. Zurich: Dada Almanach, 1916). Foram várias as performances de declamação de poesias, nas cidades onde o dadaísmo tornou-se movimento ativo (Zurique, Colônia, Berlim, Paris).
 
Lembramos que a Alemanha perdeu a I Guerra Mundial e a cidade de Berlim encontrava-se imersa em profunda crise, social e política, que deflagrou inúmeras greves operárias. Na capital alemã predominava profunda recessão com desemprego, deterioração dos costumes, miséria e fome. As revistas Dadaístas foram profundamente entranhadas na política, muitas publicadas pela Editora Malik: lançaram vários manifestos e foram distribuídas nas portas das fábricas. Assim que uma revista apresentava problemas com a censura, os jovens e batalhadores  editores lançavam outra similar e politizada. Huelsenbeck tornou-se ativo colaborador das publicações dadaístas: ele publicou seu  texto O Idiota [Der Idiot]; e Vorwortzur Geschichte der Zeit/ Doktor Billig am Ende (Berlin: Die Freie Strasse, 1918) e na mesma revista, assinou juntamente com Franz Jung (1888-1963) Parada  Americanizada (Americanische Parade/ Ende der Welt. Berlin: Die Freie Strasse, 1918). O manifesto de Huelsenbeck encontra-se traduzido (inglês) e publicado (First German Dada  Manifesto. New York: 1949. Wittenborn: 1951). Huelsenbeck publicou Verwandlungen (Munique, 1918); Aksenten oder die Knallbude (Berlim, 1918); Ein geburststagsgesang  fur Bijo Berry z. Z. Interniet (Zurich: Dada n. 4 - 5, Anthologie Dada), revista  editada por T. Tzara (15 maio, 1919). Huelsenbeck escreveu o poema Schriber – Politik, publicado na revista Der Blutige Ernst (n. 4), editada por Carl Einstein e George Grosz (Berlim, 1919); e publicou ainda Mainacht Fruhling 1918 na Der Zeltweg, revista editada por Otto Flake, Tristan Tzara e Walter Serner (Zurique, nov., 1919). Huelsenbeck publicou o artigo Abendgesang S. M. des kaisers, na revista Der Blutige Ernst (n. 5, 1920) e os textos  Dada - Schalmei/ Ein Besuch/ Cabaret Dada na revista Der Dada (n. 3), editada por Grosfield, Hearthaus e Georgemann, pseudônimos de G. Grosz, J. Heartfield e R. Huelsenbeck (abril, 1920); o texto En Avant Dada, Die Geschichte des Dadaismus (Hanover, 1920); Dada siegt (Berlim, 1920), bem como Deustchland muss untergehen! Erinnerrungen eines alten Dadaistischen Revolutionars (Berlim, 1920) e o Almanaque Dadá (Dada Almanach, Berlim,1920), que o próprio Huelsenbeck editou; o texto Doktor Billig am Ende (Munique, 1921); Die Antwort der Tiefe (Wiesbaden, 1954); e Mit Witz, Licht und Grutze; auf den Spuren des Dadaismus (Wiesbaden, 1957); e, finalmente Dada eine literarische Dokumentation (Hamburgo, 1964).

 
O movimento dadaísta em Berlim apresentou a única mostra importante: foi a Feira Dadá [Dada Messe], realizada com a participação de 27 artistas e a apresentação de 140 obras na Galeria de Arte do Dr. Otto Burchard (1920). A mostra radicalizou devido a apresentação da obra de Raoul Hausmann (1886-1971) e John Heartfield (1891-1959), conhecida como O Arcanjo Prussiano: os artistas vestiram manequim inflável, de tamanho natural, com o uniforme das forças especiais alemãs (nazistas) e completaram-no com máscara de cabeça de porco. O manequim pairou no teto da galeria de arte e assim foi fotografado na inauguração da exposição, foto reproduzida (GIBSON, 1991). A obra resultou em processo judicial, tanto para os artistas envolvidos bem como para o Dr. Otto Burchard: foram julgados e condenados, com multa para os artistas e alguns meses de prisão para Burchard (maio, 1921). O processo judicial determinou o final do dadaísmo berlinense. Devido a morte do movimento (1921), Huelsenbeck desinteressou-se das atividades artísticas revolucionárias e terminou seus estudos de medicina; ele formou-se em Psiquiatria. Alguns anos depois o Dadaísta trabalhou como médico em navio: ele desembarcou em Nova York, onde passou a viver e trabalhar como analista, com o novo nome de Charles R. Hulbeck. Sempre artista, Huelsenbeck continuou a produzir suas obras, principalmente na técnica de Colagem, característica do Dadaísmo berlinense. O Dr. Hulbeck tornou-se membro da Associação dos Pintores Americanos Abstracionistas: ele expôs suas obras em mostra individual na Galeria Deux Isles (Paris, 1950) e no Kunstantiquariat Wasmuth (Berlim, 1956). Várias fotografias de R. Huelsenbeck, na época do dadaísmo em Zurique e Berlim (1917-1920), encontram-se publicadas (ADES, 1978; GIBSON, 1991; e RICHTER, 1993).

         
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

 
 CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 79-86, 106, 123-124, 149.
 
DICIONÁRIO. SEUPHOR, M. Dictionaire de la peinture abstraite: precédé d´une histoire de la peinture. Paris: Fernand Hazam, 1957. 305p.: il., p. 191.


LIVROS:
 

GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 243p.: il., pp. 84-93, 254.


PIERRE, J. El futurismo y el dadaismo. Madrid: Aguilar, 1968, pp. 174-175.


RICHTER, H. HAUPTMANN, W. (Post-Scriptum). Dada art & anti-art. Cologne: Du Mont Shauberg, 1964. 1965. 246p.: il.
 

RICHTER, H. Dadá Arte e Anti-Arte. Tradução de Marion Fleischer. São Paulo: Martins Fontes, 1993, pp. 33-49. 

sábado, 20 de julho de 2013


 

HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
TZARA, Tristan; Sami Rosenstock (1896-1963).

 
O poeta, escritor, teatrólogo, editor e agitador cultural Dadaísta, nasceu em Moinesti (Romênia). Tzara participou das primeiras vanguardas romenas e da publicação das revistas de seu amigo, o editor Ion Vinea (1895-1964). Tzara saiu da Romênia no outono, quando viajou para estudar engenharia na Escola Politécnica (Zurique, Suíça, 1915). O artista foi presença dinâmica que animou o movimento Dadaísta, tanto em Zurique bem como em Paris (1916-1923). Tzara, juntamente com seu colega de universidade e compatriota, o artista plástico Marcel Janco (1895-1984), juntamente com os suíços Hugo Ball (1886-1927) e Hans Arp (1886-1966), foram os principais mentores intelectuais das manifestações Dadaístas, durante os cinco meses de atividades no Cabaré Voltaire (Zurique, 1916). Foi de autoria de Tzara o texto do I Manifesto Dadá (Zurique, 1918); ele foi influenciado pelas Palavras em Liberdade (Milão, 1909) de F. T. Marinetti (1876-1944) e pela poesia dos Caligramas [Caligrammes] de Guillaume Apollinaire (1880-1918).

          
Em Zurique, Tzara, que dominava 08 idiomas, criou com Hans Arp (1886-1966) e Richard Huelsenbeck (posteriormente o psiquiatra norte-americano, Dr. Charles Hulbeck, 1892-1974), poemas fonéticos em alemão; e os ditos, poemas simultâneos, recitados por várias vozes para várias platéias ao longo do percurso do movimento Dadá, que viajou com ele de Zurique para Paris. As vozes que recitavam os poemas foram se multiplicando, pois de 04 passaram para 08, daí para 20, e, no seu momento final para 38 vozes simultâneas, que recitaram poesias fonéticas nas performances teatralizadas.
 
Através de troca de correspondência durante alguns meses, André Breton (1879-1966) chamou Tzara para participar da equipe que publicava a revista Literatura (Littérature, 1920). Foi o grupo liderado por Tzara que iniciou as primeiras manifestações públicas do Dadaísmo parisiense; ele recebeu o patrocínio de Francis Picabia (1879-1953) para lançar duas revistas, sucessivas, que passaram a concorrer no estreito mercado editorial das publicações das vanguardas francesas, lideradas por Breton. Esse intelectual francês que comandava as vanguardas literárias parisienses, com mesma mão com que afagava os artistas e escritores do grupo, detinha seu poder sobre os mesmos, mantido através da sedução e da manipulação. Tzara entrou em conflito com Breton; essa polêmica foi responsável pelo término do Dadaísmo em Paris (1923). O escritor e poeta romeno perdeu o apoio das vanguardas francesas, que substituiram o Dadaísmo pelo Surrealismo [Surréalisme]. Nesta fase (1922-1923), Breton impediu as realizações de Tzara; foi violenta a última participação pública de Breton, no evento organizado por Tzara, Coração de Gás (06 jun., 1923), que marcou o momento final do Dadaísmo na França.

 

Tzara publicou a Coleção Movimento Dadá [Collection Mouvement Dada], inaugurada com a publicação da primeira peça teatral de sua autoria, que ele dirigiu e apresentou nos palcos parisienses: A Primeira Aventura Celeste do Senhor Aspirina. Na mesma coleção o poeta romeno publicou a maioria dos poemas dos Dadaístas, desde sua primeira formação em Zurique, inclusive os recitados no Cabaré Voltaire (1916). Algumas poesias simultâneas ficaram bastante conhecidas, como Oração Fantástica [Phantastiche Gebet] e Schalaben, Schlamai, Schlamezomai, ambas de autoria de Richard Huelsenbeck; e Caravana [Karawane], de Hugo Ball, reproduzida (ADES, 1978: 86). A Coleção Movimento Dadá publicou o texto do poema declamado a quatro vozes em francês, A Palavra Obscura da Paisagem Interior, do Futurista italiano Giulio Évola, fundador da revista Azurro (v.).


 

Tzara editou quase todas as publicações Dadaístas com as quais colaborou, publicando artigos e poesias em Dada (n. 1, Zurique, 1917); Dada (nos. 02-03, Zurique, 1918); Antologia Dada, Dada (nos. 04-05, Zurique, 1919); Der Zeltweg (Zurique, 1919); Der Dada (Berlim, 1919); Bulletin Dada (Paris, fev., 1920); Dadaphone (Paris, mar., 1920); Dada Intirol (Tarrenz, Áustria, 1921) e finalmente foi colaborador da revista S.I.C./ Sons, Images, Couleurs (Paris, 1918), de Pierre-Albert Birot. Tzara colaborou com as revistas de Francis Picabia: 391 (1919) e Cannibale (nos. 01-02, 1920); e a de Kurt Schwitters, Merz (no. 04, Hanover, 1921). Tzara apresentou várias de suas colaborações nas revistas editadas por A. Breton (1920-), que publicou os 23 Manifestos Dadá, além de trechos da peça de Tzara, A Primeira Aventura Celeste do Senhor Aspirina (1916). Tzara escreveu e publicou a peça Lenço de Nuvens (Mouchoir des Nuages, 1924).

 
Tzara rompeu com A. Breton, mas posteriormente reaproximou-se e participou do Surrealismo (1929-1935); mas sua chama se apagou. Apesar de ter sido o editor de Simbolul (Bucareste, Romênia), com o pseudônimo de S. Samyo, e depois de sua participação ativa no Dadaísmo (Zurique – Paris, 1916-1923), quando o movimento terminou Tzara não voltou para Bucareste, continuou vivendo em Paris. Tzara foi o mais autêntico dos Dadaístas e depois colaborou para a posteridade do movimento, quando publicou os seus Sete Manifestos Dadá (1924), no ano em que Breton lançou seu 1º Manifesto do Surrealismo (v.). Tzara publicou O Homem Aproximativo (L'homme aproximatif, 1931), o primeiro poema épico Surrealista; e Grãos e Publicações (Grains et Issues, 1935). A fotografia de Tzara dedicada por ele a Breton, se encontra publicada no catálogo da mostra André Breton a Beleza Convulsiva [André Breton la beauté convulsive], realizada no MNAM (Paris, 1991). A foto de Tzara usando monóculo se encontra publicada (GIBSON, 1991).

 
 
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:

CATÁLOGO. ADES, D. Dada and Surrealism Reviewed. Introduction by David Syilvester and supplementary essay by Elizabetn Cowling. London: the Authors and the Art Council of Great Britain, Hayward Galleries, 1978. 475p.: il., pp. 63-65, 75.
 
CATÁLOGO. BEAUMELLE, A. de la; MONOD-FONTAINE, I.; SCHWEISGUTH, C. André Breton: La Beauté Convulsive. Paris: Musée National d'Art Moderne, Centre Georges Pompidou, 1991, pp. 95,158.
 
LIVROS:
GIBSON, M. Duchamp Dada. Paris: N. E. F. Casterman, 1991. 263p.: il., p. 252.

LÉVÊQUE, J-J. Le triomphe de l'art moderne: les Anées Folles. Paris: A. C. R. Éd. Internationalles, 1992. 624p.: il., retrs.,p. 93.

 

NÉRET, G. 30 ans d'art moderne: peintres et sculpteurs. Fribourg: Office du livre, 1988. 248p.: il., p. 93.


PIERRE, J. L'Univers Surréaliste.Paris: Éditions d'Art Aimery Somogy, 1983, pp. 201-202.
 
 
RICHTER, H; HAUPTMANN, W. (Post-scriptum). Dada Art & Anti-Art. London: Thames and Hudson, 1965, 1965, pp. 32-49, 223-247.

 
HISTÓRIA DAS PERFORMANCES NO SÉCULO XX.
BIOGRAFIA: SATIE, Erik; Eric Alfred Leslie Satie (1866-1925).



O músico e compositor das vanguardas francesas, nasceu em Honfleur (Le Havre), filho de mãe inglesa e protestante e de pai anglofóbico e católico. O artista foi batizado na religião anglicana, como sua irmã e seu irmão mais novo. Logo depois que sua família foi viver em Paris, sua mãe faleceu, quando Satie tinha apenas quatro anos de idade. O futuro músico voltou a viver em Honfleur, onde foi criado por seus avós paternos, que batizaram-no na religião católica. Ocorreu outro evento traumatico quando a avó de Satie foi encontrada morta na praia; por conta dessa morte misteriosa, seu avô se converteu e tornou-se católico fervoroso.

 
Satie recebeu breve iniciação musical de Vinot, aluno de Niedermeyer, organista da Igreja de Santa Catarina, músico que deu a Satie as primeiras lições de piano. Quando Satie voltou a viver com seu pai em Paris, ele estudou Piano com Descombes e Mathias, Solfejo com Lavignac e Harmonia com Tadou, mestres do Conservatório de Paris. O músico começou a escutar Bach, Chopin e Schumann. Satie liderou o grupo musical de vanguarda, formado por seus alunos: a dita, Escola de Arcueil [École d´Arcueil](v.).

 
Satie compôs a música para o balé Parada [Parade]; Jean Cocteau escreveu o libreto para esse manifesto tridimensional Cubista, apresentado nos palcos pelos Ballets Russes com coreografia de Léonid Massine e cenografia, figurinos e cortina de Picasso . O balé estreou no Teatro Costanzi, em Roma (abril), sendo reapresentado em Paris (maio, 1917).

 

Satie compôs a música para sua obra teatral, Le piège de Méduse, dita, Comédia Lírica em um ato e nove cenas (1913), interrompida por sete danças de macaco mecânico (M. Jonas). Esta obra, apesar de ser anterior ao movimento Dadaísta, certamente antecipou-o. Nesse espetáculo teatral Satie procurou ilustrar a crítica da linguagem através do emprego de lingua estapafúrdia, usando como tema o argumento original e engraçado que girava em torno de Astolfo, empregado em divórcios e acidentes de trabalho, que desejava pedir ao Barão Méduse a mão de Frisette, sua filha, em casamento. Essa comédia, de comicidade fora do comum, foi apresentada no Théâtre Michel (Paris, 24 maio, 1921). No mesmo ano Sergei Diaghilev organizou concerto em homenagem a Erik Satie, realizado em Londres.

 
Outra música para balé de Erik Satie foi Relâche [Relache] (1924), composta para os Ballets Suedois [Balés Suecos], de Rolf de Maré, com libreto de Francis Picabia, autor do argumento do filme Entr'acte [Entreato] (1924), dirigido por René Clair, projetado no intervalo entre os dois atos do espetáculo de balé.

 
Pouco depois que Satie faleceu (1925), S. Diaghilev montou o balé João na Caixa [Jack in the box], musicado com três danças que Satie escreveu no final do século XIX (1899), e que Darius Milhaud orquestrou em homenagem a seu antigo mestre. A coreografia de Georges Balanchine destacou o virtuosismo de Taddeuz Idzikowsky, que dançou junto com as bailarinas Alexandra Danilova, Felia Dubrovska e Lubov Tchernicheva. O cenário foi de André Derain, que colocou nuvens de cartolina no céu. A temporada desse ano não foi das mais auspiciosas para os Ballets Russes (1926). Picasso, que conviveu com Satie e Igor Stravinski no período que passou com os Ballets Russes de S. P. Diaghilev, desenhou retratos de Satie e Igor Stravinsky, que se encontram reproduzidos, além dos principais elementos cenográficos e figurinos de Picasso para Parada (CACHIN & MINERVINO, 1977).


 
REFERÊNCIAS SELECIONADAS:


BEHAR, H. Sobre el Teatro Dada y Surrealista. Barcelona: Barral Editores, 1970, pp. 79-81.


CATALOGUE RAISONNÉ. CACHIN, F.; MINERVINO, F. Tout l'oeuvre peint de Picasso, 1907-1916. Introduction par Françoise Cachin; documentation par Fiorella, Minervino. Paris: Flammarion, 1977, pp. 85, 127-133.; ils. de Parade: cortina pronta 879; desenhos preparatórios da cortina ils. 880-881; cavalo, il. 895; costumes ils. 892, 893, 894. Projeto da cortina de Tricorne il. 926-929; maquete il 930; costumes, il. 931; estudos para Pulcinella, il. 940-942; costumes, il. 943; Mercure ( v. Ballets Beaumont) ils. 973-978 .

 
DUFOURCQ, N. (Org.); ALAIN, O.; ANDRAL, M.: BAINES, A.; BIRKNER, G.; BRIDGMAN, N.; Mme. de CHAMBURE; CHARNASSÉ, H.; CORBIN, S.; AZEVEDO, L. H. C. de; DESAUTELS, A.; DEVOTO, D.; DUFOURQ, N.; FERCHAULT, G.: GAGNEPAIN, B.; GAUTHIER, A.; GÉRARD, Y. HALBREICH, H.; HELFFER, M.; HODEIR, A.; ROSTILAV, M.; HOFMANN, Z.; MACHABEY, A.; MARCEL-DUBOIS, C.; MILLIOT, S.; MONICHON, P.; RAUGEL, F.; RICCI, J.; ROUBERT, F.; ROSTAND, C.; ROUGET, G.; SANVOISIN, M.; SARTORI, C. SHILOAH, A.; STRICKER, R.: TOURTE, R.; TRAN VAN KHÊ, A. V., VERLET, C. VERNILLAT, F.; WIRSTA, A.; ZENATTI, A. La Música: Los Hombres, Los Instrumentos, Las Obras. Barcelona: Planeta, 1976, pp. 180, 185, 359, 364.
 

HAGER, B. Les Ballets Suedois. Translated by Ruth Sharman. London: Thames and Hudson, 1990. 303p.: il., algumas color., p. 299.


MORAES, J J. Música da Modernidade. Origens da música de nosso tempo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983, pp. 115-122.


SHEAD, R. Ballets Russes. Secaucus, New Jersey: Quarto Book, Wellfleet Press, 1989.192p.: Il,.algumas color., pp. 85-90, 98, 106, 116, 125, 142, 145, 154, 191.25 x 33 cm.